segunda-feira, fevereiro 27, 2023

Parce que c'était lui. Parce que c'était moi.

Conheceram-se ontem.
Hoje foram viver juntos. 

Ele já não faz o café todos os dias.
Ela prepara duas marmitas para o dia seguinte em vez de uma. 

Os objetos de cada um convivem uns com os outros. Completam-se. Por vezes repetem-se. 

O volume da música está sempre muito alto.   

Ela sente o cheiro a café. Levanta-se. 
Ele estende o braço com uma caneca cheia. Abraçam-se.

Há sempre três mantas à volta do sofá. Ele dobra. Ela embrulha-se em todas ao mesmo tempo. 
Os livros ficam espalhados pela casa. Ela sabe sempre onde está o que ele procura. 

Ela dança enquanto cozinha. 
Ele vê uma sombra a mexer-se. Aproxima-se por trás dela e dá-lhe um beijo no pescoço. 

Os copos de vinho ficam sempre por lavar até ao dia seguinte. 

Ele trabalhou até tarde. Ela já tinha adormecido no sofá da sala. 
Ele sussurrou-lhe boa noite ao ouvido e mostrou o que tinha trazido para jantar. 
Ela olhou para ele e ouvindo a música a tocar baixinho, levou-o para dançar. 

Conheceram-se ontem.
Hoje foram viver juntos.
Parce que c'était lui.  Parce que c'était moi. 

quinta-feira, fevereiro 23, 2023

Linhas tortas

Alice saiu do quarto e foi tomar um banho. 

Alice sentiu a água deslizar pelo seu corpo.

O que é que se com a invasão inoportuna ao nosso cérebro de fotogramas que nos fazem precisar de tomar um banho gelado outra vez?

Alice não sabia. Alice ainda não sabe. 
 
Alice pára. Alice anda. Alice esquece. 
 
Alice, decide. Decido o quê? 

Alice, pára com os extremismos. Deixa isso para a política.

domingo, janeiro 22, 2023

Túlipas amarelas

Pouco tempo em Amesterdão. O suficiente para perceber que tenho voltar a passear por aquelas ruas. O suficiente para perceber que tenho de me sentar a beber um copo de vinho num qualquer barco, num qualquer canal. Estava frio quando estive em Amesterdão. Não muito. O suficiente para eu achar que está muito frio. Não é preciso muito. Já foi preciso mais. Para eu achar que está frio. 

A Night-Blooming toca. A primeira vez que a ouvi estava em Amesterdão. Sempre que a oiço (ouço? - ambas as formas são corretas - ok) transporto-me para o momento em que perguntei o que estava a tocar. Sempre que a oiço apetece-me dançar. E danço. E estou no meio de uma sala cheia de gente. E não vejo ninguém. E mexo-me e salto de um lado para o outro. E o cabelo abana. E os braços vão para a cima e para baixo. E um sorriso forma-se. E quase que me emociono com esta imagem.

Já dancei muitas vezes embalada por esta voz e por esta batida em crescendo. Apetece-me dançar agora. Dançar mais uma volta antes de continuar a escrever. Será que escrevo de forma diferentes se for dançar e depois voltar? Será que volto com outras ideias? Não, não vou testar agora. Está frio e as duas mantas em cima de mim geram um certo impedimento. No entanto, o sorriso não sofre impedimentos e rasga-me a cara. 

Only in darkness does the flower take hold, it blooms at night. Preciso da escuridão, da noite, de me perder, de me enterrar em sensações e ideias tenebrosas. Perco todo o otimismo e a esperança dissipa-se do meu universo. Tudo negro para que aos poucos possa voltar a deixar a luz entrar. A luz volta sempre a entrar. Há sempre uma fissura que chama a claridade e, pouco a pouco, permito-me voltar a ver o mundo através das lentes boas. Através das lentes que devia usar todo o tempo, porque está tudo bem, porque se deixa a vida andar, porque não tem de ser tudo complicado. Será que consigo fazer a escolha sensata da próxima vez que for invadida pelo dark side? Será que consigo controlar isto? Sei lá. A informação está presente, mas também sei que às vezes é preciso irmos dar um passeio ao fundo de nós para voltarmos iluminados. Para sermos mais nós. 

Por agora fico com a música. Com esta e com todas as outras que me embalam e dão mais sentido aos meus dias.

E deixo-me maravilhar com a conclusão que sempre tive uma flor favorita.

sexta-feira, janeiro 20, 2023

É

 Männer denken nicht so viel nach.

segunda-feira, janeiro 16, 2023

Quando a felicidade mete medo

Pensar. Pensar em como vou sair deste estado. Primeiro gostava de perceber o que me fez chegar a este estado. O que foi? Ontem parecia estar tudo bem. Hoje acordo e o mundo está escuro, cinzento, negro. Todas as cores supostamente representativas de algo mau. Entro em mim. Durmo. Acordo. Cansaço. Arrumo. Arrumo porque procuro ordem. Procuro ordem na minha cabeça e não a encontro. Busco então por ela no mundo físico. Tenho a cabeça desordenada porquê? Parecias estar tão bem. Sempre que falas no assunto dás ênfase ao equilíbrio. Estarás tu a mentir a ti própria mais uma vez? Outra vez? A sério... Cresce. 

Vou desistir destas merdas. 

E agora? E agora está tudo na mesma. Vejo o mundo escuro. Hoje está tudo tão escuro. Não me lembro de te ver assim. Sentes que estás fora de controlo. O resto do mundo mantem-se funcional e tu... tu deixaste-te cair. Lembra-te que é hoje. Só hoje. 

Dá-me palavras que confirmem que não foi mais uma ilusão. Deve ter sido. É assim que funciona. Tu estás sozinha aqui e vais sempre estar. É a realidade que todos temos medo de encarar. Podes contar contigo e só contigo. As outras merdas são ilusões momentâneas que alimentam ciclos da vida para que formemos recordações, para que acreditemos que sim, que isto até vale a pena. 

domingo, janeiro 08, 2023

Sensações

Novas.
Inesperadas.
Agradáveis. 

Inconvenientes? 
Inoportunas?
Inadequadas?

Aconchegantes. 
Arrebatadoras.
Alegres.

Sabotagem consciente?

sexta-feira, janeiro 06, 2023

Tintas

É como se ele tivesse pintado um pequeno mundo só para mim. 
Há sempre um céu.
Há sempre caos. 
Há sempre reencontro. 

domingo, dezembro 18, 2022

Ausência de coragem

Ouvir um piano tocar quase sempre me emociona.
É tão mágico que um instrumento consiga expressar tudo aquilo que eu te quero dizer e não consigo. 
Não consigo, porque ainda nem sequer tentei.
Acho que se te chamasse, tu vinhas. 

Acho. 

Não tenho certezas de nada.

Há dias e há noites e há músicas que tocam.
Há ideias que se formam e há conteúdos que não se partilham.
Porquê? Não se partilham porquê?
Se soubesse responder a essa pergunta talvez não estivesse a escrever aqui. 
Já sabes que quando aqui escrevo...

Quando aqui escrevo estou em mim, comigo e não consigo sair. 
Quando aqui escrevo procuro respostas.
Quando aqui escrevo sinto-me a afundar.
Quando aqui escrevo vou ainda mais longe do que devia.
Quando aqui escrevo tento dissecar-me. 

Pára. Dirias. Fala comigo.
Manda-me uma mensagem. Liga-me. Bate-me à porta. 
Não te feches em ti. 

Fecho-me em mim por receio de te intimidar. 
Por receio que te afastes. 
Por receio que me vejas complicada. 

Sou complicada, sou obscura, por vezes incompreensível. 
Formo labirintos na cabeça e procuro saídas. 
Emaranho linhas e fico presa nos nós. 
Sou difícil de perceber, demasiado profunda para ler. 

Fecho-me aqui. Fecho-me assim.
Receio que não gostes de puzzles e que perca o encanto aos teus olhos. 
Vou-me fechar hoje.
Vou-me deitar triste.
Vou ouvir mais pianos a tocar. Deixar que as melodias me levem.
Talvez para me perder. 
Talvez para me desapegar. 

De ti.

domingo, setembro 11, 2022

Em menos de 1 minuto

Pegaste-me no braço e deste um beijo na minha tatuagem.

terça-feira, agosto 16, 2022

Gustav

Mahler plays.

Well, not Mahler, but his symphony.

Birds fly by my window and the sky is so beautifully blue.

I sit on the floor. 

This is just too much to be felt on a soft surface. The piano plays harder. I get softer. Within myself lie all of the unanswered questions the world has ever asked. 

Hey, how are you managing so much pain?

The music. The music makes my heart smile through it. It's hurting, yes.. Every step of the way. Not gonna lie. But it's a pain that I have to feel. I need to feel all of this. So I can eventually walk away from it.

No, walking away is not possible. You know too much, baby. And you just love to feel everything so deeply. You need it. You crave it. You're not yourself without it. 

Oh, how I wish I could help you get through it. Clear up all of your thoughts. Scrub away all of the pain they caused. Put a bit of make-up over all of the scars. 

Go. Pour yourself another glass of wine. It's fine. Eitherway, you're a great kisser. 

The symphony keeps playing. You keep on feeling every stroke of the piano deep inside of your skin. You're happy.

It hurts.

After all of this... You will have grown a bit more, get to know yourself a little bit better and maybe, just maybe, it won't hurt as much as before. 

sábado, agosto 13, 2022

Avisa-me quando chegares a casa

Não foi só uma palavra. 

Foram muitas as palavras trocadas.

Palavras trocam-se.

Alguém forma uma ideia sobre ti e sobre mim. 

Uma ideia apenas. 

É difícil dar a conhecer todos os enredos que nos transformaram naquilo que somos.

É difícil explicar os eventos que foram dando forma às nossas ideias, às nossas manias, aos nossos medos.

Apesar de tudo, vamos tentando.

Vamos trocando enredos uns com uns outros.

Vamo-nos identificando com histórias e ideias. 

Vamo-nos aproximando ou afastando de alguém.  

Vamos pedindo para nos avisarem quando chegarem a casa com a esperança que um dia a frase se faça sentir cá dentro e se faça sentir na outra pessoa. 

Já pedi para me avisarem. Já me pediram a mim para avisar. 

Ainda não percebi quando te vou pedir a ti.

sexta-feira, agosto 05, 2022

The dance

The moon hit the sky,
and way before that,
you were already in it. 

You could blame alcohol. 
You won't, darling.

You blame the eyes and the smiles.
The laughs and the spilled glasses. 
The unlocking of hearts.
The shared darkness. 
The unsaid parts.

You blame the silence and the words written on paper.
The cooking and the playlists, the singing and the banter.
The immediate presence that left worries or plans for later. 

You blame the hours turning to past,
you blame the clock you didn't mind spinning.
The stories of designs scratched on the skin 
and the tales that tattoed your hearts from the very beginning. 

You blame the lips, the kisses, the touch.
The desperation voiced in a whisper.
The remarkable absence of decency, 
and the longing for, just one more, round of twister. 

You blame the forced rhymes and even the unforced ones too, 
you try to blame something. 
It seems like the right thing to do. 

But you know what?
You can't blame flow and life is flux. 
Get high on every moment, feel every rush. 
The heartbeats, as you go, will light up the way,
as long as you feel them, know all is okay. 
Watch the moon, little girl, long for the boy watching it too,
you're not weak for that, you're just being you.
The path may be wild, but it's fine, my darling. 
One day, all the answers, in it, you will find.

segunda-feira, agosto 01, 2022

sexta-feira, julho 22, 2022

Chão e Alcatifas

Há 8 anos atrás sentaste-te no chão na casa de Viseu. Recusaste um jantar. Recusaste sair e sentaste-te no chão. Jeff Buckley nos ouvidos. Um caderno e uma caneta no colo. 
A letra da "Lover, you should've come over" escreveu-se no caderno e entranhou-se em ti. Unhas cravadas na tua pele. Abriram um portal para o teu interior e fizeram com que te deitasses no chão. Aquela alcatifa castanha abraçou-te e tu deixaste-te ficar ali durante muitas horas. Não sabes quantas. Não havia mais nada ali. Não havia mais nada no teu mundo. Estavas a ser consumida por um vazio tão grande que não eras capaz de dar o menor dos teus passos em direção a algo que te salvasse. Não sabias como. A dor daquele vazio era tão forte que a sentias entranhar-se em cada centímetro do teu corpo. A tua garganta estava fechada com um nó tão apertado que às vezes até te custava respirar. 

E hoje?

Hoje relembras este momento sem vontade de voltar a vivê-lo, mas com algum carinho, por ter sido o primeiro. Se não te tivesses rendido ao chão todas as vezes que tiveste de te render ao chão, também não terias deixado que o teu corpo passasse pelos processos de purga. Foram vários os pedaços de chão que te abraçaram por diferentes razões, em diferentes momentos da tua vida. Só sentes que uma casa é tua quando passas por esse processo no novo chão. Aí sim, encontras o conforto do espaço e a segurança que, dali, não passas. É só deixar o tempo andar. Eventualmente levantas-te e segues a tua vida, mas tens sempre um chão, um tapete, uma alcatifa onde as lágrimas das tuas lamúrias caem e secam. 

Esta casa?

Esta casa já te viu no chão. Viu-te cair. No dia em que abriste a porta de casa com as lágrimas já a querem sair. Lembro-me como deixaste tudo cair e te deixaste cair com tudo. No chão. Estava frio e tu ali ficaste. De casaco vestido. Botas calçadas. A ver um charco de lágrimas formar-se na madeira. Esse foi o momento em que sentiste esta casa tua. 

Se as paredes desta casa falassem... Descobriste tanto de ti aqui. Até a Alice encontraste enquanto habitavas este espaço. E queres ouvir um segredo? 

You can't always get what you want
but if you try sometime, well, you just might find,
you get what you need!

sábado, julho 16, 2022

Gostava de usar o teu nome nas costas

Vestir a tua camisola antiga, no dia seguinte, de manhã cedo.

Aquela do clube em que jogavas quando eras pequeno. 

Gostava de ir almoçar contigo numa
esplanada ao sol. 
Com vista para o lago, 
com vista para as árvores, 
com vista para ti. 

Como aquela miúda loira usava o nome dele, 
gostava eu de usar o teu nome nas costas.

terça-feira, julho 05, 2022

Deambulando apaixono-me

Pela miúda que me atendeu no Starbucks do aeroporto.

Pelo rapaz no mercado de rua. 

Pelo sorriso da mulher que me disse bom dia ao sair da escola. 

Pelo gajo dentro daquela loja de roupas. Que perfil, que jawline, que olhar. 

Pela simpatia da Ivonne.

Por aquele gajo no parque das montanhas.

Pelo bigode irritante do gajo no comboio. 

Pela cor dos olhos da miúda sentada à minha frente no avião. 

Pela presença presente dos putos e por me terem lembrado que sou uma criança. 

Pelo gajo que vageou sozinho pelo palco.

Pelas coisinhas brancas que voavam por todo o lado.

Pelo pai, o filho e o avô a darem toques na bola. 

Pela forma como o R. disse: "confia em mim".

Pelos arrepios que as mãos fizeram o meu corpo produzir. 

Pelo livro que ninguém me disse para ler. 

Pelos shining eyes para os quais o D. me alertou.

Pelos novos caminhos que descobri querer escrever.

E um dia

vou-me apaixonar por ti. 

sexta-feira, julho 01, 2022

Apaixonada

Apaixonada pela palavra APAIXONADA.

APAIXONADA apaixona-me o cérebro.

O cérebro de um apaixonado sofre de uma moca natural e constante.

É habitado por uma neblina saudável(?).

Apaixonada por ti.

Apaixonado por mim.

Acho que me estou a apaixonar por ti.

Uma apaixonado também se esconde.

Uma apaixonada pode não perceber. 

Apaixona-me essa paixão que tens por gestos mundanos.

Se me apaixonar...

Depois de te conhecer...

Fim da vida como a conheço. 

Apaixona-me.

Apaixono-me devagarinho por ti. 

sábado, junho 25, 2022

Fila do supermercado

Conversas sobre os exames nacionais. Partilham-se ideias, notas, decisões tomadas. Olho para elas, para o cabelo esticado na perfeição, para a mala (provavelmente cara) pendurada no ombro e para as merdas que estão a comprar para comer. Gostava de lhes dizer que há coisas que vão perder importância com o passar do tempo e outras tantas que se vão tornar importantes. Gostava de lhes dizer para largarem as preocupações, que o tempo as vai ajudar a chegar onde devem chegar, não precisam de pensar tanto. 
Não precisam de pensar tanto, nem tão estupidamente. 
Não digo nada. 
Espero a minha vez. 

quinta-feira, junho 23, 2022

Wicked game

Para ela foi tudo. 
A natureza da miúda não permitia que tivesse sido de outra forma.

Para ele foi quase nada.
Um rabisco no caderno de experiências.

Agora que ela o sabe, 
agora que a verdade foi cantada,
ele perdeu-a. 
Perdeu-a sem saber que alguma vez a teve.

As antigas canções de amor falam de uma forma que bate mais cá dentro. 
Porque, como dizia o outro, "antigamente é que era bom".

Ei, saudades tuas, outro. 
Ias sorrir como eu estou a sorrir agora se lesses isto. 
Mágico como as linhas de pensamento mudam.
Mágico para onde esta conversa me levou. 
Só eu sei. 

sábado, junho 11, 2022

Qual é a tua ideia?

Dizeres que vens e que vais.

Qual é a tua ideia?

Mostrares vontade de me vires dares um beijinho?

Qual é a tua ideia?

Passarem os dias e não dares notícias.

Qual é a tua ideia?

Mexeres comigo um bocadinho outra vez.

Qual é a tua ideia?

Não te posso dar nada.

Qual é a tua ideia?

Esta história já foi escrita.

Qual é a tua ideia?

Eu nunca acreditaria.

Qual é a tua ideia?

Nós nunca faríamos sentido.

Qual é a a tua ideia?

Já passou demasiado tempo, sei demasiadas coisas sobre ti.

Qual é a tua ideia?

Por favor, nunca mais roubes nenhuma ideia de mim.