terça-feira, dezembro 03, 2013

Provavelmente até à eternidade

Saiu pela porta das traseiras. Nem se deu ao trabalho de olhar para trás. Não aguentava nem mais um minuto dentro daquela casa. As discussões cada vez mais frequentes tornaram-se insuportáveis. Quando já não se sabe a razão por que se discute, é porque algo está verdadeiramente errado. E, na esperança de conseguir guardar dentro de si algumas das boas memórias do passado, saiu. Os berros foram abafados pela distância que os seus passos criaram, até que os deixou de ouvir.
Ele não foi atrás dela.
Sozinha caminhou durante horas. Atravessou o campo e sentou-se na paragem de autocarros. Entrou no primeiro que apareceu sem ver o destino. Dentro do autocarro estava apenas uma velhinha e, lá bem no fundo, outro vulto qualquer. Com a cabeça encostada à janela, enroscou-se no seu lugar e chorou um choro silencioso. As lágrimas corriam-lhe pela cara e nela secavam. Os últimos dias tinham sido os piores, já nem se lembrava da última vez que se sentira em paz e, lentamente, deixando-se vencer pelo cansaço, adormeceu.
Acordou ao sentir os primeiros raios de sol acariciarem-lhe a cara. Não sabia onde estava e não tinha a intenção de saber. Assim que se endireitou no seu lugar, reparou que alguém se tinha sentado ao seu lado enquanto dormia. Ainda ensonada, olhou para o lado e cruzou o olhar com o outro viajante. Um rapaz, provavelmente da sua idade. Voltou-se imediatamente para a frente, na tentativa de esconder o embaraço de acordar com um estranho, de olhos cor de água, a observá-la a dormir.
Algum tempo passou até que o motorista anunciou a próxima paragem como sendo a última, pedindo assim a todos os passageiros que se retirassem. Encontrou-se no desconhecido, nem sequer se deu ao trabalho de procurar uma placa que indicasse a localidade. Ficou parada enquanto via o autocarro ir-se embora levando dela apenas as lágrimas que caíram no assento. Voltou a si quando reparou que tinha uma mochila a seus pés e ao erguer a cabeça ouviu: - "Olá, não te assustes! Reparei em ti quando entraste no autocarro. Parecias transtornada. Vi que choraste quase a viagem toda... Não sei se tens destino e sei que sou um estranho para ti... Não conheço este sítio e tu também pareces não conhecer. Vamos conhecê-lo juntos?" - . Não sabendo o que estava a fazer, respondeu: - "Tudo bem. Vamos."- . Se calhar foram os olhos. Nunca tinha visto uns olhos assim, pareciam capazes de ver tudo o que ela tinha dentro de si; ou talvez tenha sido a forma segura como o rapaz falou, mas pareceu-lhe natural seguir um estranho que se tinha sentado ao lado dela num autocarro.
Juntos começaram a andar pelas ruas estreitas e vazias da pequena vila. Durante muito tempo seguiram em silêncio até que o rapaz parou e lhe pediu para esperar um pouco. Entrou no que parecia ser uma loja de antiguidades e ao sair ofereceu-lhe um pequeno embrulho. Lá dentro encontrava-se uma caixa muito bonita, apesar de gasta pela tempo, e quando ela a abriu, não conseguiu conter a emoção. Uma música suave envolveu o silêncio da rua e envolveu-a a ela como se de um forte abraço se tratasse. Como é que este estranho, com o qual se sentia estranhamente confortável, sabia que uma simples caixinha de música era algo que ela há muito desejara ter?
Continuaram a caminhar. Não precisavam de dizer nada, os silêncios podem ser mais fortes do que meras palavras. Sempre acreditou que só se ama verdadeiramente alguém quando se é capaz de partilhar o silêncio sem que este seja estranho ou desconfortável... Ter alguém ao nosso lado e deixar cada um ouvir o que quer. Não amava um estranho, mas sabia que algo de transcendente lhe estava a acontecer e deixou-se levar.
Foram dar a uma pequena praia e sentaram-se na areia a contemplar o mar. Não sabiam os nomes um do outro, não sabiam de onde vinham nem para onde iam. Sem bagagem do passado, apenas sentiam o presente. Sentados lado a lado, imaginavam as histórias que os fizeram chegar até ali. Ela pegou na caixinha de música e pô-la a tocar. Tão bem que combinava a música com a bater das ondas nas rochas. Aproximaram-se um do outro, ela encostou a cabeça no ombro dele e assim se deixaram estar.
Provavelmente até à eternidade.

domingo, dezembro 01, 2013

Tout Doucement

Coleccionas trocas de amor.
Deixas-te levar por encontros efémeros
enquanto preenches um vazio que nem vazio está.
Diverte-te, dizem.
Divirto-me e vou divertir mais.

A epifania só chega com o tempo.
Não avisa, nem vem quando se procura,
mas depois de se estranhar, entranha-se.

Aqui, agora, é onde quero estar.
Estar leve, estar livre.
Estou comigo.
Há muito que não me sabia encontrar.

É agora que te formas.
É agora que descobres o que queres.
É agora que tens a escolha.
Tout doucement.





quinta-feira, novembro 28, 2013

She says "I'm OK".



Everybody asked the same question. A countless number of times, she mumbled the used dull words: "I'm fine, I'm OK". I think some of them actually believed it.
She was in fact fine, she was even OK too. But what did it mean to her, to lie to everybody's faces? Why did she feel she had to pretend her mind was clear from all the trouble?
Every day was the same, she completed the routine thoroughly. The basics. Eating, teeth washing, bathing. Every thing that came after was a consequence of what she couldn't let go of. 

I used to watch this girl from afar. I followed her on her long walks in the heart of city. I heard the music pumping inside her; she used music in an effort to find a release in it. Some times it did work, but she was only able to feel it for a second. Her walks seemed endless, truth is, they really were endless. She didn't keep track of anything around her, because it was her mind doing the walking. Always being unable to control her thoughts, the girl just kept letting her consciousness stroll through the whenever and the whatever. She was only looking for an answer. There were so many unaswered questions lying inside of her. So on she went, walking even when she was lying in bed.
I worried for her. Seeing this, once happy and full of life of a girl, let herself being eaten away by a demon. A demon she created, a demon that tore her heart from the inside because she made space for it to eat, sleep and hang out in there. I wanted to help her. So many times I felt like screaming at her, tell her that she was better than that, tell her she couldn't continue letting herself being eaten away by something that was already dead and gone. My voice just didn't want to let itself be heard, I guess. Screams came out as whispers and whispers didn't even reach her. It was as if she was sorrounded by fog, nothing entered and nothing came out. Words and embraces just got caught in the way and dissolved into nothingness. 
So I kept watching, never losing her out of my sight. Knowing that every smile on her face was just an attempt of keeping those around her in disbelief of her true colors. Only I was able to see her soul was painted black, as dark as a night without moonlight. How I wished to fill the hole in her heart, that kept the demon thriving. Truth is, there was nothing I could do. Just wished time would heal her and kept on following.  Days filled with pain and sorrow went by. Weeks and months felt like years. The girl let herself be blinded by meaningless words, which kept her hanging on to a silk string. Only she was unable to see the truth.
Until finally, in one of those really cold but sunny winter days she realized how much she'd been lying to herself. It took all of her to cut the string. After all, she'd built a castle, it was hard to just stump on it and forget about all the effort and time she dedicated to perfect it. I told her that no matter how hard you try, sometimes what you're building just isn't right for you and as long as you realize it, it doesn't matter if you have to tear it to pieces. And slowly but steady, the day came. Like having an outer body experience, she was able to watch herself from above. For the first time in many years the girl was back on the pedestal she belonged to and from it, she took the biggest leap she could and stumped on the castle. She wrestled with it, every punch made a tear fall from her eyes, every punch felt like a stab in her heart. When the last piece of it was about to be torn apart, she stopped and watched as bits and pieces of her life flashed through her mind in slow motion. It was beautiful. The last punch was drawn, the castle was gone forever and for the first time in a long while, the girl smiled alone. Suddenly she felt stronger than ever and so she laughed and laughed letting herself be heard on the other side of the world.

I couldn't be happier for her. After all that time worrying for her sanity and well being, she'd finally woken up and realized there was only one way to live: by treasuring herself like she always deserved. All our lives, we will build castles, some bigger, some smaller and that's just how it goes; we need to fill ourselves with hopes and dreams. Sometimes the castles will burn down and in time, we will just laugh about it. We will be thankful for what they gave us and then go on and start building a new one, never knowing how long it will stay untouched. Just keep on learning, keep on growing, keep on living.
We are the ones who choose to take the left or the right side from the path.

quarta-feira, novembro 06, 2013

Vem descobrir

Fugir, não adianta nada.
Ficar, não me deixa avançar. 
Usas os dois lados do cérebro, que descoberta fascinante hm...
Acho que não uso nenhum.
Neste momento há um total desequilíbrio aqui dentro.
Quero quê, afinal?
O impossível. 
Encontro refúgio em copos de vinho que me deixam dormente durante algumas horas.
Quanto tempo tem o tempo?
Queria tanto encontrar-te por aí... Ao virar da esquina podias aparecer e levar-me para onde quisesses, eu deixava. Ao virar da esquina só encontro outras esquinas e fico encurralada em sonhos que até a dormir me perseguem. 
Sai. Deixa. Vai. 
Morre. 

domingo, junho 23, 2013

ESQUECE!

Incrível o que me trouxe até aqui.
Incrível a música que deixei a tocar.
Incrível o que quero fazer contigo.
Incrível pensar em partilhar.
Incrível as horas que estão a passar.
Incrível porque quero esperar.
Incrível porque estou de novo a escrever.
Incrível como tenho medo do que possa estar a acontecer.


domingo, novembro 20, 2011

Calas-me a voz

Sozinha, penso em futuros diferentes, distantes, fora destas quatro paredes que tudo de mim beberam. Sozinha sinto-me sozinha.
Chorei um choro desesperado enquanto ela cantava o fado.
Ouvi com muita atenção e descobri uma nova maneira de sentir a dor.
Doi menos porque ela sente o mesmo que eu.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Temido despertar


Nua de dúvidas, parecia.

O céu sem nuvens fazia com que o sol de Inverno iluminasse todas as suas ideias. As ideias que ela andava a evitar, as ideias que achava sem fundamento.

Ainda na cama, todo um filme se desenrolou na sua cabeça como um sonho acordado. Tentou parar. Sem efeito.

Tomou o pequeno almoço em silêncio, proferiu apenas um quase mudo "bom dia". O pesadelo continuava na sua cabeça, ela não conseguia acordar.

Ligou o rádio e esgueirou-se para o duche. Enquanto a água lhe corria pelo corpo pensou em tomar uma decisão definitiva, quando de súbito, como se alguém soubesse o que ela estava a sentir, começou a música.

Bloco por bloco toda a torre se desfez e ela voltou a si mesma.

Nua de dúvidas, parecia.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

( )

Viagens


Quando viajo por outros mundos vejo o mar deserto. Vejo-me debaixo de água rodeada de qualquer coisa indecifrável.
Quando tu viajas por outros mundos não vês o mesmo que eu, mas sei que é algo igualmente pacífico e impressionante.
Viajamos quase sempre fisicamente juntos, mas vemos realidades diferentes. Gosto que me contes as tuas imagens, assim como gosto de te contar as minhas.
Queres deixar o nosso santuário por uns dias e ver as mesmas imagens que eu?

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Fuck you, fuck you very very much


Euforia - Dúvida - Consciência - Euforia 2 - Um pouco mais de dúvida - Decisão final - Sim - Procura desenfreada - Incerteza - Encontro bom ou mau - Euforia 3 - Experiência - Libertação - Euforia 4 - Down - Outra - Euforia 5 - Conversa - Jogos - Movimento - Horas voam - Fim - Incapacidade - Terror - Acordar - Inutilidade total - Arrependimento? - 0.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

quinta-feira, julho 02, 2009

Ignorance


The numbness shattered her. I thought she would lose track, I thought she wouldn't be able to rise from the dead. That's how she felt: dead inside. The loneliness cut her brain like a lightning and spread it around places she always tried to keep a safe distance from. Now all of it was broken, all of it saw the truth. But what an ineffable truth it was. It was the kind of truth that makes you wiser, grander than the other brutes around you, but at the end who's happier? The truth can kill you, the truth seeks the truth in itself.
She still wasn't able to find herself, although she knew it was the right time to do it. If ever, now was the time. The clock is ticking.
She always knew...well, not always, but once she became aware of certain things I don't dare explain, she knew something was going to happen without any kind of warning sign. As the days go by she tries to flee from those kind of thoughts. They don't do you any good, they just make you bitter. Lonely. Oh how lonely she felt sometimes. Sharing this with someone wasn't an option, she had to keep it all to herself what only made it worse, harder to bare with.
Despite it all, she got up. Enough daydreaming, enough thinking, enough of killing herself and the ones around her. Altough they didn't know it she was killing them too. Slowly they would stop breathing the same air as her. And no, she couldn't afford to lose more lives. So she headed North, she wanted to feel the cold warmth of goosebumps on her body, she wanted to touch the snow, she wanted everything around her to be as cold as she was. Yes, that was it: coldness could heal her.

quinta-feira, abril 09, 2009

Agora

Hoje estou fora do meu corpo. Vou pairando por aí ao acaso.
Hoje aprendi a fugir. Basta-me ficar quieta.
Hoje vou fingir que não vou voltar.

sexta-feira, março 27, 2009

Fight

Show me what else is there.

quinta-feira, março 19, 2009

70 minutos


Espera mais deprimente. Nada conheço como antigamente. Queria tanto voltar a percepcionar as coisas como uma criança. Era tudo tão mais simples. Era tudo novo, natural. Pequenas coisas eram sinónimo de entusiasmo. Entusiasmo que, hoje em dia, poucas vezes sinto. Hoje é tudo complicado, é tudo ridículo, é tudo tão questionável. Não tenho medo. Ando apenas apreensiva. Parece que só encontro paz em determinados momentos quase imperceptíveis.
Isolei-me demais de tudo e todos. E porquê? Em parte sei a razão, mas teve várias causas. Foram-se empilhando lentamente e deixaram-me onde hoje estou. Queria mudar. Queria voltar a ter parte da vida que tinha antes para pelo menos ter a certeza que não perdi tudo o que me definia. Como fazer? Até sei o que provavelmente ajudava, mas implicava sacrificar demais à custa de uma simples descoberta. O que é verdadeiramente importante afinal? Estarei a pensar demais outra vez?
Há muito tempo que não tinha necessidade de escrever. Quando tenho, é porque algo cá dentro me atormenta. Gostava de estar em paz.
Aqui jaz Joana. Filha, irmã, prima, sobrinha, neta, namorada, amiga. Demasiadamente crítica, extremamente sensível, ingénua, sempre procurou a utopia.
As coisas que as pessoas escondem por detrás de um sorriso... É pena ninguém ver por detrás dos meus. Ou não. Se a tempestade onde eu viajo fosse vista por alguém, provavelmente seria internada. Será um extremo? Talvez. Vou escrever um livro. Todos escrevem hoje em dia. Pode ser que seja reconhecida depois de morta. Pode ser que nessa altura já me consigam decifrar. Gostava de me ver decifrada. No fundo todos precisam de ser decifrados. Ninguém é aquilo que aparenta ser. Até que ponto somos capazes de realmente conhecer um pessoa? Conhecemos hábitos, expressões, manias, olhares, corpos, mas e o cérebro? A mente negra de cada um!? Nunca vamos saber...
Tantas pessoas olham para mim diariamente. O que será que vêem? o que verão para além da aparência física? Uma míuda insegura? Confiante? Forte? Frágil? Arrogante? Simpática? Já ouvi dizer muitas coisas. Mais vale nem pensar. Apesar de não me atormentarem, os pensamentos dos outros deixam-me curiosa.
É tão estranho o que se faz para agradar alguém em especial. Qual é a razão de se criarem laços com alguém, quando a qualquer momento os laços podem ser quebrados da noite para o dia, deixando mágoa e rancor. Qual é o sentido disto se ninguém ama ninguém? Todos querem a perfeição, apesar de ela ser enfadonha. É sonhado ter a perfeição por um dia. O complicado atrai-nos. O diferente repugna-nos. Odeio isto tudo. Odeio pessoas.
Passaram 30 minutos. Restam-me 40. Estou a desfazer-me. 30 minutos nisto? Como é que é possível Joana? As pessoas olham-me de lado. Apetece-me dar um murro a cada uma delas. E se ficassem todos cegos? Não me viam, sentiam só. Era melhor, era mais giro, coitados. Invasão de pensamentos macabros. É melhor parar.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Queria a perfeição.
Esperei ansiosamente, imaginando como tudo poderia acontecer.
Uma falha já tinha sido reconhecida, mas insignificante.
O resto foi como uma torre perdendo bloco por bloco.
Deitei-me sozinha, nunca tive tanto frio.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Serendipity

- the faculty of making fortunate discoveries by accident

domingo, fevereiro 01, 2009

Silêncio

Todos querem atenção, todos querem ser ouvidos.
Quantas palavras dizes tu em vão?
Eu? Muitas... Demasiadas.
Não preciso que me oiçam, preciso que me entendam. Se existir apenas uma gota de compreensão eu fico satisfeita.
Baboseiras? Digo muitas. Só uma frase no meio delas terá significado e se a captares, nem que seja de vez em quando, conheces-me como muito poucos conhecem.
Epifania?

domingo, janeiro 25, 2009

Ofiurídeo

Encontrei-te na areia.
Partida, incompleta, morte certa.
Pensei guardar-te.
Agarrei-te durante algum tempo.
Observei como te tentavas movimentar na minha mão, quase caías.
Não fui capaz.
Entrei no mar, nadei o mais longe que pude e despedi-me de ti.
Salvei uma estrela do mar.
Todos se riram.
Eu sorri.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Espaço

Sim.
Eu sei.
Querias que te chamasse.
Eu chamei. Tu é que não ouviste.
Não ouviste ou não quiseste ouvir.
Já sabes que eu não grito.

Cansei.

É difícil pensar-me sozinha.
Quero que me encontres nos recantos que só eu conheço.
Deixo espaço para tu os conheceres.

Tu nem sequer procuras.
Pergunto-me se valerá a pena continuar.
Será que existem outros caminhos?
É tão difícil deixar tudo para trás.
A esperança não escasseia.
Talvez um dia me encontres, talvez um dia tentes.

Eu espero.