Por agora chega.
Por agora, deixa-me estar até que eu substitua a vontade de estar sozinha por outra vontade qualquer.
Por agora chega.
Por agora, preciso de encontrar o pedaço de mim que se desfez. O pedaço que se desfez precisamente no dia em que o pensava ter colado.
Por agora chega.
Por agora, espero que a corrente de acontecimentos inesperados já se tenha ancorado algures por aí. Bem longe de mim.
Por agora chega.
Por agora, vou ter as piores conversas comigo mesma. Vou fechar-me dentro do casulo. Enrolar-me em maus pensamentos.
Por agora chega.
Por agora, vou deixar que ela ou que o outro me dêem melodia melancólica. Vou deixar que eles me digam que já se sentiram assim.
Por agora chega.
Por agora, quero fumar um cigarro a olhar para o céu. Ver um avião a passar e imaginar que o rasto de poluição que deixa atrás de si, é também o rasto de tudo o que estou a tentar largar. E que, assim como o rasto do avião, a seu tempo, desaparece. Esvai-se no céu lentamente de uma forma imperceptível ao olhar desatento.
Por agora, deixem-me em paz.
Só eu posso reconstruir este puzzle.
segunda-feira, dezembro 29, 2014
terça-feira, dezembro 23, 2014
Queda Livre
E assim, de um momento para o outro, ela decidiu carregar no botão de saída de emergência. Nos treinos foi ensinada a pensar rápido, reagir de cabeça fria, sem hesitações. Durante aqueles milissegundos de divagação inevitável e autorizada, sentiu os pulmões encherem-se de ar e deixou entrar mais do que a percentagem recomendada de oxigénio no cérebro. Todas as imagens ficaram bem mais claras. As ideias pixelizadas ficaram tão nítidas que parecia que ela as podia agarrar. Era isto que era preciso? Um momento de vida ou de morte para perceber que só se pode/deve agarrar ao que realmente vale a pena?
Carregou no botão...
Agora era esperar pela altura certa para abrir o pára-quedas. Mais uns milissegundos autorizados de divagação. Ela é tão pequena no meio de tudo o que existe no mundo. É pequena, mas sabe que faz a diferença no mundo de uma ou de outra pessoa. E, só por essa razão, vale a pena manter-se por aqui. Sem modéstia. Os pequenos mundos que enche agradecem-lhe e isso basta-lhe. Os mundos que fogem... Esses não merecem mais a sua atenção.
Hora de abrir o pára-quedas.
Aterragem prevista num admirável mundo novo.
Aterragem prevista num admirável mundo novo.
domingo, dezembro 21, 2014
Mensagens em Aviões de Papel
Se não olhasses para mim como quem diz para ficar.
Se não referisses uma, duas, três, dez coisas pelas quais passámos numa única tarde.
Se o toque repentino não fosse embaraçoso.
Se não nos ríssemos perdidamente sem razão aparente, só porque cruzámos olhares.
Se não completássemos as frases um do outro.
Se não tivesses medo de estar sozinho comigo.
Se me dissesses na cara para eu não me aproximar mais.
Se não tivéssemos sido construídos pela cumplicidade.
Se não sentisse que, tanto tu, como eu, procuramos uma desculpa para não cairmos num beijo apaixonado.
Se fosse mais simples.
Se tivesse percebido logo.
Se não tivesse fugido.
Se tu não saltasses tanto.
Se tivéssemos encontrado o equilíbrio.
E por só te querer a ti. A ti que já tive, mas não vi. Não olhei, não reparei. A culpa? Não é tua, não é minha. São ideias corrompidas por cérebros nublados. E agora? Agora... Foi.
Mandei um avião de papel na tua direcção... Entre lutas com o vento e a chuva, nunca chegará a ti.
Mandei um avião de papel na tua direcção... Entre lutas com o vento e a chuva, nunca chegará a ti.
sexta-feira, dezembro 19, 2014
quinta-feira, dezembro 18, 2014
Heart is Skipping Beats
I stopped, acknowledged and started laughing really hard.
Looked at myself in the mirror, while a thought swirled into my mind and my heart skipped another beat.
I uncontrollably lauged like crazy again. Had to pretend to be serious while passing by people in order to avoid questions about my, out of the blue, happiness.
Locked myself in my room and lost count of the beats the heart skipped over and over.
Nothing happened. My mind was in control of the motions and emotions and a simple thought was leaving me jumpy, messing with the blood pumping structure of my body.
I think I know the reason for all of this and it's no good of a reason at all. Still, it's something new, fresh, eye-opening. Whatever happened... Thank you, sweet mind. Now I know you're clear from the old demons and ready to welcome new ones.
quarta-feira, dezembro 17, 2014
sábado, dezembro 13, 2014
Estive a Pensar em Ti
Não vou expor mais manias, intenções, ideias, realidades. Não vou ser indirecta, porque já nem o consigo fazer. Não vou dizer-te que só não vês porque não queres. Não te vou chamar. Não te vou sussurrar vontades ao ouvido. Não vou esperar por ti à porta do prédio. Não te vou sequer fazer rir. Não te vou mostrar a música nova que sei que gostarias. Não vou lembrar quando vesti a tua camisa. Não vou dizer-te para veres aquele filme que eu vi ontem. Não vou mandar mais mensagens com piada. Não vou jantar contigo. Não vou lanchar contigo. Não vou sorrir para ti. Não vou sorrir a pensar em ti. Não vou dizer-te mais que não posso. Não vou lembrar as noites. Não vou lembrar quando não me deixavas sair da cama. Não vou lembrar o dia em que apanhei um escaldão e tu não. Não vou lembrar que cantámos juntos. Não vou lembrar que dançámos juntos. Não vou lembrar o beijo que te dei de repente no pescoço. Não vou lembrar quando disseste que eu estava a derreter. Não vou lembrar os teus abraços de partir costelas. Não vou lembrar os beijos descontrolados enquanto alguém conduzia o carro. Não vou pensar na tua cara enquanto me despias. Não vou lembrar o olhar cúmplice que criámos. Não vou pensar na tua silhueta ao tirares a camisa. Não vou pensar nas tuas mãos. Não vou lembrar quando me deste a mão no restaurante. Não me vou lembrar que punhas sempre a música certa. Não vou lembrar que acendias velas. Não te vou contar mais as minhas histórias. Não vou ouvir mais as tuas histórias. Não vou lembrar como adorava o facto de odiares futebol. Não vou lembrar as gargalhadas constantes e simultâneas. Não vou lembrar as coisas em que acreditas. Não vamos dividir mais maços de tabaco. Não vou mais tropeçar na mesa ao lado do sofá. Não vou mais olhar para ti enquanto dormes. Não vais mais adormecer comigo por perto. Não vais mais pôr a mão na minha perna enquanto conduzes. Não me vou lembrar que és romântico. Não vais mais tentar saber o que se passa comigo. Não me vou lembrar das luzes do teu quarto. Não me vou lembrar quando cozinhaste de toalha. Não vou lembrar que às vezes nem precisávamos de falar.
Não vou lembrar como, de repente, por um pequeno instante, tudo pareceu certo.
Não me vou lembrar que hoje pensei em ti.
Não vou lembrar como, de repente, por um pequeno instante, tudo pareceu certo.
Não me vou lembrar que hoje pensei em ti.
quinta-feira, dezembro 11, 2014
Mais Romance, Por Favor
Ontem vi um casal de miúdos sentado num banco de jardim. Trocavam gargalhadas, risos, beijinhos e carícias. Tudo isto, numa total ignorância do que se passava à sua volta. Aquele momento era deles e só deles. Faziam planos de "tu" e "eu, sem se aperceberem que eram já o pronome pessoal no plural: "nós". Mal eles sabiam que ali se decidia o futuro do mundo. Mal eles sabiam que aquele "nós", lhes iria trazer a maior dor que alguma vez sentiriam; quando o momento se for e forem obrigados a pensar de novo em forma de pronome pessoal no singular.
Para eles, nada disso interessa agora. Não trazem bagagem consigo. São apenas abraçados pela pureza do que lhes está acontecer. Ainda bem que assim é. Ainda bem que, pelo menos uma vez na vida, somos capazes de sentir algo sem deixar que o passado corrompa atitudes, pensamentos e sentimentos. Têm todas as primeiras vezes à sua frente. O primeiro envolvimento, a primeira ida ao cinema, a primeira dança, o primeiro "amo-te", a primeira discussão... Vão passar por todas as primeiras vezes sem dar por elas. O valor desses bocadinhos só será apreciado quando lhes começar a fazer falta. Quando começarem a ser corrompidos pela sua própria cabeça, que sendo humana, cumprirá bem o seu papel de instalar a dúvida, a tentação, a vontade de procurar novas sensações. Nada é para sempre, mas também acredito que nada realmente acaba. Fica sempre algo, podendo esse algo servir para alguma coisa ou para absolutamente nada. Mas nada acaba mesmo.
Invejo os miúdos não corrompidos. Invejo os miúdos que se apaixonam com toda a pureza que só os curtos anos de vida possibilitam. Não digo que não seja possível viver algo puro e verdadeiro, mesmo com 23 quilos de bagagem atrás de nós. A bagagem fica para trás e novas histórias de amor tomam um lugar, talvez até mais intenso que o anterior. É a maneira de encarar, de agir, de questionar que invejo. Penso que, quanto mais nos desiludimos, mais facilmente somos capazes de deixar passar um toque no braço sem lhe dar importância. Toque esse, que era daquela pessoa, da nossa pessoa, da pessoa que estávamos à espera. Mas não a vimos, não a sentimos, porque parámos para pensar. Fugimos, porque: "não, nem pensar, não me quero magoar outra vez, vai ser só mais um falhanço". Andamos então de olhos vendados, mas sempre à procura. Abrimos os olhos e não vemos. Quando damos a mão, caímos. Dá a sensação que andamos sempre à beira do abismo. E cair? Cair outra vez, nem pensar! Dizes tu...
Todos caímos outra vez, está na nossa natureza. Que piada teria se não caíssemos e se não tivéssemos vertigens? Vale a pena. Sei que vou cair, cair e cair mais uma vez. Nas entrelinhas, peço mais um bocadinho de romance.
Sem exageros, sem convenções cavalheirescas. O mínimo de romance fica sempre bem. Lá por ser óbvio o que uma pessoa quer da outra... Que cada abordagem faça lembrar por uma fracção de segundo, os miúdos sentados no banco de jardim. Que cada abordagem demonstre o mínimo de esforço e originalidade para a evitar que nos sintamos como meros objectos em forma de corpo humano. Que arranque uma sensação positiva, nova, explorável.
Só um bocadinho mais de romance. Por favor.
quinta-feira, dezembro 04, 2014
A Maria
A Maria tinha um jeito de mexer no cabelo. Um jeito que me deixava louco.
A Maria tinha um jeito de ajeitar as calças ao andar. Um jeito que me fazia sorrir.
A Maria tinha um jeito de morder o lábio ao dizer algo em tom de brincadeira. Um jeito que me dizia para a beijar.
A Maria gostava de cantar quando sabia que ninguém a estava a ouvir.
A Maria gostava de dançar em frente ao espelho, ao som daquela música que nunca admitiria venerar.
A Maria gostava de sair sozinha e cambalear pelas ruas cheias de gente, observando tudo e todos, sem nunca deixar que a vissem a ela.
A Maria era uma sonhadora.
A Maria era uma criança em corpo de adulto.
A Maria era uma rapariga complicada com desejos simples.
A Maria não gostava de conversas banais.
A Maria não se contentava com pouco.
A Maria não deixava que ninguém a conhecesse.
A Maria foi levada pelo vento e deixou-me de mãos vazias, coração ferido e espírito perdido.
A Maria era assim.
Sorte a tua, se a encontrares.
A Maria tinha um jeito de ajeitar as calças ao andar. Um jeito que me fazia sorrir.
A Maria tinha um jeito de morder o lábio ao dizer algo em tom de brincadeira. Um jeito que me dizia para a beijar.
A Maria gostava de cantar quando sabia que ninguém a estava a ouvir.
A Maria gostava de dançar em frente ao espelho, ao som daquela música que nunca admitiria venerar.
A Maria gostava de sair sozinha e cambalear pelas ruas cheias de gente, observando tudo e todos, sem nunca deixar que a vissem a ela.
A Maria era uma sonhadora.
A Maria era uma criança em corpo de adulto.
A Maria era uma rapariga complicada com desejos simples.
A Maria não gostava de conversas banais.
A Maria não se contentava com pouco.
A Maria não deixava que ninguém a conhecesse.
A Maria foi levada pelo vento e deixou-me de mãos vazias, coração ferido e espírito perdido.
A Maria era assim.
Sorte a tua, se a encontrares.
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