quarta-feira, setembro 15, 2021

Unhas vermelhas.

Ela pintou as unhas de vermelho

e ao pousar a mão no papel

viu o futuro.

sábado, setembro 04, 2021

E se voltasses a escrever?

Sem ser no papel?

Aqui outra vez?

Talvez seja boa ideia. Está-me a apetecer. Agora. 

Agora. Amanhã não sei. Amanhã poderá vir outra vontade. Amanhã poderei querer voltar a pintar. Quem sabe?

Eu não. Eu não sei nada. Eu sei que gosto de estar aqui, gosto de olhar para as árvores cheias de folhas verdes, gosto quando não há carros a passar, gosto dos filmes que se desenrolam na minha cabeça. 

Divaga. Sempre o fiz bem. Arte? Sim. É arte, sim. Para mim. 

Para ti? Para ti nada. Só para mim. As árvores, os carros que não passam, os filmes... Tudo isso é meu.

quarta-feira, julho 07, 2021

Férias

O sabor a férias mudou com o tempo,
não para melhor,
não para pior.
O sabor a férias mudou. 

O cheiro a férias de Verão ficou diferente. 
Antes, cheirava a novidades,
a possibilidade, a aventuras. 
Agora, cheira a saudade. 

Antes não sabia que pouco permanece. 

terça-feira, março 02, 2021

Carta perdida 5

Vai à janela.

Voltaste?

Sim. Para te ver.

Podes ficar sempre?

Se me deixares. 

Ajudas-me?

Abre os olhos.

Vou abrir a porta. Entra.


(e nunca mais atirou pedrinhas à janela)

segunda-feira, março 01, 2021

Carta perdida 4

Perspectivas. 

Será a consequência de uma ação, maior 
que a consequência de uma não ação?

Claro que sim. 
Eu é que ainda não sabia. 

E agora? 
Agora agimos honrando a epifania. 

Porque... Porque não?

sábado, fevereiro 27, 2021

Carta perdida 3

 Ele uma vez disse: 
"Todas as cartas de amor são 
Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas."

E eu nunca esqueci
que todas as cartas de amor,

se verdadeiras,

têm de ser ridículas. 

sexta-feira, fevereiro 19, 2021

Carta perdida 2

Gostava de te contar que comecei a pintar.
Sim, para fugir um pouco dos ecrãs. 

Hoje pintei medusas enquanto pensava em ti.
Não te transformei em pedra, mas ergui uma muralha.
Entre ti. Entre mim. 

Entre nós, nunca. 

segunda-feira, fevereiro 15, 2021

Carta perdida 1

Ouvi dizer que mudaste de cidade. 
Não estás longe, mas já não estás à distância de um passeio. 

Dei-te tudo de mim.
Deste tudo de ti.
No entanto só te conheço a voz. 

Por fim aprendi.
A vida é hoje. 

E agora, onde estás?

terça-feira, junho 09, 2020

A carta que nunca te vou escrever

Tu foste-te entranhando em mim aos poucos.

As trocas de olhares começaram numa qualquer noite no Lux. Eu dançava e dançava. Sabia que te querias aproximar. Aproximava-me eu. Pouco. Muito pouco.

Faísca. Medo.

Uma noite ou outra levou-nos a que me levasses a casa. Falámos muitas horas, não foi? Tantas horas dentro de um carro. A falar.

Faísca.

O lanche para te ajudar a traduzir partes da inscrição para o mestrado em D. Que nervosos estávamos quando saí do trabalho e te vi ao fundo ao pé do carro. Esse foi o nosso primeiro date sem querer, ou melhor, querendo, mas sem o mencionar. Lembro-me que no final me querias dar boleia para casa, mas eu disse que não e… Afastámo-nos um do outro deixando um enorme espaço em branco para um beijo.

Faísca.

Muitas mensagens. Muitas trocas de músicas.

Faísca.

A caminho do trabalho a ouvir Kendrick e sentir um sorriso rasgar-me a cara, porque estava a pensar em ti.

Faísca (que saudades).

Quando saímos do Bliss e nos deitámos no meio do nada em cima de umas pedras brancas. Nem eu, nem tu, tivemos coragem para fazer o que queríamos.

Faísca (tanto tempo a passar).

Eu vou ouvindo os teus planos, tu vais ouvindo os meus. Vais e voltas. Falamos e não falamos. 

Faísca.

Acho que estava a sentir algo really, really real e isso influenciou todas as minhas atitudes pouco saudáveis.

Faísca (isto pode ser especial?).

No dia e na noite em que trouxeste a garrafa de vinho branco. Em que me tentaste mostrar True Detective e eu não me conseguia concentrar. Fase de crises de ansiedade. Fase de medo de mim mesma. De tudo o que estava a acontecer na minha vida ao mesmo tempo. Tudo o que se estava a passar fez com que te deixasse passar também. Não te vi e não deixei que tu me visses. Senti-me muito insegura nessa noite em que quase te expulsei de minha casa. Estava a lidar com crises de ansiedade diárias. Com o final do curso. Com a despedida da Z. Deixei que te perdesses no meio de tudo isso e não te deixei entrar o suficiente para me ajudares. Acho que devo ter tido medo de te aborrecer. Sempre tive medo de me mostrar frágil. Digo-te hoje, nunca me senti tão frágil ou perdida de mim mesma como nessa altura.

Nevertheless, faísca. First kiss.

Dois miúdos que não souberam ver? Eu deixei escapar tudo. Para variar, pensei demasiado. Não me deixei levar. Tu também não, sejamos verdadeiros.

Naquela noite em que ambos dissemos: “finalmente” podia ter sido a primeira de muitas noites. Racionalizei outra vez. Tu, em poucas horas, também quiseste definir o que se estava a passar entre nós e isso matou-me um bocadinho. Foram muitas processos cerebrais errados. Acho que devíamos ter pensado menos, sabes? Acho que teria sido giro. Talvez ainda estivesse a ser. 

Sabes o que me fez reviver a história? Ver a tua gravação para a o vídeo do T. Eras tu ali a falar. O teu jeito tímido. O teu olhar. Aqueles 30 segundos estavas a falar para mim. Apeteceu-me ter-te ali ao vivo à minha frente, sentado no sofá, como antes, e ver-te sorrir enquanto eu te contava mais uma das minhas histórias. Contei-te tantas histórias minhas... 

Senti a faísca outra vez. Fizeste-me sorrir. Gosto da tua cara, da tua calma e da tua confiança disfarçada.

E como nunca te vou escrever esta carta, não será tarde dizer-te que sempre gostei de ti.

terça-feira, novembro 05, 2019

Redirecionar

Redirecionar. A ideia que me veio agora à cabeça. Redirecionar.
Talvez faça sentido também escrever nestas alturas. Talvez também seja algo bom. Fingir que não estou minimamente atenta ao que se passa à minha volta. Estou. Sim, sei quem entra na sala, quem sai, onde se sentam. Não quero mostrar que estou atenta. Mantenho o meu olhar focado no ecrã. Ponho o cabelo atrás da orelha para verem que estou a usar phones. Bloqueio completo. Tentativa disso. Agora não dá. Agora não consigo, não quero falar com ninguém.
Nunca me tinha acontecido quase perder o controlo. Não neste contexto. Não aqui. Não perdi o controlo total, há algo positivo a reter disto, mas gostava de perceber que alavanca puxei. Quase chorar de raiva... Como assim? Quem és tu?

Vá, vamos voltar à realidade. Vamos sentir-nos normais. Vamos processar esta merda de turbilhão de emoções. Afinal, há uma hora estavas precisamente a falar disso, da regulação de emoções. Parece que me estão a testar todos os dias. As pessoas erradas! Como assim não percebeste o que te disse três vezes de seguida??? Quem és tu sequer para dizer como eu devo ou não proceder? Como assim?


Back to reality in 10.


sexta-feira, novembro 01, 2019

Perdida no tempo

2010 - 2014
- Sumo de limão
-  O meu irmão vai viver para Madrid. Gosto tanto de ser irmã dele.
- Take the mask off when you speak to me
- Ganhaste. Estou mais triste que tu.
- Das ist eine Blume für Fredo. Quero uma igual.
- Queria ir saír. Queria ir dançar.
- Corto o cabelo? Bem curto?
- Adoro o teu anel. É meu. É perfeito.
- Blue Valentine.
- Diogo, primeira visita.
- Zni, please be OK.
- Please send me a sign. As insignificant as it may be, just asking for a little sign. 
- Estou tão triste que nem me apetece chorar. 
- Quero fazer uma viagem contigo. Quero desesperadamente fazer uma viagem contigo. 
- Se pudesse pegava em todos os cães abandonados e tomava conta deles. 
- Parabéns Zni. 6 Anos. Obrigado por seres a minha amiga sempre. Vou falar contigo agora. 
- Zni, não estejas a ficar velhinha. 
- Acho que me apaixonava por ela. 
- Nova fonta de inspiração. Que bom enccontrar-te.
- Vou deixar de fumar. É muito caro.
- Belém. Rio. 
- Roma.
- Qual o peso das palavras?
- Piri day. Little Lulu day.
- Vamos resumir os anos todos numa noite louca? Noite e dia para ser mais giro, para ser mais intenso, para ser também mais sincero porque assim é mais fácil. 
- So I start a revolution from my bed.
- Like a heightened sense of things.
- Estou no limite dos limites. O meu coração está farto das acelerações, a minha cabeça já não funciona bem. 
- Lua - gosto dela cheia.
- " Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam"
- Já tive mais certezas do que agora. Agora estou a voltar ao que era. 
- Mafalda. O mundo dela. 
- Losing myself in a song.
- Será assim tão perfeito como parece? Não estarei a criar ilusões na minha cabeça?
- Gosto de encontros inesperados. Principalmente o de ontem.
- You don't feel like you did but you don't know it yet.
- Se eu pudesse ter visto o futuro. Olha. Era. Sem.
- Quero ter um mealheiro cheio de moedas e notas e cartas de amor. 
- Odeio chorar de raiva. 
- I love you more than songs can sing but I can't keep running after yesterday. 
- Vais voltar a andar. Against all odds. 
- Pequenas reações alimentam-nos todos os dias. Do tamanho de formigas entranham-se em nós e fazer com que cada dia seja possível viver. Muito devagarinho. Um passo de cada vez. Às vezes não é o suficiente e sinto-me a caír, sinto o chão a abrir-se por baixo de mim e não dá para que me agarrem. 
- Sbrighstest Spolvos.
- .......................



terça-feira, junho 05, 2018

Para sempre minha Flor

Adormeceste para sempre. Quantas horas estiveste tu com a cabeça no meu colo? Quanto tempo esperámos ao teu lado? O tempo deixou de existir durante uns dias. Não tinha significado real. No dia em que adormeceste foi o dia em que contei todos os segundos dentro dos minutos. O tempo não parava, mas também não estava a passar. Relatividade nova.
A tua flor está a começar  a abrir. Já fazes parte de algo vivo outra vez, para além do que para sempre teu permanecerá vivo em mim.
Lembro-me de ti todos os dias. Há dias mais tristes que outros. Consolo-me com a certeza de que me pediste paz e eu deixei-te ir... Descansar.
Obrigada por todo o amor que me deste, por tudo o que me ensinaste, por tudo o que em mim transformaste.

Para sempre minha Zni, para sempre. 

sábado, outubro 01, 2016

A lu ci na ção

Alucinação. 

É assim que crescemos agora.

Sonhei com os teus olhos. Estavam verdes, castanhos e azuis. Não, não havia vinho pelo meio. Todas as cores daquele sonho estavam a ser transmitidas por um cérebro sem nuvens. Até fui pôr os óculos enquanto dormia. Queria ver melhor o que os meus olhos fingiam olhar. Abri o armário e lá estavam eles, os olhos verdes. Olhavam para mim com ternura, com amor, com saudade, com vontade de me ficarem a olhar para sempre. Desviei o olhar ao sentir o sabor a sal nos lábios. Vou ter um filho com olhos verdes. Sabem vocês todos que terá olhos verdes, dê por onde der. Desafiando biologias e genéticas estandardizadas. 

Liguei a água do duche. Os olhos castanhos pairaram à minha frente. Olhei para eles e suspirei. Eles traziam consigo um pedido de desculpas, um nó de arrependimento, um vazio que só poderia ser preenchido se o tempo voltasse atrás. Encolhi os ombros e que o passado não volta, que as decisões foram tomadas. Disse-lhes que sempre tive pena, tanta pena. Anos de desencontros acabam por cansar e os que vivi com aqueles olhos... Foram demasiados. Nunca mais os vi, nunca mais me tinha lembrado deles. Desliguei a água. Evaporaram à mesma velocidade em que os espelho se desembaciou. 

Abri a porta de casa e entrei no elevador. Depois de carregar no botão olhei para o espelho e vi os olhos azuis. Inocentes, infantis. Idolatração, paixão, brincadeira. O que faltou para me conseguirem olhar sem medos? Perguntei ao olhos o que lhes tinha acontecido. Se estavam bem, se precisavam de falar comigo, se queriam voltar atrás. Silêncio. Olharam para baixo e antes que saísse do elevador, foram eles que desapareceram. Não me consegui mexer mais. Fiquei naquele elevador. As portas abriram-se vinte vezes antes que conseguisse sair. Os olhos não voltaram. 

Alucinação. 

quinta-feira, agosto 11, 2016

Change your heart, look around you

Some time. Everybody's gotta learn. That's what that song whispered. You heard it before so many times, but only now, only now you really understood, or only now, it really made sense inside of your heart. Stop chasing the wrong things... Start looking at the other side of the curtain. It has been said that the other side beholds what you blindly ignore in your every day life.
Late thoughts lost in amidst of red, red wine are usually the truthful ones. If not the truthful ones, then the ones with a little bit of truth biting your insides.
In life, CTRL-Z doesn't work. What's done is done. Run away. Correct it. Live with it. Whatever path you choose, it's done baby.
Will risk something now. The time is now. Until the morning

quarta-feira, julho 20, 2016

L.O.V.E

O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Estremecer.
Contorcer.
Envolver.
Respirar.

Um uivo quase desesperado no teu ouvido. Chamei, chamei, chamei. Só passado muito tempo é que ouviste e aí já eu estava no fundo da toca. Se tinhas medo antes, agora então sabias que a tua maneira de ver o mundo iria mudar. Eu trazia a loucura nos olhos e tu cedeste ao poder hipnótico. Rasgaste-me o vestido vermelho. Eu comandei-te.
O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Estremecer.
Contorcer.
Envolver.

Abro e fecho os olhos. Tento entender a realidade... Estou confusa. Acabei por te ir buscar para me matares a sede. Mata. Matas tão bem. Os teus olhos mudam de cor a cada beijo que te dou. O teu peito transforma-se em tela onde pinto o significado de desejo.
O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Estremecer.
Contorcer.

Tranquilo. Agressiva. Lento. Provocadora. Sereno. Desesperados!
O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Estremecer.

Podíamos ter ficado semanas ali deitados. Ficámos tanto quanto pudemos. Tu. Eu. Eu. Tu. Descobriste como o meu corpo funciona. Eu descobri como te tocar. Promete-me que nunca vamos deixar ninguém meter-se entre nós. Prometo. És tu.
O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.

Lutar.

terça-feira, julho 12, 2016

Ideias

Acho que vou para a praia. Queria uma deserta, mas não sei onde arranjar uma dessas nesta altura do ano. Posso sempre fazer da praia, deserta... Entrar no mar, nadar um bocadinho e olhar só para o horizonte. Deixar de sentir o peso do corpo. Sentir que aquele momento pode durar para sempre. Eu, o azul, o flutuar do corpo, da cabeça, de tudo o que me parecia importante e ali se esvai. Ali sai de mim. Ficar limpa da todas as ideias. Comecei a gostar mais da praia no dia em que me apercebi deste poder. As fotografias saem da minha cabeça, deitam-se no mar e vão-se embora ao sabor das ondas... Claro que voltam, o mar não tem poderes mágicos, mas voltam reformuladas.

segunda-feira, julho 11, 2016

Numa gaveta

Vi um filme. Vi dois. Vi três.
O terceiro foi sem querer. Foi um daqueles filmes que me sentei a ver, porque sim. Filmes que não vemos. Filmes que só vemos quando o cérebro já não consegue comer mais nada a não ser entretenimento fácil e fácil...
O momento crítico foi a parte em que me virei para o meu imaginário, falei na língua que não me lembrava mais saber e perguntei "e agora como é que ele se vai salvar se são todos maus?!!". Perguntei-te a ti, baby. Perguntei a nós. Perguntei à nossa relação. Vi-nos ali deitados no sofá (eu a 15 minutos de adormecer, tu felicíssimo por eu ter cedido a ver aquele filme). "Vais adormecer de qualquer maneira, vá lá". Tive tantas saudades disso. Tantas saudades desses momentos, outrora constantes e garantidos. Agora em pausa até aparecer alguém que encontre o mesmo significado no simples facto de estarmos ao lado um do outro. Queria dizer-te, queria gritar ao mundo que senti saudades tuas, saudades nossas. Tantas saudades daquilo que éramos juntos. Tu e eu. Eu e tu dentro do nosso pequeno mundo. Um mundo cheio de coisas boas, um mundo cheio de gargalhadas, palmadas e beijinhos. Um mundo em que fui tão feliz só por saber que naquela noite ia poder adormecer no teu peito e que no final do filme tu me ias arrastar para a cama, deitar-me (eu é que acabava por te deitar, apesar de todos os protestos). Aquele abraço antes de adormecer, aquele momento de infinita cumplicidade, aquele momento em que encostávamos a cara um no outro e assim permanecíamos até ao dia seguinte. 
Admito. Andei cheia de saudades tuas nos últimos dias. Saudades tuas talvez não seja a denominação certa da coisa. Nostalgia talvez torne a situação menos assustadora para mim. No entanto, seja qual for a descrição mais ou menos adequada, o que permanece é que senti e o que senti foi um vontade louca de te agarrar. 
Sim, isto é tudo normalíssimo. Q.b. Tudo normalíssimo q.b...
Amanhã já passou, depois de amanhã passou mais. Já aconteceu uma vez e foi porque... Porque estava sensível. Acho que voltei a estar sensível... 
Sai, sai. Fui às gavetas pegar nestas brincadeiras. Encontrei pedaços de qualquer coisa que na verdade já é nada.  

sexta-feira, junho 03, 2016

Braços Pintados

1.54.
Aterrador. 
Ligaste isto na esperança de teres algo a dizer, na esperança de fazeres a vontade de dormir chegar. Ligaste isto porque tens tanto a dizer, mas tens de ficar calada. Tens de te manter à tona e, para isso, há que silenciar os pensamentos que têm vontade de ser formulados pela tua voz. 
20 dias e estás livre para viver com mais tranquilidade. 20 dias. Não é nada comparado com todo o tempo que passou desde que aqui deixaste o teu último testemunho. Só tens de manter-te com a cabeça fora da água da maré que teima em subir nas alturas menos propícias. 
Suspiro. Suspiro. Suspiro.
Tinta verde no braço direito e uma mistura de cores azuis e vermelhas no esquerdo. Se não fosse isso, provavelmente já tinhas naufragado. A tinta, os abraços, a sensação de que a tua presença faz a diferença a tantas pessoas aquece-te o corpo. Tudo faz sentido. Todo este esforço há-de ser recompensado. 
Pela tinta verde e por todas as outras cores, sabes que não podes deixar que a mistura se torne negra. Lava a caixa de tintas. Limpa cada aguarela até que volte a ter a sua cor normal. Não é difícil, só é preciso tempo.
Tens medo de não ter tempo. 
Tens tempo. Sabes disso. 

sábado, março 19, 2016

Cometa

Os papeis colados na janela estão a perder o seu aspecto normal por causa da humidade. Estranhamente só aconteceu este ano. Há uns papeis que estão ali pendurados há tanto tempo e nunca mudaram de cor... Este foi o ano. 
Estou a falar de papeis, mas o que me trouxe aqui hoje, não foi o papel húmido. Não foi a vontade de registar de forma mais permanente o que neles fui escrevendo. O que me trouxe aqui foi a história que me contaram. 
Por causa dessa história voltei a ver-te. 

Diz-se que antes de morrermos, vemos a nossa vida toda passar-nos à frente dos olhos. Nos filmes esse momento é retratado como uma rápida passagem de imagens com aquilo que é considerado mais importante para a personagem prestes a perder a vida. Gosto de acreditar que é isso que acontece antes de morrermos. Em vez de sentirmos medo, dizemos adeus ao mundo revivendo aquilo que melhor nos fez ao longo da vida. Assim sim, iremos (provavelmente) em paz. 
Acredito que haja outros momentos em que temos o privilégio de assistir a uma montagem cinematográfica de pequenas partes da nossa vida feita por nós e só para nós. Porque é que o nosso cérebro nos sujeita a tal? Por muito que ir buscar memórias recônditas de um tempo diferente do presente possa ser bom e nos estampe sorrisos na cara, pode também trazer a saudade. A saudade desses tempos que já lá foram e não, não há nada que possamos fazer para voltarem. Já foi vivido, está despachado. A sensação de saudade tanto pode ser desesperadamente boa, como desesperadamente inútil, irreal e guiada por picos de sensibilidade XXL. 
Seja por que razão for, venha por onde vier, é nostalgia e não lhe vou chamar outra coisa mesmo que tenha a sensação de me estar a deixar levar por um momento de total fraqueza.

Hoje fiz um filme contigo. Apareceram-me imagens na cabeça que já não via há anos. Imagens que já nem sabia ter vivido. Voltaram, vieram, chegaram, entraram. Sabes o que aconteceu? Dei por mim a limpar lágrimas dos olhos. Parecia fazer sentido sentir-me assim, mas por outro lado, não fazia sentido nenhum. Estás tão longe. Está tudo tão longe, tão dito, tão ultrapassado. Quase que te liguei. Pelos velhos tempos, quase  que peguei no telefone. O que te diria? Não faço a mais pequena ideia. Só sei que naquele momento, qualquer coisa faria sentido.

O momento passou. Fui acordada pela realidade. Uma realidade real. Sem fantasmas do passado. A euforia momentânea que invadiu o meu corpo, desenterrou-me do buraco na terra no qual me estava a afundar. Nunca vais saber que o fizeste. Não to vou dizer porque só te deixaria preocupado.

Como um cometa. Esperei. Quase que pedi. Passou por mim e ateou as entranhas que dele sempre de alguma forma se alimentarão. Mas desapareceu agora.

Fraquezas. Teremos todos sempre. Gostava de te ver, não minto. Talvez dizer-te... Que nunca como crianças.

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Invencível? Não.

Não me está a fazer nada bem este diálogo constante com a minha cabeça, mas a verdade é que também não quero preocupar ninguém antes que seja necessário.
Tenho medo.
Tinha de ser... Logo no ano em  que eu deixei de pensar que era invencível.