sexta-feira, setembro 26, 2025
quinta-feira, maio 08, 2025
quarta-feira, maio 07, 2025
Fugir ao olhar
Não sei quando aconteceu.
Não sei se foi ontem ou há mais tempo.
Um dia ouvi que não desviava o olhar.
Hoje falo e fixo os olhos nos lados.
Desboto os lados como que para aumentar dioptrias.
Fujo dos olhos, do que me está a ser dito,
interrompo frases e falo por cima.
Um dia ouvi que não desviava o olhar,
que fixava os olhos,
que não receava a verdade que me era dita.
Um dia tinha uma confiança diferente, menor,
reduzida, limitada talvez.
Hoje noto isto.
Paro.
Penso.
Analiso momentos.
Hoje quem sou eu?
Não quero ser a pessoa que foge aos olhares,
que se esconde em desfoques oculares propositados.
Procuro resposta.
Deixo de escrever.
Procuro quem sou agora.
Reflito sobre isto e imagens invadem-me a cabeça.
Imagens finais de alguém que durante vários dias perdeu a capacidade de focar o olhar em mim.
Sei que ela queria, mas já não conseguia.
Agora ando eu aqui a desfocar olhares.
Talvez para chegar mais perto daquilo que sentiste,
talvez para te desculpar,
talvez para confirmar que tudo foi involuntário.
Tu querias olhar para mim, mas já não conseguias focar.
Eu procurei, procurei e procurei.
Para ti cantei.
E quando te vi mudar de cor, vi também os teus olhos fecharem.
Nunca mais souberam focar.
Talvez agora te procure nos desfoques involuntários,
talvez estejas por lá à minha espera,
com outro foco, noutra parte da existência.
Talvez lá te seja possível focar outra vez
e vejas o tudo que de ti em mim trago e a falta abismal que me fazes.
sexta-feira, setembro 20, 2024
Espaços temporais
Escreve até não poderes mais.
sexta-feira, fevereiro 16, 2024
Listas telefónicas
Nunca tive (ou tive e não me lembro) uma lista telefónica que não fosse digital. A minha mãe tinha uma (ou teve várias). Eu lembro-me da pequena lista telefónica verde com um desenho de um morango.
É preciso ligar a alguém, vamos buscar a lista telefónica. Nela encontramos todos os números importantes e também todos os números que se tornaram obsoletos. Vamos comprar uma lista telefónica nova? Transferir os números de telefone de uma para a outra era uma tarefa morosa, provavelmente cheia de pequenos enganos e, por sua vez, de contactos perdidos para sempre.
Hoje, nas listas automaticamente sincronizadas por contas e merdas, os números ficam gravados para sempre a não ser que os vamos intencionalmente apagar. O que terá mais impacto: renovar uma lista telefónica analógica e intencionalmente não copiar determinados contactos (e deitar fora a lista antiga perdendo assim qualquer chance de obter o número de telefone de volta) ou ir apagar digital e intencionalmente os contactos de pessoas cujo potencial presença deixou de fazer sentido nas nossas vidas? O que terá mais impacto no nosso interior? Tanto de uma forma como de outra, sabemos que existe sempre alguma forma de se obter novamente um número, mas estou a romantizar, sim. Qual a novidade aí?
Apaguei muitos números que deixaram de fazer sentido guardar. Largo números, largo pessoas e largo impulsos futuros que se possam materializar em momentos cringe derivados de fragilidades emocionais. Bem sabemos que a vida é feita de momentos em que nos deixamos levar pelas emoções. Nada de errado com isso, mas a verdade é que pouco se ganha com determinados impulsos.
Largo contactos. Rasgo uma página. Risco o nome e o número com muita força com uma caneta até que deixe de ser visível. Sim, romanticamente, antigamente é que era bom. Tudo tão recheado de simbolismo. Hoje, toca-se duas ou três vezes no ecrã e o nome da pessoa desaparece. Será tudo mais fácil ou tudo mais complicado? Será tudo mais descartável, substituível, mais banal?
Largo fantasmas. Alguns já com barbas, outros que nem à puberdade chegaram. Largo todos. Romanticamente, só assim o podias fazer. Tu.
terça-feira, fevereiro 13, 2024
domingo, fevereiro 11, 2024
The order that lies in the chaos
quinta-feira, fevereiro 01, 2024
Procura-me nas reticências
sinto-te perto.
Amor,
estou de braços abertos.
Amor,
segunda-feira, janeiro 29, 2024
Apocalipse
sábado, janeiro 06, 2024
Se a chuva molhar a roupa que está a secar
quinta-feira, dezembro 28, 2023
domingo, novembro 19, 2023
quarta-feira, novembro 15, 2023
Como os gatos
Quanto mais tempo passa
e o abismo entre nós já nem de ponte se atravessa,
mais claro se torna que vivemos várias vidas.
Talvez sejam sete.
Como os gatos.
sexta-feira, novembro 03, 2023
Não são só os elefantes que fazem viagens
quarta-feira, novembro 01, 2023
Habitua-te ao acaso
terça-feira, outubro 31, 2023
Feeling big, small, scared, at ease
All of our stories in her story. E a noção cada vez mais presente de que isto tudo passa demasiado rápido.