sem demora,
enquanto se tenta fugir a simbolismos,
a orquídea dá flor.
Náusea.
Gosto muito mais em inglês: motion sickness.
Menos enjoativo.
Além disso é o nome da música que me trouxe aqui. Começou a tocar de repente e de repente, não mais que de repente, eu estava em Madrid com a C. De repente, não mais que de repente, chego à conclusão que esse evento foi há 10 anos e sinto-me nauseada. Positivamente nauseada. Nauseada porque de repente, não mais que de repente, todas as sensações, ideias e ingenuidades de uma vida com menos 10 anos de experiências em cima tomaram conta da minha cabeça. De repente, não mais que de repente, eu estava em Madrid a dançar, a cantar, a ser idiota pelo Retiro e a ver o mundo a passear enquanto bebia uma cerveja na varanda do D.
De repente, não mais que de repente, fiquei leve.
Uma história daquelas bem simples. Uma história que, de tão simples, nem valeria a pena contar, não fosse a minha vontade.
Pouco tempo em Amesterdão. O suficiente para perceber que tenho voltar a passear por aquelas ruas. O suficiente para perceber que tenho de me sentar a beber um copo de vinho num qualquer barco, num qualquer canal. Estava frio quando estive em Amesterdão. Não muito. O suficiente para eu achar que está muito frio. Não é preciso muito. Já foi preciso mais. Para eu achar que está frio.
A Night-Blooming toca. A primeira vez que a ouvi estava em Amesterdão. Sempre que a oiço (ouço? - ambas as formas são corretas - ok) transporto-me para o momento em que perguntei o que estava a tocar. Sempre que a oiço apetece-me dançar. E danço. E estou no meio de uma sala cheia de gente. E não vejo ninguém. E mexo-me e salto de um lado para o outro. E o cabelo abana. E os braços vão para a cima e para baixo. E um sorriso forma-se. E quase que me emociono com esta imagem.
Já dancei muitas vezes embalada por esta voz e por esta batida em crescendo. Apetece-me dançar agora. Dançar mais uma volta antes de continuar a escrever. Será que escrevo de forma diferentes se for dançar e depois voltar? Será que volto com outras ideias? Não, não vou testar agora. Está frio e as duas mantas em cima de mim geram um certo impedimento. No entanto, o sorriso não sofre impedimentos e rasga-me a cara.
Only in darkness does the flower take hold, it blooms at night. Preciso da escuridão, da noite, de me perder, de me enterrar em sensações e ideias tenebrosas. Perco todo o otimismo e a esperança dissipa-se do meu universo. Tudo negro para que aos poucos possa voltar a deixar a luz entrar. A luz volta sempre a entrar. Há sempre uma fissura que chama a claridade e, pouco a pouco, permito-me voltar a ver o mundo através das lentes boas. Através das lentes que devia usar todo o tempo, porque está tudo bem, porque se deixa a vida andar, porque não tem de ser tudo complicado. Será que consigo fazer a escolha sensata da próxima vez que for invadida pelo dark side? Será que consigo controlar isto? Sei lá. A informação está presente, mas também sei que às vezes é preciso irmos dar um passeio ao fundo de nós para voltarmos iluminados. Para sermos mais nós.
Por agora fico com a música. Com esta e com todas as outras que me embalam e dão mais sentido aos meus dias.
E deixo-me maravilhar com a conclusão que sempre tive uma flor favorita.
Pensar. Pensar em como vou sair deste estado. Primeiro gostava de perceber o que me fez chegar a este estado. O que foi? Ontem parecia estar tudo bem. Hoje acordo e o mundo está escuro, cinzento, negro. Todas as cores supostamente representativas de algo mau. Entro em mim. Durmo. Acordo. Cansaço. Arrumo. Arrumo porque procuro ordem. Procuro ordem na minha cabeça e não a encontro. Busco então por ela no mundo físico. Tenho a cabeça desordenada porquê? Parecias estar tão bem. Sempre que falas no assunto dás ênfase ao equilíbrio. Estarás tu a mentir a ti própria mais uma vez? Outra vez? A sério... Cresce.
Vou desistir destas merdas.
E agora? E agora está tudo na mesma. Vejo o mundo escuro. Hoje está tudo tão escuro. Não me lembro de te ver assim. Sentes que estás fora de controlo. O resto do mundo mantem-se funcional e tu... tu deixaste-te cair. Lembra-te que é hoje. Só hoje.
Dá-me palavras que confirmem que não foi mais uma ilusão. Deve ter sido. É assim que funciona. Tu estás sozinha aqui e vais sempre estar. É a realidade que todos temos medo de encarar. Podes contar contigo e só contigo. As outras merdas são ilusões momentâneas que alimentam ciclos da vida para que formemos recordações, para que acreditemos que sim, que isto até vale a pena.
Mahler plays.
Well, not Mahler, but his symphony.
Birds fly by my window and the sky is so beautifully blue.
I sit on the floor.
This is just too much to be felt on a soft surface. The piano plays harder. I get softer. Within myself lie all of the unanswered questions the world has ever asked.
Hey, how are you managing so much pain?
The music. The music makes my heart smile through it. It's hurting, yes.. Every step of the way. Not gonna lie. But it's a pain that I have to feel. I need to feel all of this. So I can eventually walk away from it.
No, walking away is not possible. You know too much, baby. And you just love to feel everything so deeply. You need it. You crave it. You're not yourself without it.
Oh, how I wish I could help you get through it. Clear up all of your thoughts. Scrub away all of the pain they caused. Put a bit of make-up over all of the scars.
Go. Pour yourself another glass of wine. It's fine. Eitherway, you're a great kisser.
The symphony keeps playing. You keep on feeling every stroke of the piano deep inside of your skin. You're happy.
It hurts.
After all of this... You will have grown a bit more, get to know yourself a little bit better and maybe, just maybe, it won't hurt as much as before.
Não foi só uma palavra.
Foram muitas as palavras trocadas.
Palavras trocam-se.
Alguém forma uma ideia sobre ti e sobre mim.
Uma ideia apenas.
É difícil dar a conhecer todos os enredos que nos transformaram naquilo que somos.
É difícil explicar os eventos que foram dando forma às nossas ideias, às nossas manias, aos nossos medos.
Apesar de tudo, vamos tentando.
Vamos trocando enredos uns com uns outros.
Vamo-nos identificando com histórias e ideias.
Vamo-nos aproximando ou afastando de alguém.
Vamos pedindo para nos avisarem quando chegarem a casa com a esperança que um dia a frase se faça sentir cá dentro e se faça sentir na outra pessoa.
Já pedi para me avisarem. Já me pediram a mim para avisar.
Ainda não percebi quando te vou pedir a ti.