terça-feira, fevereiro 16, 2016

Invencível? Não.

Não me está a fazer nada bem este diálogo constante com a minha cabeça, mas a verdade é que também não quero preocupar ninguém antes que seja necessário.
Tenho medo.
Tinha de ser... Logo no ano em  que eu deixei de pensar que era invencível.

sábado, fevereiro 13, 2016

Nunca foi

Foi uma saída lenta, muito lenta. A verdade é que todas as tuas saídas foram sempre lentas, muito lentas. Eu é que as fiz lentas, eu dou demasiada importância a coisas pequenas.
A verdade é que esta última foi diferente de todas as outras. Estava à espera que entrasses, que ficasses, que me chamasses e me dissesses outra e outra vez aquilo que já antes foi dito. Estava à espera do mesmo de maneira diferente. Estava à espera, porque estava confiante de que havia algo para dizer. 
Enganei-me. Graças a esse engano percebi finalmente o meu lugar na tua vida. Não tenho lugar. Nem vale a pena dizeres o contrário. As palavras existem para as usarmos, mas temos de moderar o que dizemos se não é aquilo que realmente pensamos. Já te ouvi falar muito. Já acreditei em cenários que pintaste. Já ouvi também muitos silêncios. Já deixei de te ouvir por completo. Nunca foi justo. Fui-me alimentando das palavras que me davas quando te era permitido. Os momentos, mágicos na minha cabeça, eram o suficiente para me manteres ancorada a qualquer coisa que eu nunca soube bem explicar. Terás tu tanta falta de senso assim, Joana? Era por seres tu. Era por me mostrares que ainda existe o especial. Era por me leres e tudo se mostrar simples. 
Nunca foi simples. A simplicidade nunca existiu. Era simples se nos tivéssemos deixado levar alguma vez, mas por ironias do destino, por casmurrice, por andarmos de olhos fechados... Fomos sempre achando que não. 
Numa noite achamos que sim, num encontro inesperado achamos que sim, num telefonema achamos que sim - o resto do tempo fingimos que não nos conhecemos. Fingimos que quando comecei a ir em tua direcção no outro dia para me despedir, não me pedias com os olhos para ficar. Fingimos que eu não me encaixei em ti durante os milissegundos (6 ou 7 a mais que o normal) que dura um beijo na cara. Fingimos...
Foi bom fingir contigo. Foi bom o tempo que passei a montar um castelo na minha cabeça. Foi bom encontrar-te no meio de todos e depois de tudo. Os anos vão passar e vamo-nos vendo quando calhar, quando for sem querer. Conheço-te, mas no essencial serás sempre um estranho. Sei que pensas o mesmo de mim. Hoje, sei que saíste para não mais voltar da mesma maneira. Não foi preciso dizermos nada. Não analisámos, não supusemos, não combinámos. Tirei-te daqui, porque já não tenho espaço para ti. E tu... Tu nem te apercebeste.
E eu deixei de achar que sim.   

domingo, novembro 22, 2015

Frágil

Apenas de vez em quando. De vez em quando as minhas defesas ou as minhas capacidades de abstracção descem para níveis inferiores ao que eu quero. Nesses de vez em quandos, parece que as lições todas que aprendi ou as fugas que fiz deixam de fazer sentido. Mesmo que só por uns segundos, nesses momentos penso que com apenas uma palavra tua, atiraria todas as minhas crenças pelos ares e saltava de para-quedas para uma aventura contigo.
Se te afasto e passo dias sem pensar em ti sinto-me livre. Aliás, mais afastado que agora nunca estiveste. Ainda bem que te foste embora. Ainda bem que nos despedimos à chuva. Ainda bem que não nos queríamos despedir. 
Acho que tu és mais uma prova de que eu sinto as coisas em demasia ou que vivo momentos com uma intensidade mais forte do que o considerado "normal". Sempre fui assim. Sempre me perdi por causa disso. O que vale é que os anos realmente servem para algo e agora já sei reconhecer quando me estou a enterrar em sonhos. O caminho da salvação é deixar-me enterrar até que chega o dia em que percebo que já chega. O enterro é tão intenso que não pode durar muito. Consome-me. Consome tudo à minha volta. Dita os meus caminhos, dita as melodias que me rodeiam e dita o que serei a seguir. O a seguir é sempre melhor, mesmo que questionado pela estupidez de ter de passar pelos momentos maus. Vivo-os e depois saio e afasto-me deixando um abismo entre o agora e o que antes existia. É a minha forma de cura. Não, não é fácil. Não tem atalhos. Passa à velocidade que eu conseguir atingir e o que me salva pelo caminho é a certeza de que tudo passa. Leva anos por vezes, mas tudo passa. 

Dias como hoje, ou melhor, momentos como este (porque não vai ser mais que um momento, porque daqui a bocado já me esqueci do peso que senti no peito, porque a verdade é que realmente não é mais que isso: um momento) acontecem várias vezes. Confesso que já estive mais desligada, mas sempre que desligo aparece qualquer coisa que me volta de alguma forma a ligar a ti. Em todos os sentidos tu és a pessoa errada, mas fazes-me tremer. Em todos os sentidos tu não fazes sentido nenhum, mas quando olhas para mim nada mais existe. Em todos os sentidos o certo é ficarmos como estamos, mas neste momentos vou sempre desejar um sinal de vida teu. 

O momento já está a passar e tenho mais com que ocupar a minha cabeça. Fica por aí, seja lá onde for esse teu jardim e eu fico no meu. As despedidas já foram mais que muitas, o que faltou sempre foi dizermos adeus. 

domingo, novembro 15, 2015

Quando não consegui escrever

Há dois... Há um... 
Há o agora. 
Imaginá-lo seria impensável. Assim como o foi... Há dois... Há um...

Nunca é como imaginas, nunca estás à espera das coisas que mais em ti se entranham. Só percebes na altura do adeus. Quando mais uma vez algo não correspondeu ou quando algo apareceu apenas para ser explorado. Para te devorar as entranhas e depois sair sem se despedir. Mal educado! Não pede autorização para entrar e depois também se vai embora sem perguntar se te vai fazer falta, sem perguntar se ainda pode fazer algo por ti. Mal educado... Tu, ele e todos. 

Estive a ver os de há dois e os de há um... Foram situações tão diferentes, foram sentimentos tão novos. Foi tudo novo. A única certeza que tens de há dois, é que sentiste tudo o que havia para sentir e conseguiste salvar-te do tremor de terra a que tudo de ti foi sujeito. Hoje, revês esses momentos com nostalgia até. Não gostavas de voltar a passar por eles, mas se não fossem eles... Se não fossem eles, hoje não escreverias assim. O de há um ainda hoje te remexe as ligações racionais e irracionais. Remexe pouco, mas o suficiente para precisares de escrever. Mais uma vez, sem pedir autorização para entrar, entrou e saiu de rompante. Volta em ondas ou volta em memórias, mas volta. Dá voltas e voltas dentro de ti. Não querias e sempre disseste que não. No final... No final perdeste a batalha contra ti mesma. No final admitiste que afinal fazia todo o sentido.

Serão os finais sempre um sinónimo para "tarde demais" ou serão eles novos princípios ao percebermos o que queremos? Quando digo que algo chegou ao fim normalmente associo a conclusões, logo parece que chegou ao fim. No entanto, também sei que cada fim abre espaço a algum novo começo. É assim a volta... Só se começa algo depois de acabar algo que também algum dia começou. 

Sonho demasiado acordada. Deixem-me estar. 

sábado, novembro 07, 2015

O que aconteceu, afinal?

Há dias assim. Dias em que choras. Choras porque és humana. Choras porque às vezes é bom lembrar que ainda o tens dentro de ti. 
Foram as imagens que te passaram pelos olhos. Foi a vontade de te ver dentro daquelas imagens que te entristeceram. Não pode ter sido só uma vez! Não quero acreditar nisso! Não acredito e sei que não acredito, mas há dias assim. 
Deixei os livros de lado e encostei-me à almofada durante muitas horas. Às vezes é essa a meditação de que preciso. A forma antiga, o aconchego familiar. 

quarta-feira, julho 01, 2015

Verão

Lord of the flies

Homo Faber

1984

Indecision

A Insustentável Leveza do Ser

Admirável Mundo Novo

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Tranparente Para Si

Pouco me conhece.
Pouco de mim viu.
Cada palavra que projecta na minha direcção é verdadeira. Cada pequeno facto que balbucia atinge um ponto certo. 
Todas as vezes que fala comigo faz com que se forme um nó na minha garganta. Será pela experiência de vida? 

Será porque no fundo sou mesmo transparente e o meu sorriso é afinal fácil de ler?

sexta-feira, janeiro 16, 2015

You make me smile

"Why everything that's supposed to be bad make me feel so good?
Everything they told me not to, is exactly what I would
Man I tried to stop man, I tried the best I could"

domingo, janeiro 11, 2015

Um dia peço-te em casamento

Bastou um telefonema.  Do outro lado ela ouviu a palavra "sim" e todo o seu corpo se inundou de adrenalina. Sorriu de felicidade. Quase chorou de felicidade. Parecia uma barata tonta a andar de um lado para o outro pela casa. Pôs a tocar todas aquelas músicas que sempre a encheram de boa disposição, aquelas músicas que dizem "ganhaste".
Olhando para trás, olhando para tudo o que viveu, tudo o que passou... Sim, parece que estava tudo escrito para ser assim. O timing foi o ideal - estava tudo na mesa por esta altura para ela se decidir pelo caminho certo. 
Não foi difícil decidir. Tomou finalmente as rédeas da sua vida e ganhou ainda mais força ao saber que todos os que realmente importam, a apoiavam incondicionalmente. Começou tarde, mas começou. E ainda há tanto para escrever nesta história. O ponto de partida foi agarrado e agora? Agora não há meta, porque ela sabe que não há nenhum limite ao qual se queira impor. Porque é que não foste sempre assim? Porque é que antes não acreditavas que podias dominar o mundo? 
Agora ela acredita. Agora, os pés estão assentes na terra, o equilíbrio foi atingido e não, não há nada nem ninguém que se possa meter no seu caminho. 

No outro dia dei por mim a olhar para ela em puro estado de hipnotismo. Ela só se estava a arranjar para sair para o trabalho, mas eu tinha à minha frente a imagem mais bonita do mundo. Enquanto trocava de camisola, penteava o cabelo, punha os anéis e o relógio ... Todos esses passos mundanos transformaram-se numa coreografia mágica, porque, como sempre, ela ia abanado a ancas para aqui e para ali ou fazia aquele movimento com os ombros daquele jeito só seu, ao ritmo da música que não dispensa ouvir logo pela manhã. Ela é linda e é minha. Ela é de outro planeta. E como eu a encontrei, ou melhor, como consegui que ela visse em mim alguém merecedor de observar todos os seus jeitos e manias, permanece um mistério. Ela podia ter quem quisesse, porque eu bem vejo como a olham, como gostam daquela cabeça aluada, divertida, inteligente, sempre com uma resposta na ponta da língua. Não a provoquem, ela tem sempre resposta e ganha qualquer discussão. E quando não ganha com os pontos todos, não tem vergonha de admitir que falhou. Ela atrai porque é linda, porque brilha e depois fala e arrebata corações, porque brilha ainda mais. 

Ela é minha. Não, não é. Ela é só sua e eu só a tenho porque aprendi que aquele fogo tem de ter toda a liberdade para arder e, só assim, é que ela será feliz. Sendo de alguém, mas sabendo que pode ser sua, sempre. Só me resta agradecer aos que não a viram. Aos que a tiveram, mas que não souberam lidar com a força que ela é. E, como sempre, se não a vêem, ela perde o interesse. Agradeço a todos os caminhos que ela percorreu, pois cada passo que ela deu, foi uma mudança de direcção para se aproximar cada vez mais de mim. Nem eu, nem ela sabíamos... Só no final (que nunca é o final), é que tudo faz sentido.

Um dia vou-lhe pedir em casamento, sabendo que nem aí ela será minha. Tê-la, é sobreviver às discussões de perder a cabeça, sabendo que cada uma delas transforma a nossa visão um do outro em algo maior e melhor. Tê-la, é conhecer o pináculo de fidelidade em todas as situações com que nos possamos deparar.  Tê-la, é saber que ela acredita que um dia vai andar comigo de mão dada, quando eu provavelmente já precisar também do apoio de uma bengala na outra mão. Porque sei que ela acredita no amor, sei que ela é romântica mas não o diz a ninguém. Sei que vou ter uma melhor amiga até que um de nós adormeça e não acorde mais. 

Ela é minha. E logo eu, a tenho a ela. Logo eu, que nunca joguei na lotaria. 

terça-feira, janeiro 06, 2015

2015

Trambolhões induzidos. 
Desejos reprimidos. 
Caminhos abertos.
Porta fechada.

Eu.
Hoje.
Agora.
Aqui.

Renovados os sentidos.
Esperas ultrapassadas.
Tudo comigo.
Nada com outros.

Eu.
Hoje.
Agora.
Aqui. 

O novo ano é mero simbolismo. 

segunda-feira, dezembro 29, 2014

Ando à Procura das Peças que me Caíram do Bolso

Por agora chega.

Por agora, deixa-me estar até que eu substitua a vontade de estar sozinha por outra vontade qualquer.

Por agora chega.

Por agora, preciso de encontrar o pedaço de mim que se desfez. O pedaço que se desfez precisamente no dia em que o pensava ter colado.

Por agora chega.

Por agora, espero que a corrente de acontecimentos inesperados já se tenha ancorado algures por aí. Bem longe de mim.

Por agora chega.

Por agora, vou ter as piores conversas comigo mesma. Vou fechar-me dentro do casulo. Enrolar-me em maus pensamentos.

Por agora chega.

Por agora, vou deixar que ela ou que o outro me dêem melodia melancólica. Vou deixar que eles me digam que já se sentiram assim.

Por agora chega.

Por agora, quero fumar um cigarro a olhar para o céu. Ver um avião a passar e imaginar que o rasto de poluição que deixa atrás de si, é também o rasto de tudo o que estou a tentar largar. E que, assim como o rasto do avião, a seu tempo, desaparece. Esvai-se no céu lentamente de uma forma imperceptível ao olhar desatento.

Por agora, deixem-me em paz.
Só eu posso reconstruir este puzzle.

terça-feira, dezembro 23, 2014

Queda Livre

E assim, de um momento para o outro, ela decidiu carregar no botão de saída de emergência. Nos treinos foi ensinada a pensar rápido, reagir de cabeça fria, sem hesitações. Durante aqueles milissegundos de divagação inevitável e autorizada, sentiu os pulmões encherem-se de ar e deixou entrar mais do que a percentagem recomendada de oxigénio no cérebro. Todas as imagens ficaram bem mais claras. As ideias pixelizadas ficaram tão nítidas que parecia que ela as podia agarrar. Era isto que era preciso? Um momento de vida ou de morte para perceber que só se pode/deve agarrar ao que realmente vale a pena?

Carregou no botão... 

Agora era esperar pela altura certa para abrir o pára-quedas. Mais uns milissegundos autorizados de divagação. Ela é tão pequena no meio de tudo o que existe no mundo. É pequena, mas sabe que faz a diferença no mundo de uma ou de outra pessoa. E, só por essa razão, vale a pena manter-se por aqui. Sem modéstia. Os pequenos mundos que enche agradecem-lhe e isso basta-lhe. Os mundos que fogem... Esses não merecem mais a sua atenção. 

Hora de abrir o pára-quedas.

Aterragem prevista num admirável mundo novo.

domingo, dezembro 21, 2014

Mensagens em Aviões de Papel

Se não olhasses para mim como quem diz para ficar.
Se não referisses uma, duas, três, dez coisas pelas quais passámos numa única tarde.
Se o toque repentino não fosse embaraçoso. 
Se não nos ríssemos perdidamente sem razão aparente, só porque cruzámos olhares. 
Se não completássemos as frases um do outro. 
Se não tivesses medo de estar sozinho comigo. 
Se me dissesses na cara para eu não me aproximar mais. 
Se não tivéssemos sido construídos pela cumplicidade. 
Se não sentisse que, tanto tu, como eu, procuramos uma desculpa para não cairmos num beijo apaixonado. 

Se fosse mais simples.
Se tivesse percebido logo.
Se não tivesse fugido. 
Se tu não saltasses tanto. 
Se tivéssemos encontrado o equilíbrio. 

E por só te querer a ti. A ti que já tive, mas não vi. Não olhei, não reparei. A culpa? Não é tua, não é minha. São ideias corrompidas por cérebros nublados. E agora? Agora... Foi.

Mandei um avião de papel na tua direcção... Entre lutas com o vento e a chuva, nunca chegará a ti.

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Kausalkette

Konnte ich nicht mit weniger als 23 Worte erklären.

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Heart is Skipping Beats

While the expectation of hearing a knock flowed, my heart skipped a beat.
I stopped, acknowledged and started laughing really hard. 
Looked at myself in the mirror, while a thought swirled into my mind and my heart skipped another beat. 
I uncontrollably lauged like crazy again. Had to pretend to be serious while passing by people in order to avoid questions about my, out of the blue, happiness. 
Locked myself in my room and lost count of the beats the heart skipped over and over. 
Nothing happened. My mind was in control of the motions and emotions and a simple thought was leaving me jumpy, messing with the blood pumping structure of my body.

I think I know the reason for all of this and it's no good of a reason at all. Still, it's something new, fresh, eye-opening. Whatever happened... Thank you, sweet mind. Now I know you're clear from the old demons and ready to welcome new ones.   

quarta-feira, dezembro 17, 2014

Agora é noutra Dimensão

Alguém lhe fez uma lavagem cerebral.

Thank you, come again!

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sábado, dezembro 13, 2014

Estive a Pensar em Ti

Não vou expor mais manias, intenções, ideias, realidades. Não vou ser indirecta, porque já nem o consigo fazer. Não vou dizer-te que só não vês porque não queres. Não te vou chamar. Não te vou sussurrar vontades ao ouvido. Não vou esperar por ti à porta do prédio. Não te vou sequer fazer rir. Não te vou mostrar a música nova que sei que gostarias. Não vou lembrar quando vesti a tua camisa. Não vou dizer-te para veres aquele filme que eu vi ontem. Não vou mandar mais mensagens com piada. Não vou jantar contigo. Não vou lanchar contigo. Não vou sorrir para ti. Não vou sorrir a pensar em ti. Não vou dizer-te mais que não posso. Não vou lembrar as noites. Não vou lembrar quando não me deixavas sair da cama. Não vou lembrar o dia em que apanhei um escaldão e tu não. Não vou lembrar que cantámos juntos. Não vou lembrar que dançámos juntos. Não vou lembrar o beijo que te dei de repente no pescoço. Não vou lembrar quando disseste que eu estava a derreter. Não vou lembrar os teus abraços de partir costelas. Não vou lembrar os beijos descontrolados enquanto alguém conduzia o carro. Não vou pensar na tua cara enquanto me despias. Não vou lembrar o olhar cúmplice que criámos. Não vou pensar na tua silhueta ao tirares a camisa. Não vou pensar nas tuas mãos. Não vou lembrar quando me deste a mão no restaurante. Não me vou lembrar que punhas sempre a música certa. Não vou lembrar que acendias velas. Não te vou contar mais as minhas histórias. Não vou ouvir mais as tuas histórias. Não vou lembrar como adorava o facto de odiares futebol. Não vou lembrar as gargalhadas constantes e simultâneas. Não vou lembrar as coisas em que acreditas. Não vamos dividir mais maços de tabaco. Não vou mais tropeçar na mesa ao lado do sofá. Não vou mais olhar para ti enquanto dormes. Não vais mais adormecer comigo por perto. Não vais mais pôr a mão na minha perna enquanto conduzes. Não me vou lembrar que és romântico. Não vais mais tentar saber o que se passa comigo. Não me vou lembrar das luzes do teu quarto. Não me vou lembrar quando cozinhaste de toalha. Não vou lembrar que às vezes nem precisávamos de falar.
Não vou lembrar como, de repente, por um pequeno instante, tudo pareceu certo.

Não me vou lembrar que hoje pensei em ti.

quinta-feira, dezembro 11, 2014

Mais Romance, Por Favor

Ontem vi um casal de miúdos sentado num banco de jardim. Trocavam gargalhadas, risos, beijinhos e carícias. Tudo isto, numa total ignorância do que se passava à sua volta. Aquele momento era deles e só deles. Faziam planos de "tu" e "eu, sem se aperceberem que eram já o pronome pessoal no plural: "nós". Mal eles sabiam que ali se decidia o futuro do mundo. Mal eles sabiam que aquele "nós", lhes iria trazer a maior dor que alguma vez sentiriam; quando o momento se for e forem obrigados a pensar de novo em forma de pronome pessoal no singular.
Para eles, nada disso interessa agora. Não trazem bagagem consigo. São apenas abraçados pela pureza do que lhes está acontecer. Ainda bem que assim é. Ainda bem que, pelo menos uma vez na vida, somos capazes de sentir algo sem deixar que o passado corrompa atitudes, pensamentos e sentimentos. Têm todas as primeiras vezes à sua frente. O primeiro envolvimento, a primeira ida ao cinema, a primeira dança, o primeiro "amo-te", a primeira discussão... Vão passar por todas as primeiras vezes sem dar por elas. O valor desses bocadinhos só será apreciado quando lhes começar a fazer falta. Quando começarem a ser corrompidos pela sua própria cabeça, que sendo humana, cumprirá bem o seu papel de instalar a dúvida, a tentação, a vontade de procurar novas sensações. Nada é para sempre, mas também acredito que nada realmente acaba. Fica sempre algo, podendo esse algo servir para alguma coisa ou para absolutamente nada. Mas nada acaba mesmo. 

Invejo os miúdos não corrompidos. Invejo os miúdos que se apaixonam com toda a pureza que só os curtos anos de vida possibilitam. Não digo que não seja possível viver algo puro e verdadeiro, mesmo com 23 quilos de bagagem atrás de nós. A bagagem fica para trás e novas histórias de amor tomam um lugar, talvez até mais intenso que o anterior. É a maneira de encarar, de agir, de questionar que invejo. Penso que, quanto mais nos desiludimos, mais facilmente somos capazes de deixar passar um toque no braço sem lhe dar importância. Toque esse, que era daquela pessoa, da nossa pessoa, da pessoa que estávamos à espera. Mas não a vimos, não a sentimos, porque parámos para pensar. Fugimos, porque: "não, nem pensar, não me quero magoar outra vez, vai ser só mais um falhanço". Andamos então de olhos vendados, mas sempre à procura. Abrimos os olhos e não vemos. Quando damos a mão, caímos. Dá a sensação que andamos sempre à beira do abismo. E cair? Cair outra vez, nem pensar! Dizes tu...

Todos caímos outra vez, está na nossa natureza. Que piada teria se não caíssemos e se não tivéssemos vertigens? Vale a pena. Sei que vou cair, cair e cair mais uma vez. Nas entrelinhas, peço mais um bocadinho de romance.

Sem exageros, sem convenções cavalheirescas. O mínimo de romance fica sempre bem. Lá por ser óbvio o que uma pessoa quer da outra... Que cada abordagem faça lembrar por uma fracção de segundo, os miúdos sentados no banco de jardim. Que cada abordagem demonstre o mínimo de esforço e originalidade para a evitar que nos sintamos como meros objectos em forma de corpo humano. Que arranque uma sensação positiva, nova, explorável. 

Só um bocadinho mais de romance. Por favor. 

quinta-feira, dezembro 04, 2014

A Maria

A Maria tinha um jeito de mexer no cabelo. Um jeito que me deixava louco.
A Maria tinha um jeito de ajeitar as calças ao andar. Um jeito que me fazia sorrir.
A Maria tinha um jeito de morder o lábio ao dizer algo em tom de brincadeira. Um jeito que me dizia para a beijar.

A Maria gostava de cantar quando sabia que ninguém a estava a ouvir.
A Maria gostava de dançar em frente ao espelho, ao som daquela música que nunca admitiria venerar.
A Maria gostava de sair sozinha e cambalear pelas ruas cheias de gente, observando tudo e todos, sem nunca deixar que a vissem a ela.

A Maria era uma sonhadora.
A Maria era uma criança em corpo de adulto.
A Maria era uma rapariga complicada com desejos simples.

A Maria não gostava de conversas banais.
A Maria não se contentava com pouco.
A Maria não deixava que ninguém a conhecesse.

A Maria foi levada pelo vento e deixou-me de mãos vazias, coração ferido e espírito perdido.
A Maria era assim.

Sorte a tua, se a encontrares.

sexta-feira, novembro 28, 2014

Sparkles Dance

"Do you remember how the electric spark that we felt when we first touched never went away?

That lightning lives inside me still and will always shock you ever so slightly when any piece of me touches any piece of you for no reason at all?

Put your fingers to mine and watch the sparkles dance."