quinta-feira, março 09, 2023

De repente. Não mais que de repente.

Náusea. 

Gosto muito mais em inglês: motion sickness. 

Menos enjoativo. 

Além disso é o nome da música que me trouxe aqui. Começou a tocar de repente e de repente, não mais que de repente, eu estava em Madrid com a C. De repente, não mais que de repente, chego à conclusão que esse evento foi há 10 anos e sinto-me nauseada. Positivamente nauseada. Nauseada porque de repente, não mais que de repente, todas as sensações, ideias e ingenuidades de uma vida com menos 10 anos de experiências em cima tomaram conta da minha cabeça. De repente, não mais que de repente, eu estava em Madrid a dançar, a cantar, a ser idiota pelo Retiro e a ver o mundo a passear enquanto bebia uma cerveja na varanda do D. 

De repente, não mais que de repente, fiquei leve. 

quarta-feira, março 08, 2023

Vermelho e mulheres bonitas

Resumo de uma noite com magia.

segunda-feira, março 06, 2023

Vou contar-vos uma história

Uma história daquelas bem simples. Uma história que, de tão simples, nem valeria a pena contar, não fosse a minha vontade. 


Vontades... É disso que se faz um dia, uma semana, um mês, a vida. Um vai e vem de vontades que podemos ou não satisfazer consoante as condições, meios e as intermitências impostas pelo simples facto de existirmos. A incerteza é das poucas certezas que podemos ter. O que estava certo ontem pode, hoje, ser um perfeito disparate. Um disparate perfeito, pois sem ele(s), não haveria peripécias dignas até a luz se apagar de vez.

A história acontece numa cidade perto do mar. Há sempre uma brisa no ar que vai ditando o que cada um sente. Parece que brisa traz com ela todas as verdades do mundo. E frio, também traz algum frio à noite.

Os dias passam e a nossa protagonista perde-se em horas passadas na praia, perde-se em horas a tentar ter conversas que a enriqueçam. A tolerância para conversas banais parece cada vez mais escassa. Não sei se o hei-de definir como falta de capacidade ou ganho de perspectiva. Seja qual for a definição que melhor se aplica, nem uma, nem outra é negativa. Todos os papéis espalhados pelo quarto, as mensagens deixadas na areia, a tatuagem no banco de jardim formam os pedaços da história que não vale a pena contar. Ella, a protagonista deste espaço e de todos os que ainda não atravessou, gostava de deixar pedaços do que lhe vai na alma espalhados por aí. Por essa razão, a cidade perto do mar, conhece-a melhor que ninguém.

Enquanto Ella acorda para mais um dia de ociosidade, os pescadores já lançam as redes em alto mar para procurar alimento para tantos outros que sabemos que por aí andam, mas não conhecemos. Ella não seria capaz de ser pescadora. O mar, tanto a arrebata com a sua beleza infinita, como a enche de medo quando nos dias cinzentos bate contra as rochas sem a menor compaixão.

Ella encheu-se de novas perspectivas nos últimos tempos. Coisas da vida, circunstâncias, momentos, são agora apreciados e vividos de uma maneira diferente. Uma maneira mais rica, talvez. Tudo isso contribuiu para que o encontro daquele dia não passasse despercebido a Ella. Deitada na relva do jardim, enquanto lia palavras que alguém escreveu, parou ao sentir algo pousar no seu braço. Rapidamente enxotou o pequeno bicho que lhe fazia cócegas e antes que pudesse voltar a pousar os olhos nas palavras que outro alguém escreveu, viu-o. Era ele... Nunca o tinha visto antes, mas sabia que era ele. Moreno. Cabelo descuidadamente charmoso. Barba charmosa no seu descuido. A maior surpresa: estava a ler as mesmas palavras que outro alguém escreveu que ela. Não vou contar que palavras liam, porque começaria aí a pensar nessa história e não nesta, que de interessante, não tem nada.

A leitura do livro passou a servir de disfarce a partir daquele momento. Ella era assim. Podia estar submersa nas suas ideias e no seu mundo, mas se algo captava a sua atenção, o protagonismo era reassumido. Rapidamente percebeu que ele também a observava e que usava a mesma camuflagem de páginas cheias de palavras que ela. O seu coração começou a bater com mais força. Envergonhada pela descoberta focou o seu olhar na primeira palavra que viu: Roma.
Ella era assim. Independente e confiante até a timidez de criança inocente se apoderar de todas as suas entranhas.

Encadeada pela palavra e pelo sol que teimava em bater contra o livro, demorou, sabe a brisa quanto tempo, a reparar que ele se tinha sentado ao lado dela. Levantou-se abruptamente e olhou para os olhos dele. Os dois com os livros na mão... Os dois... Dois estranhos a olhar um para o outro... Desataram às gargalhadas. Nervosismo combinado com o desconhecido da situação, combinado com Ella saber que era ele.

Não me lembro da primeira palavra que trocaram, nem das outras 23 mil que se seguiram nessa tarde. Mas lembro-me da palavra para a qual Ella olhou quando a sua timidez a obrigou a refugiar o olhar no livro.

Foi Roma. E Roma, ao contrário, lê-se amor.

quinta-feira, março 02, 2023

Qual é coisa qual é ela

Que tem a capacidade de nos dissolver em milhares de partículas?

quarta-feira, março 01, 2023

Gosto de portas

Portas fazem o mundo exterior parar. 

segunda-feira, fevereiro 27, 2023

Parce que c'était lui. Parce que c'était moi.

Conheceram-se ontem.
Hoje foram viver juntos. 

Ele já não faz o café todos os dias.
Ela prepara duas marmitas para o dia seguinte em vez de uma. 

Os objetos de cada um convivem uns com os outros. Completam-se. Por vezes repetem-se. 

O volume da música está sempre muito alto.   

Ela sente o cheiro a café. Levanta-se. 
Ele estende o braço com uma caneca cheia. Abraçam-se.

Há sempre três mantas à volta do sofá. Ele dobra. Ela embrulha-se em todas ao mesmo tempo. 
Os livros ficam espalhados pela casa. Ela sabe sempre onde está o que ele procura. 

Ela dança enquanto cozinha. 
Ele vê uma sombra a mexer-se. Aproxima-se por trás dela e dá-lhe um beijo no pescoço. 

Os copos de vinho ficam sempre por lavar até ao dia seguinte. 

Ele trabalhou até tarde. Ela já tinha adormecido no sofá da sala. 
Ele sussurrou-lhe boa noite ao ouvido e mostrou o que tinha trazido para jantar. 
Ela olhou para ele e ouvindo a música a tocar baixinho, levou-o para dançar. 

Conheceram-se ontem.
Hoje foram viver juntos.
Parce que c'était lui.  Parce que c'était moi. 

quinta-feira, fevereiro 23, 2023

Linhas tortas

Alice saiu do quarto e foi tomar um banho. 

Alice sentiu a água deslizar pelo seu corpo.

O que é que se com a invasão inoportuna ao nosso cérebro de fotogramas que nos fazem precisar de tomar um banho gelado outra vez?

Alice não sabia. Alice ainda não sabe. 
 
Alice pára. Alice anda. Alice esquece. 
 
Alice, decide. Decido o quê? 

Alice, pára com os extremismos. Deixa isso para a política.

domingo, janeiro 22, 2023

Túlipas amarelas

Pouco tempo em Amesterdão. O suficiente para perceber que tenho voltar a passear por aquelas ruas. O suficiente para perceber que tenho de me sentar a beber um copo de vinho num qualquer barco, num qualquer canal. Estava frio quando estive em Amesterdão. Não muito. O suficiente para eu achar que está muito frio. Não é preciso muito. Já foi preciso mais. Para eu achar que está frio. 

A Night-Blooming toca. A primeira vez que a ouvi estava em Amesterdão. Sempre que a oiço (ouço? - ambas as formas são corretas - ok) transporto-me para o momento em que perguntei o que estava a tocar. Sempre que a oiço apetece-me dançar. E danço. E estou no meio de uma sala cheia de gente. E não vejo ninguém. E mexo-me e salto de um lado para o outro. E o cabelo abana. E os braços vão para a cima e para baixo. E um sorriso forma-se. E quase que me emociono com esta imagem.

Já dancei muitas vezes embalada por esta voz e por esta batida em crescendo. Apetece-me dançar agora. Dançar mais uma volta antes de continuar a escrever. Será que escrevo de forma diferentes se for dançar e depois voltar? Será que volto com outras ideias? Não, não vou testar agora. Está frio e as duas mantas em cima de mim geram um certo impedimento. No entanto, o sorriso não sofre impedimentos e rasga-me a cara. 

Only in darkness does the flower take hold, it blooms at night. Preciso da escuridão, da noite, de me perder, de me enterrar em sensações e ideias tenebrosas. Perco todo o otimismo e a esperança dissipa-se do meu universo. Tudo negro para que aos poucos possa voltar a deixar a luz entrar. A luz volta sempre a entrar. Há sempre uma fissura que chama a claridade e, pouco a pouco, permito-me voltar a ver o mundo através das lentes boas. Através das lentes que devia usar todo o tempo, porque está tudo bem, porque se deixa a vida andar, porque não tem de ser tudo complicado. Será que consigo fazer a escolha sensata da próxima vez que for invadida pelo dark side? Será que consigo controlar isto? Sei lá. A informação está presente, mas também sei que às vezes é preciso irmos dar um passeio ao fundo de nós para voltarmos iluminados. Para sermos mais nós. 

Por agora fico com a música. Com esta e com todas as outras que me embalam e dão mais sentido aos meus dias.

E deixo-me maravilhar com a conclusão que sempre tive uma flor favorita.

sexta-feira, janeiro 20, 2023

É

 Männer denken nicht so viel nach.

segunda-feira, janeiro 16, 2023

Quando a felicidade mete medo

Pensar. Pensar em como vou sair deste estado. Primeiro gostava de perceber o que me fez chegar a este estado. O que foi? Ontem parecia estar tudo bem. Hoje acordo e o mundo está escuro, cinzento, negro. Todas as cores supostamente representativas de algo mau. Entro em mim. Durmo. Acordo. Cansaço. Arrumo. Arrumo porque procuro ordem. Procuro ordem na minha cabeça e não a encontro. Busco então por ela no mundo físico. Tenho a cabeça desordenada porquê? Parecias estar tão bem. Sempre que falas no assunto dás ênfase ao equilíbrio. Estarás tu a mentir a ti própria mais uma vez? Outra vez? A sério... Cresce. 

Vou desistir destas merdas. 

E agora? E agora está tudo na mesma. Vejo o mundo escuro. Hoje está tudo tão escuro. Não me lembro de te ver assim. Sentes que estás fora de controlo. O resto do mundo mantem-se funcional e tu... tu deixaste-te cair. Lembra-te que é hoje. Só hoje. 

Dá-me palavras que confirmem que não foi mais uma ilusão. Deve ter sido. É assim que funciona. Tu estás sozinha aqui e vais sempre estar. É a realidade que todos temos medo de encarar. Podes contar contigo e só contigo. As outras merdas são ilusões momentâneas que alimentam ciclos da vida para que formemos recordações, para que acreditemos que sim, que isto até vale a pena. 

domingo, janeiro 08, 2023

Sensações

Novas.
Inesperadas.
Agradáveis. 

Inconvenientes? 
Inoportunas?
Inadequadas?

Aconchegantes. 
Arrebatadoras.
Alegres.

Sabotagem consciente?

sexta-feira, janeiro 06, 2023

Tintas

É como se ele tivesse pintado um pequeno mundo só para mim. 
Há sempre um céu.
Há sempre caos. 
Há sempre reencontro. 

domingo, dezembro 18, 2022

Ausência de coragem

Ouvir um piano tocar quase sempre me emociona.
É tão mágico que um instrumento consiga expressar tudo aquilo que eu te quero dizer e não consigo. 
Não consigo, porque ainda nem sequer tentei.
Acho que se te chamasse, tu vinhas. 

Acho. 

Não tenho certezas de nada.

Há dias e há noites e há músicas que tocam.
Há ideias que se formam e há conteúdos que não se partilham.
Porquê? Não se partilham porquê?
Se soubesse responder a essa pergunta talvez não estivesse a escrever aqui. 
Já sabes que quando aqui escrevo...

Quando aqui escrevo estou em mim, comigo e não consigo sair. 
Quando aqui escrevo procuro respostas.
Quando aqui escrevo sinto-me a afundar.
Quando aqui escrevo vou ainda mais longe do que devia.
Quando aqui escrevo tento dissecar-me. 

Pára. Dirias. Fala comigo.
Manda-me uma mensagem. Liga-me. Bate-me à porta. 
Não te feches em ti. 

Fecho-me em mim por receio de te intimidar. 
Por receio que te afastes. 
Por receio que me vejas complicada. 

Sou complicada, sou obscura, por vezes incompreensível. 
Formo labirintos na cabeça e procuro saídas. 
Emaranho linhas e fico presa nos nós. 
Sou difícil de perceber, demasiado profunda para ler. 

Fecho-me aqui. Fecho-me assim.
Receio que não gostes de puzzles e que perca o encanto aos teus olhos. 
Vou-me fechar hoje.
Vou-me deitar triste.
Vou ouvir mais pianos a tocar. Deixar que as melodias me levem.
Talvez para me perder. 
Talvez para me desapegar. 

De ti.

domingo, setembro 11, 2022

Em menos de 1 minuto

Pegaste-me no braço e deste um beijo na minha tatuagem.

terça-feira, agosto 16, 2022

Gustav

Mahler plays.

Well, not Mahler, but his symphony.

Birds fly by my window and the sky is so beautifully blue.

I sit on the floor. 

This is just too much to be felt on a soft surface. The piano plays harder. I get softer. Within myself lie all of the unanswered questions the world has ever asked. 

Hey, how are you managing so much pain?

The music. The music makes my heart smile through it. It's hurting, yes.. Every step of the way. Not gonna lie. But it's a pain that I have to feel. I need to feel all of this. So I can eventually walk away from it.

No, walking away is not possible. You know too much, baby. And you just love to feel everything so deeply. You need it. You crave it. You're not yourself without it. 

Oh, how I wish I could help you get through it. Clear up all of your thoughts. Scrub away all of the pain they caused. Put a bit of make-up over all of the scars. 

Go. Pour yourself another glass of wine. It's fine. Eitherway, you're a great kisser. 

The symphony keeps playing. You keep on feeling every stroke of the piano deep inside of your skin. You're happy.

It hurts.

After all of this... You will have grown a bit more, get to know yourself a little bit better and maybe, just maybe, it won't hurt as much as before. 

sábado, agosto 13, 2022

Avisa-me quando chegares a casa

Não foi só uma palavra. 

Foram muitas as palavras trocadas.

Palavras trocam-se.

Alguém forma uma ideia sobre ti e sobre mim. 

Uma ideia apenas. 

É difícil dar a conhecer todos os enredos que nos transformaram naquilo que somos.

É difícil explicar os eventos que foram dando forma às nossas ideias, às nossas manias, aos nossos medos.

Apesar de tudo, vamos tentando.

Vamos trocando enredos uns com uns outros.

Vamo-nos identificando com histórias e ideias. 

Vamo-nos aproximando ou afastando de alguém.  

Vamos pedindo para nos avisarem quando chegarem a casa com a esperança que um dia a frase se faça sentir cá dentro e se faça sentir na outra pessoa. 

Já pedi para me avisarem. Já me pediram a mim para avisar. 

Ainda não percebi quando te vou pedir a ti.

sexta-feira, agosto 05, 2022

The dance

The moon hit the sky,
and way before that,
you were already in it. 

You could blame alcohol. 
You won't, darling.

You blame the eyes and the smiles.
The laughs and the spilled glasses. 
The unlocking of hearts.
The shared darkness. 
The unsaid parts.

You blame the silence and the words written on paper.
The cooking and the playlists, the singing and the banter.
The immediate presence that left worries or plans for later. 

You blame the hours turning to past,
you blame the clock you didn't mind spinning.
The stories of designs scratched on the skin 
and the tales that tattoed your hearts from the very beginning. 

You blame the lips, the kisses, the touch.
The desperation voiced in a whisper.
The remarkable absence of decency, 
and the longing for, just one more, round of twister. 

You blame the forced rhymes and even the unforced ones too, 
you try to blame something. 
It seems like the right thing to do. 

But you know what?
You can't blame flow and life is flux. 
Get high on every moment, feel every rush. 
The heartbeats, as you go, will light up the way,
as long as you feel them, know all is okay. 
Watch the moon, little girl, long for the boy watching it too,
you're not weak for that, you're just being you.
The path may be wild, but it's fine, my darling. 
One day, all the answers, in it, you will find.

segunda-feira, agosto 01, 2022

sexta-feira, julho 22, 2022

Chão e Alcatifas

Há 8 anos atrás sentaste-te no chão na casa de Viseu. Recusaste um jantar. Recusaste sair e sentaste-te no chão. Jeff Buckley nos ouvidos. Um caderno e uma caneta no colo. 
A letra da "Lover, you should've come over" escreveu-se no caderno e entranhou-se em ti. Unhas cravadas na tua pele. Abriram um portal para o teu interior e fizeram com que te deitasses no chão. Aquela alcatifa castanha abraçou-te e tu deixaste-te ficar ali durante muitas horas. Não sabes quantas. Não havia mais nada ali. Não havia mais nada no teu mundo. Estavas a ser consumida por um vazio tão grande que não eras capaz de dar o menor dos teus passos em direção a algo que te salvasse. Não sabias como. A dor daquele vazio era tão forte que a sentias entranhar-se em cada centímetro do teu corpo. A tua garganta estava fechada com um nó tão apertado que às vezes até te custava respirar. 

E hoje?

Hoje relembras este momento sem vontade de voltar a vivê-lo, mas com algum carinho, por ter sido o primeiro. Se não te tivesses rendido ao chão todas as vezes que tiveste de te render ao chão, também não terias deixado que o teu corpo passasse pelos processos de purga. Foram vários os pedaços de chão que te abraçaram por diferentes razões, em diferentes momentos da tua vida. Só sentes que uma casa é tua quando passas por esse processo no novo chão. Aí sim, encontras o conforto do espaço e a segurança que, dali, não passas. É só deixar o tempo andar. Eventualmente levantas-te e segues a tua vida, mas tens sempre um chão, um tapete, uma alcatifa onde as lágrimas das tuas lamúrias caem e secam. 

Esta casa?

Esta casa já te viu no chão. Viu-te cair. No dia em que abriste a porta de casa com as lágrimas já a querem sair. Lembro-me como deixaste tudo cair e te deixaste cair com tudo. No chão. Estava frio e tu ali ficaste. De casaco vestido. Botas calçadas. A ver um charco de lágrimas formar-se na madeira. Esse foi o momento em que sentiste esta casa tua. 

Se as paredes desta casa falassem... Descobriste tanto de ti aqui. Até a Alice encontraste enquanto habitavas este espaço. E queres ouvir um segredo? 

You can't always get what you want
but if you try sometime, well, you just might find,
you get what you need!

sábado, julho 16, 2022

Gostava de usar o teu nome nas costas

Vestir a tua camisola antiga, no dia seguinte, de manhã cedo.

Aquela do clube em que jogavas quando eras pequeno. 

Gostava de ir almoçar contigo numa
esplanada ao sol. 
Com vista para o lago, 
com vista para as árvores, 
com vista para ti. 

Como aquela miúda loira usava o nome dele, 
gostava eu de usar o teu nome nas costas.

terça-feira, julho 05, 2022

Deambulando apaixono-me

Pela miúda que me atendeu no Starbucks do aeroporto.

Pelo rapaz no mercado de rua. 

Pelo sorriso da mulher que me disse bom dia ao sair da escola. 

Pelo gajo dentro daquela loja de roupas. Que perfil, que jawline, que olhar. 

Pela simpatia da Ivonne.

Por aquele gajo no parque das montanhas.

Pelo bigode irritante do gajo no comboio. 

Pela cor dos olhos da miúda sentada à minha frente no avião. 

Pela presença presente dos putos e por me terem lembrado que sou uma criança. 

Pelo gajo que vageou sozinho pelo palco.

Pelas coisinhas brancas que voavam por todo o lado.

Pelo pai, o filho e o avô a darem toques na bola. 

Pela forma como o R. disse: "confia em mim".

Pelos arrepios que as mãos fizeram o meu corpo produzir. 

Pelo livro que ninguém me disse para ler. 

Pelos shining eyes para os quais o D. me alertou.

Pelos novos caminhos que descobri querer escrever.

E um dia

vou-me apaixonar por ti. 

sexta-feira, julho 01, 2022

Apaixonada

Apaixonada pela palavra APAIXONADA.

APAIXONADA apaixona-me o cérebro.

O cérebro de um apaixonado sofre de uma moca natural e constante.

É habitado por uma neblina saudável(?).

Apaixonada por ti.

Apaixonado por mim.

Acho que me estou a apaixonar por ti.

Uma apaixonado também se esconde.

Uma apaixonada pode não perceber. 

Apaixona-me essa paixão que tens por gestos mundanos.

Se me apaixonar...

Depois de te conhecer...

Fim da vida como a conheço. 

Apaixona-me.

Apaixono-me devagarinho por ti. 

sábado, junho 25, 2022

Fila do supermercado

Conversas sobre os exames nacionais. Partilham-se ideias, notas, decisões tomadas. Olho para elas, para o cabelo esticado na perfeição, para a mala (provavelmente cara) pendurada no ombro e para as merdas que estão a comprar para comer. Gostava de lhes dizer que há coisas que vão perder importância com o passar do tempo e outras tantas que se vão tornar importantes. Gostava de lhes dizer para largarem as preocupações, que o tempo as vai ajudar a chegar onde devem chegar, não precisam de pensar tanto. 
Não precisam de pensar tanto, nem tão estupidamente. 
Não digo nada. 
Espero a minha vez. 

quinta-feira, junho 23, 2022

Wicked game

Para ela foi tudo. 
A natureza da miúda não permitia que tivesse sido de outra forma.

Para ele foi quase nada.
Um rabisco no caderno de experiências.

Agora que ela o sabe, 
agora que a verdade foi cantada,
ele perdeu-a. 
Perdeu-a sem saber que alguma vez a teve.

As antigas canções de amor falam de uma forma que bate mais cá dentro. 
Porque, como dizia o outro, "antigamente é que era bom".

Ei, saudades tuas, outro. 
Ias sorrir como eu estou a sorrir agora se lesses isto. 
Mágico como as linhas de pensamento mudam.
Mágico para onde esta conversa me levou. 
Só eu sei. 

sábado, junho 11, 2022

Qual é a tua ideia?

Dizeres que vens e que vais.

Qual é a tua ideia?

Mostrares vontade de me vires dares um beijinho?

Qual é a tua ideia?

Passarem os dias e não dares notícias.

Qual é a tua ideia?

Mexeres comigo um bocadinho outra vez.

Qual é a tua ideia?

Não te posso dar nada.

Qual é a tua ideia?

Esta história já foi escrita.

Qual é a tua ideia?

Eu nunca acreditaria.

Qual é a tua ideia?

Nós nunca faríamos sentido.

Qual é a a tua ideia?

Já passou demasiado tempo, sei demasiadas coisas sobre ti.

Qual é a tua ideia?

Por favor, nunca mais roubes nenhuma ideia de mim.

sexta-feira, junho 10, 2022

Farô x 3

Queres esperar aqui pelo teu voo?

Finde es eine schöne Idee. 

Atirar objectos para dentro do armário. 
Vestir umas calças e um top.
Não este preto, não. Demasiado "anda cá".
Merda, está tudo desarrumado. 

Hey, habe gerade ein Uber bestellt. 

Tenho gelo. Pouco. Chega para o gin. 
Loiça para dentro da máquina de lavar. 
Fechar a porta do quarto. 

Espelho.
Boa cor de pele. Cabelo fixe. Tão comprido.
 
Bin schon unten.

Histórias desbobinam-se.
Que olhos. Que cor.
A intensidade com que focas os teus olhos nos meus enquanto falas.
Eu também sei jogar esse jogo. Cuidado. 
Focamos. Sorrisos. 
Gin de lado.
Tocas-me na perna. 
Aproximo-me. Um bocadinho só. 
Ensino-te palavras em português. 
Tu repetes. És cute.
Olho para baixo a sorrir. 
Beijo. 

Dou-te a mão e levo-te para o quarto. 
Agarras-me por trás e começas-me a tirar a roupa. 
Segue-se a descoberta de um talento difícil de ignorar.
Habilidade, maestria, aptidão?
Arrepio. Contorção.
Não sei quem és, não sei se te vou ver outra vez,
mas flashes do que me fizeste ainda não pararam de invadir a minha cabeça.

Warum lachst du denn?

Fizesses tu ideia do dom que vive em ti.

domingo, junho 05, 2022

Impecável

Costumas vir aqui?

Sim, costumo estar no meio da rua, entre multidões de pessoas, enquanto música popular é cantada de uma varanda e o ar está envolto de cheiro a sardinhas. 

Impecável...

quarta-feira, junho 01, 2022

Máquina de escrever

Lembro-me que tinha uma máquina de escrever quando era pequena. Era azul e amarela com teclas vermelhas. Não sei que idade tinha quando a recebi, nem guardo memórias de alguma carta escrita na dita máquina. Lembro-me de ser chato de usar. Bastava um erro para arruinar toda uma folha. Sim, porque quando escrevemos à máquina também procuramos algum tipo de perfeição. Só tenho memória disso. De ser chato. O que aconteceu à máquina? Onde a guardava? Quanto a usei? Não sei. Talvez pergunte aos meus pais. Talvez eles façam ideia. 

Quem queres iludir? É óbvio que eles não sabem. O meu pai sempre alheio à realidade. Via-nos, mas nunca olhou para nós. Para mim e para o meu irmão. Nós estávamos lá. Presentes naquela casa, mas sem sermos vistos. Fazíamos coisas todos juntos, ríamos e fortalecíamos ligações em momentos esporádicos a caminho de Viseu, mas o essencial de cada um de nós... Não, isso não. Isso ele nunca quis ver. Falta de capacidade? Atenção? Preocupações com êxitos académicos, a correcta conjugação de verbos, a falta de plural no verbo haver, a resposta exageradamente detalhada a todas as perguntas, a possível oferta de vinte CD's caso adivinhássemos o artista de determinada música.... O meu pai é uma personagem. Disse-lhe hoje que um dia podia escrever um livro sobre ele. Já é o segundo livro que digo querer escrever. O livro com a história da Z. e um livro sobre o meu pai. Enfim. Pais. 
Os meus pais fizeram tantas coisas mal, mas outras tantas, bem. Havia uma casa, havia tudo o que nós queríamos, havia pouco controlo. Nos anos mais complicados de um adolescente e mesmo na pós-adolescência, quando vivemos um momento crucial de descoberta de quem somos, do quem e o que queremos ser. Um momento em que a orientação certa pode ter um impacto forte no futuro. Eu e o meu irmão não tivemos orientação. Tivemos de nos orientar sozinhos. A liberdade imposta e a cegueira dos nossos pais foram-nos deixando ir. E nós fomos e o meu irmão soube fazer as coisas, ou melhor, ter a noção do que tinha de fazer, melhor do que eu. Eu andei perdida durante tanto tempo e ninguém me deu um estalo na cara. O estalo foi-me dado pelo tempo, pela vida. Acordei, comecei a mexer-me e a fazer o que tinha de fazer para me libertar totalmente, para me transformar em mim. Perdi muito tempo. Será que teria perdida todo esse tempo se tivesse recebido a tal orientação e um bocado de tough love? Não sei. Não é importante agora. Agora está tudo bem. 
Agora guardam-se memórias, tiram-se conclusões sobre as razões de sermos como somos e, de certa maneira, culpa-se os pais. Eu nos os quero culpar. Sempre foram duas crianças a lidar com a vida e será assim para sempre. Se um dia tiver filhos, sei exactamente como não vou ser com eles, que atitudes não vou ter e como quero lidar com os desafios que educar alguém impõe. É difícil. É muito mais difícil do que se imagina e, independentemente dos livros escritos, ninguém sabe bem o que está a fazer. Por isso digo, sei o que não vou fazer. O resto é surpresa. É importante que a pessoa com quem escolhemos fazer bebés tenha ideias e ideais parecidos com os nossos, para que se trabalhe em equipa. Acho que em equipa tudo vale a pena. Se os pais souberem conversar, discordar e rir sobre o ser que estão a ajudar a crescer, tudo se torna mais fácil e fluído. Se um dia tiver bebés, gostava que fosse com uma pessoa que queira também formar essa equipa comigo, que saiba gozar com o puto e com as nossas falhas, que veja as coisas a sério, mas também a brincar. Isto é tudo um jogo onde não se conhece o final. Que se aproveitem bem os desafios. 

Comecei a escrever sobre a minha máquina de escrever, não foi? Uma coisa leva à outra e de repente estamos numa outra Ebene de ideias e assim, sem saber ler nem escrever, a cada dia que passa consigo explicar melhor a minha tatuagem. 

domingo, maio 29, 2022

segunda-feira, maio 23, 2022

A boleia

Um semi-estranho a conduzir o carro.

Olhamos um para o outro através do espelho retrovisor. 

Ele põe boa música a tocar no rádio. 
Mexe-se da mesma forma que eu quando gosta do que ouve. 
Canta. Mexe a cabeça. Olha para mim.
Eu quero mexer-me também.

Evito. 
Conheço as músicas todas. 
Não posso alimentar a química, vá. Não pode ser. 

Ele conduz muito depressa.
Pára, não tenhas pressa, mas vai. 
Gosto de sentir a velocidade. 

Faz-me uma pergunta para eu responder com uma piada e fazer-te rir outra vez.
Não, não. Não sorrias assim. 

A mão no volante.
Os olhos atrás dos óculos escuros.
O cabelo descuidado.
A mão no volante.
O sorriso.

A tua mão no volante.

E eu aqui atrás. 
Em guerra contra a vontade de pôr essa mão em mim.

quinta-feira, maio 12, 2022

Inquieta

 "O destino, quando lhe dá para aí, é capaz de escrever por linhas tortas e torcidas tão bem como Deus, ou melhor ainda."

Que se fodam os pensamentos alheios. Que se fodam ideias sobre mim. Que se foda quem não me viu. Que se fodam obrigações que achamos serem impostas. Que se foda se perco tempo perdida em mim. Que se foda o aspecto, a roupa da cama e as cores que não agradam a todos. Que se foda esconder-me. Que se foda que não gostes do meu gosto musical. Que se fodam os livros que não li, os assuntos sobre os quais não tenho opinião formada. Que se foda evitar dizer merdas com medo que não gostem. Que se foda achar que sou insegura. Que se foda quem não me acha piada. Que se foda tudo o que não importa. Que se foda também o que importa, porque inevitavelmente chega um dia em que deixa de importar. Que se foda quando bebo demasiado vinho. Que se foda que os vizinhos me oiçam a cantar. Que se foda quando oiço música de ir ao rabo. Que se foda se fui demasiado intensa, que se foda a ideia que passo, que se foda o que dizem. Que se foda a marca que deixo nas pessoas. Que se foda se não deixo marca nenhuma. Que se foda tudo o que foi. Que se foda o que podia ter sido. Que se foda não ter dito o que devia. Que se foda o tempo que demoro até ser eu com alguém. Que se foda não acreditar. Que se fodam as mensagens, os telefonemas e as cartas que se extraviaram. Que se foda o tempo que passa. Que se foda não estar preparada. Que se fodam as conversas sobre bebés. Que se foda o corpo cansado. Que se foda fugir. Que se foda evitar. Que se foda perder tempo. Que se foda não ver. Que se fodam as ligações especiais. Que se fodam os cabelos espalhados pelo chão. Que se foda a garrafa de água vazia. Que se foda o saco de boxe. Que se foda a roupa espalhada pelo quarto. Que se foda se pinto mal. Que se fodam as apps. Que se foda ter sempre a mesma conversa. Que se foda a roseira que quer morrer. Que se foda ter medo de dizer não. Que se fodam os cheiros que nos levam em viagens no tempo. Que se foda o tempo que estou a demorar a ler o livro. Que se fodam os poemas que não compreendi. Que se fodam os armários da cozinha. Que se foda a barata que queria entrar comigo no prédio. Que foda quem olha para mim. Que se fodam os números. Que se foda o calor. Que se fodam as almofadas a mais. Que se foda que o mercado esteja em baixo. Que se fodam os gráficos. Que se fodam os elefantes. Que se foda o telemóvel. Que se foda este computador. Que se foda a roupa para o casamento. Que se fodam os sapatos que ainda não comprei. Que se foda a transformação. Que se foda a guerra. Que se foda o amor. Que se foda a aranha que se atrapalhou e caiu. Que se foda a coerência. Que se fodam as ilusões. Que se fodam as opiniões. 

 "O destino, quando lhe dá para aí, é capaz de escrever por linhas tortas e torcidas tão bem como Deus, ou melhor ainda" 

O resto? 

Que se foda. 

segunda-feira, maio 02, 2022

Chave do Euromilhões?

6.

13.

15.

18.

27.

O mês especial sempre foi Maio. 

29 dias para uma possível descoberta de estrelas. 


History in reverse.

segunda-feira, abril 25, 2022

Eos

Se existe alguém que pode personificar o alvorecer agora - és tu. 

domingo, abril 24, 2022

Metamorfose


Ideias formam-se na minha cabeça enquanto caminho pelas ruas, pelos jardins e pelas florestas. Penso sempre que me vou lembrar da intermitência que me chamou a atenção num momento mais oportuno para escrever sobre ela. Raramente acontece. Raramente me lembro. 

Sentada na relva ainda húmida, Ella fechou os olhos e deixou-se ser invadida pela inevitável paz que aquele sítio lhe transmitia. Pegou no caderno e começou a escrever sobre triângulos inacabados. Um cisne foi-se aproximando lentamente. Parou e ficou a olhar para Ella, deixando-se flutuar na água. Ella estava dentro de um videoclipe. O cenário cinematográfico e a música que estava a sair dos auriculares nos seus ouvidos tornou aquele momento idílico. O cisne começou a nadar e Ella sentiu que tinha de o seguir. Atravessou todo o jardim. Observou as árvores, o sol a querer penetrar por entre as folhas e os diferentes tons de verde que os seus olhos reconheciam. 

O cisne saiu da água e foi ter com Ella. Ficaram muito tempo a olhar um para o outro. Nem o cisne, nem Ella se mexiam. Às vezes não precisamos de palavras. Basta olhar para as cores e para as mensagens que quem se cruza connosco traz. O cisne trazia consigo leveza, luz, romance, melancolia, transformação e poesia no movimento. Tal animal majestoso trouxe consigo todas as verdades que Ella precisava de ouvir naquele momento. Chegou carregado de algo tão profundo que Ella não conseguiu compreender inteiramente. Quando lhe ia perguntar se o que estava a acontecer era real, o cisne bateu as asas e voou para longe sem olhar para trás. 

Ella formou um casulo no sítio onde foi abandonada pelo cisne. O paradeiro do cisne não se sabe e reza a lenda, que Ella nunca mais saiu do casulo. 

Lendas rezam-se, sim, mas ninguém sabe que uma mariposa branca pousou ontem no meu braço. 

segunda-feira, abril 11, 2022

Não se dorme, divaga-se

Sempre gostei de observar o aparecimento das letras e consequentemente das palavras enquanto escrevo. Parece magia. A possibilidade de transportar um pensamento para uma página e perpetuá-lo. É mágico. Gosto mais de escrever em papel, mas às vezes apetece-me ouvir o "clic clac" das teclas quando tudo está em silêncio.

Venho aqui a esta hora tardia, porque não consigo dormir. Devias evitar olhar para o ecrã do computador então, Joana. Sim, já sei isso tudo. Hoje é uma daquelas noites em que sei que não vale a pena insistir. Não me acontece muitas vezes, mas hoje sei que preciso disto. Preciso de fugir do dilúvio de reminiscências que as sinapses me estão a entregar e tentar partir para outras ideias. 

Isto foi desencadeado pelo filme que comecei a ver. Não, não foi só o filme. O filme ajudou porque me revi. Foi desencadeado pela decisão que tomei. Uma decisão que tinha de ser tomada mais cedo ou mais tarde. Eu acho que veio tarde. Que parva que sou. Que parva que fui. Ingenuidade? Talvez também um bocado. Acho que esperava mais de mim. Como é que depois de apenas um simples acontecimento perdi o equilíbrio da maneira que perdi? Não sei. Gostava de ter sentido as coisas de uma maneira menos infantil. Mas será que tinha sido tão genuíno como foi, se não tivesse agido apenas com o lado emocional? Por muito que me custe admitir, sei que tudo o que aconteceu não podia ter acontecido de outra forma. 

Os sentidos novos que ando a encontrar vão ser a alavanca para isto tudo mudar. Não vou cometer o mesmo erro de há uns anos atrás. Por muito pouco, não me deixei afogar. Estava-me a deixar ir agora, bem lá para o fundo, por isso é que precisei do ecrã. Do corte. 

Só mais um dia e vou voar. Voar daqui para fora, mudar de cenário. Outros cenários dão-me sempre a possibilidade de enraizar mais as ideias novas ou descobrir o que realmente preciso de fazer para avançar para onde quero. Há uns meses tive uma mudança de perspectiva em relação ao que gostava de construir daqui para a frente e é nessa direção que quero ir, porque pela primeira vez em muito tempo tenho uma certeza. Fui sempre fazendo as coisas no limite. Agora não quero que seja assim, mas para isso também tenho de parar de fazer merdas que me mantém acorrentada a abstrações que não passam de falsas crenças. Temos constantemente falsas crenças e damos significados às coisas que fazem com que seja muito mais difícil desprendermo-nos delas. Acreditamos e agarramos uma ideia por causa do significado que lhe atribuímos. A maior parte das vezes, o significado atribuído a algo, não passa de uma fabricação da nossa cabeça - que só está dentro da nossa cabeça, ou seja, não nos define! Estes produtos da nossa cabeça, podem então ser modificados quando nós quisermos, quando nós decidirmos e quando formos capazes. Há significados mais difíceis de transformar do que outros obviamente, mas acho que o poder está em saber que existe a possibilidade de o fazer, que não estamos entregues e ancorados a traumas do passado ou a determinadas ideias sobre nós próprios. Cada momento novo é um momento novo e nós podemos escolher quem queremos ser a partir de cada novo momento que criamos para nós. Temos de transformar os significados que demos a determinados acontecimentos, ou até a pessoas, para podermos realmente avançar com a cabeça resolvida ("não tenhamos pressa, mas não percamos tempo"). Se todo este processo fosse fácil, eu não estava a escrever sobre ele às 3h23 da manhã. 

Por agora chega. Vou tentar processar o resto das ideias a uma hora mais sã. Talvez o faça no avião. Sim, dentro do avião existe um tempo que não existe. Perfeito para divagações da madrugada.

sexta-feira, abril 08, 2022

Um passo para a frente e dois para trás.

Já estás habituada à dança.
Não gostas, mas já sabes que é assim. 
Conclusões deixam de ser incontestáveis. 

A vibração desce. 

Há algo estranho no ar. 
Todos os dias encontras alguém inesperadamente.
O que é que se passa?
E o encontro cinematográfico de sexta?
Se tivesse sido há uns anos ficavas a bater mal durante uns dias. 

A vibração sobe.

Que crescida que estás. 
Que bem que trabalhas as neuroses pontuais. 
E estão estas coisas a acontecer agora porquê? 

A vibração atinge um máximo.

Estás fodida. Foste tu que chamaste isto tudo. 
Estás fodida, mas sabes que tinha de ser assim.
Tens de levar tudo ao extremo,
tens de ter todas as sensações.
A torre cai. 
Tu cais.
Escombros. 

A vibração atinge um nível equilibrado. 

Vamos embora.
Um passo para a frente e dois para trás.

quarta-feira, abril 06, 2022

segunda-feira, abril 04, 2022

Crypto

 The end of life as she knew it.

domingo, abril 03, 2022

Acto 1

 "Tinhas alguma ordem lógica aqui?" - Ela olhou para ele com um ar confuso. Não será óbvio que tinha uma ordem na organização dos seus livros? Quem é ele para chegar à estante dela e começar a mexer nos livros todos à procura dos que tinham dedicatória? Quem é ele? Ninguém. As dedicatórias eram dela. Bastou um milissegundo para se aperceber das falsas convicções que alimentou nos últimos meses. O vidro partiu-se aos bocadinhos, a magia morreu. E agora? Agora inicia-se o teatro. 


"Hey i like your pictures what are you looking for" - ela disse-lhe que procurava sinais de pontuação. Ele respondeu que estava à procura de amigos e perguntou-lhe de onde é que ela era. Ela ficou incrédula a olhar para o telefone tentando processar tamanha lerdeza. Lerdeza. Que palavra. Não respondeu mais. A narrativa ficou pelo prólogo. 


"Buongiorno principessa" - ok. Querido. Meh. Formalmente sim, tudo o que fez foi atencioso. Ela sente-se desconfortável com coisas que ele diz. Infelizmente não consegue engrenar da mesma forma que ele. Receia que em breve ele lhe faça um convite. Ela vai dizer que sim. Ele tem um cérebro interessante e da última vez que se viram as horas voaram. Risos, poemas e cervejas. Ele gostou dela. Ela sentiu. Gostava de ser tua amiga. E agora? Agora inicia-se a escrita da peça. Vai correr mal. Que se foda. 


"A tua voz não é nada o que eu estava à espera" - ela também não estava à espera de sorrir quando ouviu a voz dele pela primeira vez. Assim é mais fácil. Mensagens de voz sem ter muito tempo para pensar e repensar no que se vai dizer. Tudo a correr bem? Sim. Combina o copo, vá. Tempo passa. Conversa esgota-se. Tic tac. Já não vai dar. Não, não iniciou o teatro desta vez. Ele tinha qualquer coisa. Ela ergue a muralha. Peça fica por escrever.


Acto 2

sexta-feira, abril 01, 2022

Ómicron

No outro dia comecei a contar uma história. 
Uma história que ficou inacabada, sem final triste, feliz ou neutro. 

Já devia haver um vírus a percorrer as minhas células.
As ideias ficaram turvas,
as palavras deixaram de se formar
e restou uma opção: hibernar. 

Quem diria que uma hibernação primaveril seria sinónimo de serendipidade?

Talvez tenham sido as alucinações causadas pelo estado febril,
talvez as epifanias transportadas por filmes aleatórios,
talvez as músicas que foram revisitadas numa condição cerebral débil. 

Não sei. Sei muito pouca coisa. 

Vieste em boa hora, Ómicron. 
Juntar um pouco mais de simbolismo ao processo. 
Mais uns dias e a metamorfose completa-se. 
Cada vez mais acho piada a esta capacidade.
E a Kausalketten, também acho cada vez mais piada a Kausalketten.

(Ödipus - Ómicron - gesto idiota)

sábado, março 12, 2022

The day a dog killed a dove

Weird synchronicities being noticed.
Being noticed or being looked for?
Doesn't matter. 
She wasn't looking for them the other day.

That day she wasn't swimming in lakes in her mind.
That day she managed to be present,
a dog chased a dove and killed it in front of her.
The day after she heard a song about birds flying the wrong way,
black and white feathers were left on the ground in front of her feet
and she just sat still and waited.

She waited.

What was it? Two second interval between the moment that dove was just minding its business and the moment it was being tossed around in that dog's mouth? 

SNAP. It's that quick. Life ended in a snap of fingers. Yin yang.

Weird synchronicities being noticed.
Being noticed or being looked for?
Doesn't matter.
She wasn't looking for them the day a dog killed a dove at her feet.

Incomoda-me

Quando as pessoas não sabem manter uma distância socialmente aceitável.

domingo, novembro 28, 2021

Switching tables

Today I watched the moon rise, 
it was brighter than usual.
Maybe the sun was refusing to set,
maybe both were having a fight. 

Brain rambles. I switch tables. Hope arises. 

You smile.
I watch you as you start telling me a story.
Your hands move soflty as you talk,
I feel the beauty of those gestures.
I'm not listening anymore. 

Unrest. 

Obscure thoughts and "what if" questions fill my mind. 
The turbulent shift in perspetive occurs,
fatal end before even beginning.
Welcome Mrs. Cold. 
Mind fills up with escape possibilities. 

The hourglass gets turned. Time's up - switch tables.

I look into your eyes.
Devotion, care and some other substance i cannot name.
I try to stand up, but my body doesn't respond,
and you, you're not moving either.

Something anchored us to each other,
something neither me, nor you, can name.

I smiled when you gave me the yellow rose
and never switched tables again. 

sexta-feira, outubro 29, 2021

Como se

Vi-te passar.
Outra e outra vez.
Foste passando. 
Nada dissemos. Nada dizemos. 

Vemo-nos passar
e acenamos educadamente,
como se eu e tu
não nos quiséssemos ver sem roupas.

quarta-feira, setembro 15, 2021

Unhas vermelhas.

Ela pintou as unhas de vermelho

e ao pousar a mão no papel

viu o futuro.

sábado, setembro 04, 2021

E se voltasses a escrever?

Sem ser no papel?

Aqui outra vez?

Talvez seja boa ideia. Está-me a apetecer. Agora. 

Agora. Amanhã não sei. Amanhã poderá vir outra vontade. Amanhã poderei querer voltar a pintar. Quem sabe?

Eu não. Eu não sei nada. Eu sei que gosto de estar aqui, gosto de olhar para as árvores cheias de folhas verdes, gosto quando não há carros a passar, gosto dos filmes que se desenrolam na minha cabeça. 

Divaga. Sempre o fiz bem. Arte? Sim. É arte, sim. Para mim. 

Para ti? Para ti nada. Só para mim. As árvores, os carros que não passam, os filmes... Tudo isso é meu.

quarta-feira, julho 07, 2021

Férias

O sabor a férias mudou com o tempo,
não para melhor,
não para pior.
O sabor a férias mudou. 

O cheiro a férias de Verão ficou diferente. 
Antes, cheirava a novidades,
a possibilidade, a aventuras. 
Agora, cheira a saudade. 

Antes não sabia que pouco permanece. 

terça-feira, março 02, 2021

Carta perdida 5

Vai à janela.

Voltaste?

Sim. Para te ver.

Podes ficar sempre?

Se me deixares. 

Ajudas-me?

Abre os olhos.

Vou abrir a porta. Entra.


(e nunca mais atirou pedrinhas à janela)

segunda-feira, março 01, 2021

Carta perdida 4

Perspectivas. 

Será a consequência de uma ação, maior 
que a consequência de uma não ação?

Claro que sim. 
Eu é que ainda não sabia. 

E agora? 
Agora agimos honrando a epifania. 

Porque... Porque não?

sábado, fevereiro 27, 2021

Carta perdida 3

 Ele uma vez disse: 
"Todas as cartas de amor são 
Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas."

E eu nunca esqueci
que todas as cartas de amor,

se verdadeiras,

têm de ser ridículas. 

sexta-feira, fevereiro 19, 2021

Carta perdida 2

Gostava de te contar que comecei a pintar.
Sim, para fugir um pouco dos ecrãs. 

Hoje pintei medusas enquanto pensava em ti.
Não te transformei em pedra, mas ergui uma muralha.
Entre ti. Entre mim. 

Entre nós, nunca. 

segunda-feira, fevereiro 15, 2021

Carta perdida 1

Ouvi dizer que mudaste de cidade. 
Não estás longe, mas já não estás à distância de um passeio. 

Dei-te tudo de mim.
Deste tudo de ti.
No entanto só te conheço a voz. 

Por fim aprendi.
A vida é hoje. 

E agora, onde estás?

terça-feira, junho 09, 2020

A carta que nunca te vou escrever

Tu foste-te entranhando em mim aos poucos.

As trocas de olhares começaram numa qualquer noite no Lux. Eu dançava e dançava. Sabia que te querias aproximar. Aproximava-me eu. Pouco. Muito pouco.

Faísca. Medo.

Uma noite ou outra levou-nos a que me levasses a casa. Falámos muitas horas, não foi? Tantas horas dentro de um carro. A falar.

Faísca.

O lanche para te ajudar a traduzir partes da inscrição para o mestrado em D. Que nervosos estávamos quando saí do trabalho e te vi ao fundo ao pé do carro. Esse foi o nosso primeiro date sem querer, ou melhor, querendo, mas sem o mencionar. Lembro-me que no final me querias dar boleia para casa, mas eu disse que não e… Afastámo-nos um do outro deixando um enorme espaço em branco para um beijo.

Faísca.

Muitas mensagens. Muitas trocas de músicas.

Faísca.

A caminho do trabalho a ouvir Kendrick e sentir um sorriso rasgar-me a cara, porque estava a pensar em ti.

Faísca (que saudades).

Quando saímos do Bliss e nos deitámos no meio do nada em cima de umas pedras brancas. Nem eu, nem tu, tivemos coragem para fazer o que queríamos.

Faísca (tanto tempo a passar).

Eu vou ouvindo os teus planos, tu vais ouvindo os meus. Vais e voltas. Falamos e não falamos. 

Faísca.

Acho que estava a sentir algo really, really real e isso influenciou todas as minhas atitudes pouco saudáveis.

Faísca (isto pode ser especial?).

No dia e na noite em que trouxeste a garrafa de vinho branco. Em que me tentaste mostrar True Detective e eu não me conseguia concentrar. Fase de crises de ansiedade. Fase de medo de mim mesma. De tudo o que estava a acontecer na minha vida ao mesmo tempo. Tudo o que se estava a passar fez com que te deixasse passar também. Não te vi e não deixei que tu me visses. Senti-me muito insegura nessa noite em que quase te expulsei de minha casa. Estava a lidar com crises de ansiedade diárias. Com o final do curso. Com a despedida da Z. Deixei que te perdesses no meio de tudo isso e não te deixei entrar o suficiente para me ajudares. Acho que devo ter tido medo de te aborrecer. Sempre tive medo de me mostrar frágil. Digo-te hoje, nunca me senti tão frágil ou perdida de mim mesma como nessa altura.

Nevertheless, faísca. First kiss.

Dois miúdos que não souberam ver? Eu deixei escapar tudo. Para variar, pensei demasiado. Não me deixei levar. Tu também não, sejamos verdadeiros.

Naquela noite em que ambos dissemos: “finalmente” podia ter sido a primeira de muitas noites. Racionalizei outra vez. Tu, em poucas horas, também quiseste definir o que se estava a passar entre nós e isso matou-me um bocadinho. Foram muitas processos cerebrais errados. Acho que devíamos ter pensado menos, sabes? Acho que teria sido giro. Talvez ainda estivesse a ser. 

Sabes o que me fez reviver a história? Ver a tua gravação para a o vídeo do T. Eras tu ali a falar. O teu jeito tímido. O teu olhar. Aqueles 30 segundos estavas a falar para mim. Apeteceu-me ter-te ali ao vivo à minha frente, sentado no sofá, como antes, e ver-te sorrir enquanto eu te contava mais uma das minhas histórias. Contei-te tantas histórias minhas... 

Senti a faísca outra vez. Fizeste-me sorrir. Gosto da tua cara, da tua calma e da tua confiança disfarçada.

E como nunca te vou escrever esta carta, não será tarde dizer-te que sempre gostei de ti.

terça-feira, novembro 05, 2019

Redirecionar

Redirecionar. A ideia que me veio agora à cabeça. Redirecionar.
Talvez faça sentido também escrever nestas alturas. Talvez também seja algo bom. Fingir que não estou minimamente atenta ao que se passa à minha volta. Estou. Sim, sei quem entra na sala, quem sai, onde se sentam. Não quero mostrar que estou atenta. Mantenho o meu olhar focado no ecrã. Ponho o cabelo atrás da orelha para verem que estou a usar phones. Bloqueio completo. Tentativa disso. Agora não dá. Agora não consigo, não quero falar com ninguém.
Nunca me tinha acontecido quase perder o controlo. Não neste contexto. Não aqui. Não perdi o controlo total, há algo positivo a reter disto, mas gostava de perceber que alavanca puxei. Quase chorar de raiva... Como assim? Quem és tu?

Vá, vamos voltar à realidade. Vamos sentir-nos normais. Vamos processar esta merda de turbilhão de emoções. Afinal, há uma hora estavas precisamente a falar disso, da regulação de emoções. Parece que me estão a testar todos os dias. As pessoas erradas! Como assim não percebeste o que te disse três vezes de seguida??? Quem és tu sequer para dizer como eu devo ou não proceder? Como assim?


Back to reality in 10.


sexta-feira, novembro 01, 2019

Perdida no tempo

2010 - 2014
- Sumo de limão
-  O meu irmão vai viver para Madrid. Gosto tanto de ser irmã dele.
- Take the mask off when you speak to me
- Ganhaste. Estou mais triste que tu.
- Das ist eine Blume für Fredo. Quero uma igual.
- Queria ir saír. Queria ir dançar.
- Corto o cabelo? Bem curto?
- Adoro o teu anel. É meu. É perfeito.
- Blue Valentine.
- Diogo, primeira visita.
- Zni, please be OK.
- Please send me a sign. As insignificant as it may be, just asking for a little sign. 
- Estou tão triste que nem me apetece chorar. 
- Quero fazer uma viagem contigo. Quero desesperadamente fazer uma viagem contigo. 
- Se pudesse pegava em todos os cães abandonados e tomava conta deles. 
- Parabéns Zni. 6 Anos. Obrigado por seres a minha amiga sempre. Vou falar contigo agora. 
- Zni, não estejas a ficar velhinha. 
- Acho que me apaixonava por ela. 
- Nova fonta de inspiração. Que bom enccontrar-te.
- Vou deixar de fumar. É muito caro.
- Belém. Rio. 
- Roma.
- Qual o peso das palavras?
- Piri day. Little Lulu day.
- Vamos resumir os anos todos numa noite louca? Noite e dia para ser mais giro, para ser mais intenso, para ser também mais sincero porque assim é mais fácil. 
- So I start a revolution from my bed.
- Like a heightened sense of things.
- Estou no limite dos limites. O meu coração está farto das acelerações, a minha cabeça já não funciona bem. 
- Lua - gosto dela cheia.
- " Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam"
- Já tive mais certezas do que agora. Agora estou a voltar ao que era. 
- Mafalda. O mundo dela. 
- Losing myself in a song.
- Será assim tão perfeito como parece? Não estarei a criar ilusões na minha cabeça?
- Gosto de encontros inesperados. Principalmente o de ontem.
- You don't feel like you did but you don't know it yet.
- Se eu pudesse ter visto o futuro. Olha. Era. Sem.
- Quero ter um mealheiro cheio de moedas e notas e cartas de amor. 
- Odeio chorar de raiva. 
- I love you more than songs can sing but I can't keep running after yesterday. 
- Vais voltar a andar. Against all odds. 
- Pequenas reações alimentam-nos todos os dias. Do tamanho de formigas entranham-se em nós e fazer com que cada dia seja possível viver. Muito devagarinho. Um passo de cada vez. Às vezes não é o suficiente e sinto-me a caír, sinto o chão a abrir-se por baixo de mim e não dá para que me agarrem. 
- Sbrighstest Spolvos.
- .......................



terça-feira, junho 05, 2018

Para sempre minha Flor

Adormeceste para sempre. Quantas horas estiveste tu com a cabeça no meu colo? Quanto tempo esperámos ao teu lado? O tempo deixou de existir durante uns dias. Não tinha significado real. No dia em que adormeceste foi o dia em que contei todos os segundos dentro dos minutos. O tempo não parava, mas também não estava a passar. Relatividade nova.
A tua flor está a começar  a abrir. Já fazes parte de algo vivo outra vez, para além do que para sempre teu permanecerá vivo em mim.
Lembro-me de ti todos os dias. Há dias mais tristes que outros. Consolo-me com a certeza de que me pediste paz e eu deixei-te ir... Descansar.
Obrigada por todo o amor que me deste, por tudo o que me ensinaste, por tudo o que em mim transformaste.

Para sempre minha Zni, para sempre. 

sábado, outubro 01, 2016

A lu ci na ção

Alucinação. 

É assim que crescemos agora.

Sonhei com os teus olhos. Estavam verdes, castanhos e azuis. Não, não havia vinho pelo meio. Todas as cores daquele sonho estavam a ser transmitidas por um cérebro sem nuvens. Até fui pôr os óculos enquanto dormia. Queria ver melhor o que os meus olhos fingiam olhar. Abri o armário e lá estavam eles, os olhos verdes. Olhavam para mim com ternura, com amor, com saudade, com vontade de me ficarem a olhar para sempre. Desviei o olhar ao sentir o sabor a sal nos lábios. Vou ter um filho com olhos verdes. Sabem vocês todos que terá olhos verdes, dê por onde der. Desafiando biologias e genéticas estandardizadas. 

Liguei a água do duche. Os olhos castanhos pairaram à minha frente. Olhei para eles e suspirei. Eles traziam consigo um pedido de desculpas, um nó de arrependimento, um vazio que só poderia ser preenchido se o tempo voltasse atrás. Encolhi os ombros e que o passado não volta, que as decisões foram tomadas. Disse-lhes que sempre tive pena, tanta pena. Anos de desencontros acabam por cansar e os que vivi com aqueles olhos... Foram demasiados. Nunca mais os vi, nunca mais me tinha lembrado deles. Desliguei a água. Evaporaram à mesma velocidade em que os espelho se desembaciou. 

Abri a porta de casa e entrei no elevador. Depois de carregar no botão olhei para o espelho e vi os olhos azuis. Inocentes, infantis. Idolatração, paixão, brincadeira. O que faltou para me conseguirem olhar sem medos? Perguntei ao olhos o que lhes tinha acontecido. Se estavam bem, se precisavam de falar comigo, se queriam voltar atrás. Silêncio. Olharam para baixo e antes que saísse do elevador, foram eles que desapareceram. Não me consegui mexer mais. Fiquei naquele elevador. As portas abriram-se vinte vezes antes que conseguisse sair. Os olhos não voltaram. 

Alucinação. 

quinta-feira, agosto 11, 2016

Change your heart, look around you

Some time. Everybody's gotta learn. That's what that song whispered. You heard it before so many times, but only now, only now you really understood, or only now, it really made sense inside of your heart. Stop chasing the wrong things... Start looking at the other side of the curtain. It has been said that the other side beholds what you blindly ignore in your every day life.
Late thoughts lost in amidst of red, red wine are usually the truthful ones. If not the truthful ones, then the ones with a little bit of truth biting your insides.
In life, CTRL-Z doesn't work. What's done is done. Run away. Correct it. Live with it. Whatever path you choose, it's done baby.
Will risk something now. The time is now. Until the morning

quarta-feira, julho 20, 2016

L.O.V.E

O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Estremecer.
Contorcer.
Envolver.
Respirar.

Um uivo quase desesperado no teu ouvido. Chamei, chamei, chamei. Só passado muito tempo é que ouviste e aí já eu estava no fundo da toca. Se tinhas medo antes, agora então sabias que a tua maneira de ver o mundo iria mudar. Eu trazia a loucura nos olhos e tu cedeste ao poder hipnótico. Rasgaste-me o vestido vermelho. Eu comandei-te.
O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Estremecer.
Contorcer.
Envolver.

Abro e fecho os olhos. Tento entender a realidade... Estou confusa. Acabei por te ir buscar para me matares a sede. Mata. Matas tão bem. Os teus olhos mudam de cor a cada beijo que te dou. O teu peito transforma-se em tela onde pinto o significado de desejo.
O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Estremecer.
Contorcer.

Tranquilo. Agressiva. Lento. Provocadora. Sereno. Desesperados!
O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Estremecer.

Podíamos ter ficado semanas ali deitados. Ficámos tanto quanto pudemos. Tu. Eu. Eu. Tu. Descobriste como o meu corpo funciona. Eu descobri como te tocar. Promete-me que nunca vamos deixar ninguém meter-se entre nós. Prometo. És tu.
O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.

Lutar.

terça-feira, julho 12, 2016

Ideias

Acho que vou para a praia. Queria uma deserta, mas não sei onde arranjar uma dessas nesta altura do ano. Posso sempre fazer da praia, deserta... Entrar no mar, nadar um bocadinho e olhar só para o horizonte. Deixar de sentir o peso do corpo. Sentir que aquele momento pode durar para sempre. Eu, o azul, o flutuar do corpo, da cabeça, de tudo o que me parecia importante e ali se esvai. Ali sai de mim. Ficar limpa da todas as ideias. Comecei a gostar mais da praia no dia em que me apercebi deste poder. As fotografias saem da minha cabeça, deitam-se no mar e vão-se embora ao sabor das ondas... Claro que voltam, o mar não tem poderes mágicos, mas voltam reformuladas.

segunda-feira, julho 11, 2016

Numa gaveta

Vi um filme. Vi dois. Vi três.
O terceiro foi sem querer. Foi um daqueles filmes que me sentei a ver, porque sim. Filmes que não vemos. Filmes que só vemos quando o cérebro já não consegue comer mais nada a não ser entretenimento fácil e fácil...
O momento crítico foi a parte em que me virei para o meu imaginário, falei na língua que não me lembrava mais saber e perguntei "e agora como é que ele se vai salvar se são todos maus?!!". Perguntei-te a ti, baby. Perguntei a nós. Perguntei à nossa relação. Vi-nos ali deitados no sofá (eu a 15 minutos de adormecer, tu felicíssimo por eu ter cedido a ver aquele filme). "Vais adormecer de qualquer maneira, vá lá". Tive tantas saudades disso. Tantas saudades desses momentos, outrora constantes e garantidos. Agora em pausa até aparecer alguém que encontre o mesmo significado no simples facto de estarmos ao lado um do outro. Queria dizer-te, queria gritar ao mundo que senti saudades tuas, saudades nossas. Tantas saudades daquilo que éramos juntos. Tu e eu. Eu e tu dentro do nosso pequeno mundo. Um mundo cheio de coisas boas, um mundo cheio de gargalhadas, palmadas e beijinhos. Um mundo em que fui tão feliz só por saber que naquela noite ia poder adormecer no teu peito e que no final do filme tu me ias arrastar para a cama, deitar-me (eu é que acabava por te deitar, apesar de todos os protestos). Aquele abraço antes de adormecer, aquele momento de infinita cumplicidade, aquele momento em que encostávamos a cara um no outro e assim permanecíamos até ao dia seguinte. 
Admito. Andei cheia de saudades tuas nos últimos dias. Saudades tuas talvez não seja a denominação certa da coisa. Nostalgia talvez torne a situação menos assustadora para mim. No entanto, seja qual for a descrição mais ou menos adequada, o que permanece é que senti e o que senti foi um vontade louca de te agarrar. 
Sim, isto é tudo normalíssimo. Q.b. Tudo normalíssimo q.b...
Amanhã já passou, depois de amanhã passou mais. Já aconteceu uma vez e foi porque... Porque estava sensível. Acho que voltei a estar sensível... 
Sai, sai. Fui às gavetas pegar nestas brincadeiras. Encontrei pedaços de qualquer coisa que na verdade já é nada.  

sexta-feira, junho 03, 2016

Braços Pintados

1.54.
Aterrador. 
Ligaste isto na esperança de teres algo a dizer, na esperança de fazeres a vontade de dormir chegar. Ligaste isto porque tens tanto a dizer, mas tens de ficar calada. Tens de te manter à tona e, para isso, há que silenciar os pensamentos que têm vontade de ser formulados pela tua voz. 
20 dias e estás livre para viver com mais tranquilidade. 20 dias. Não é nada comparado com todo o tempo que passou desde que aqui deixaste o teu último testemunho. Só tens de manter-te com a cabeça fora da água da maré que teima em subir nas alturas menos propícias. 
Suspiro. Suspiro. Suspiro.
Tinta verde no braço direito e uma mistura de cores azuis e vermelhas no esquerdo. Se não fosse isso, provavelmente já tinhas naufragado. A tinta, os abraços, a sensação de que a tua presença faz a diferença a tantas pessoas aquece-te o corpo. Tudo faz sentido. Todo este esforço há-de ser recompensado. 
Pela tinta verde e por todas as outras cores, sabes que não podes deixar que a mistura se torne negra. Lava a caixa de tintas. Limpa cada aguarela até que volte a ter a sua cor normal. Não é difícil, só é preciso tempo.
Tens medo de não ter tempo. 
Tens tempo. Sabes disso. 

sábado, março 19, 2016

Cometa

Os papeis colados na janela estão a perder o seu aspecto normal por causa da humidade. Estranhamente só aconteceu este ano. Há uns papeis que estão ali pendurados há tanto tempo e nunca mudaram de cor... Este foi o ano. 
Estou a falar de papeis, mas o que me trouxe aqui hoje, não foi o papel húmido. Não foi a vontade de registar de forma mais permanente o que neles fui escrevendo. O que me trouxe aqui foi a história que me contaram. 
Por causa dessa história voltei a ver-te. 

Diz-se que antes de morrermos, vemos a nossa vida toda passar-nos à frente dos olhos. Nos filmes esse momento é retratado como uma rápida passagem de imagens com aquilo que é considerado mais importante para a personagem prestes a perder a vida. Gosto de acreditar que é isso que acontece antes de morrermos. Em vez de sentirmos medo, dizemos adeus ao mundo revivendo aquilo que melhor nos fez ao longo da vida. Assim sim, iremos (provavelmente) em paz. 
Acredito que haja outros momentos em que temos o privilégio de assistir a uma montagem cinematográfica de pequenas partes da nossa vida feita por nós e só para nós. Porque é que o nosso cérebro nos sujeita a tal? Por muito que ir buscar memórias recônditas de um tempo diferente do presente possa ser bom e nos estampe sorrisos na cara, pode também trazer a saudade. A saudade desses tempos que já lá foram e não, não há nada que possamos fazer para voltarem. Já foi vivido, está despachado. A sensação de saudade tanto pode ser desesperadamente boa, como desesperadamente inútil, irreal e guiada por picos de sensibilidade XXL. 
Seja por que razão for, venha por onde vier, é nostalgia e não lhe vou chamar outra coisa mesmo que tenha a sensação de me estar a deixar levar por um momento de total fraqueza.

Hoje fiz um filme contigo. Apareceram-me imagens na cabeça que já não via há anos. Imagens que já nem sabia ter vivido. Voltaram, vieram, chegaram, entraram. Sabes o que aconteceu? Dei por mim a limpar lágrimas dos olhos. Parecia fazer sentido sentir-me assim, mas por outro lado, não fazia sentido nenhum. Estás tão longe. Está tudo tão longe, tão dito, tão ultrapassado. Quase que te liguei. Pelos velhos tempos, quase  que peguei no telefone. O que te diria? Não faço a mais pequena ideia. Só sei que naquele momento, qualquer coisa faria sentido.

O momento passou. Fui acordada pela realidade. Uma realidade real. Sem fantasmas do passado. A euforia momentânea que invadiu o meu corpo, desenterrou-me do buraco na terra no qual me estava a afundar. Nunca vais saber que o fizeste. Não to vou dizer porque só te deixaria preocupado.

Como um cometa. Esperei. Quase que pedi. Passou por mim e ateou as entranhas que dele sempre de alguma forma se alimentarão. Mas desapareceu agora.

Fraquezas. Teremos todos sempre. Gostava de te ver, não minto. Talvez dizer-te... Que nunca como crianças.

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Invencível? Não.

Não me está a fazer nada bem este diálogo constante com a minha cabeça, mas a verdade é que também não quero preocupar ninguém antes que seja necessário.
Tenho medo.
Tinha de ser... Logo no ano em  que eu deixei de pensar que era invencível.

sábado, fevereiro 13, 2016

Nunca foi

Foi uma saída lenta, muito lenta. A verdade é que todas as tuas saídas foram sempre lentas, muito lentas. Eu é que as fiz lentas, eu dou demasiada importância a coisas pequenas.
A verdade é que esta última foi diferente de todas as outras. Estava à espera que entrasses, que ficasses, que me chamasses e me dissesses outra e outra vez aquilo que já antes foi dito. Estava à espera do mesmo de maneira diferente. Estava à espera, porque estava confiante de que havia algo para dizer. 
Enganei-me. Graças a esse engano percebi finalmente o meu lugar na tua vida. Não tenho lugar. Nem vale a pena dizeres o contrário. As palavras existem para as usarmos, mas temos de moderar o que dizemos se não é aquilo que realmente pensamos. Já te ouvi falar muito. Já acreditei em cenários que pintaste. Já ouvi também muitos silêncios. Já deixei de te ouvir por completo. Nunca foi justo. Fui-me alimentando das palavras que me davas quando te era permitido. Os momentos, mágicos na minha cabeça, eram o suficiente para me manteres ancorada a qualquer coisa que eu nunca soube bem explicar. Terás tu tanta falta de senso assim, Joana? Era por seres tu. Era por me mostrares que ainda existe o especial. Era por me leres e tudo se mostrar simples. 
Nunca foi simples. A simplicidade nunca existiu. Era simples se nos tivéssemos deixado levar alguma vez, mas por ironias do destino, por casmurrice, por andarmos de olhos fechados... Fomos sempre achando que não. 
Numa noite achamos que sim, num encontro inesperado achamos que sim, num telefonema achamos que sim - o resto do tempo fingimos que não nos conhecemos. Fingimos que quando comecei a ir em tua direcção no outro dia para me despedir, não me pedias com os olhos para ficar. Fingimos que eu não me encaixei em ti durante os milissegundos (6 ou 7 a mais que o normal) que dura um beijo na cara. Fingimos...
Foi bom fingir contigo. Foi bom o tempo que passei a montar um castelo na minha cabeça. Foi bom encontrar-te no meio de todos e depois de tudo. Os anos vão passar e vamo-nos vendo quando calhar, quando for sem querer. Conheço-te, mas no essencial serás sempre um estranho. Sei que pensas o mesmo de mim. Hoje, sei que saíste para não mais voltar da mesma maneira. Não foi preciso dizermos nada. Não analisámos, não supusemos, não combinámos. Tirei-te daqui, porque já não tenho espaço para ti. E tu... Tu nem te apercebeste.
E eu deixei de achar que sim.   

domingo, novembro 22, 2015

Frágil

Apenas de vez em quando. De vez em quando as minhas defesas ou as minhas capacidades de abstracção descem para níveis inferiores ao que eu quero. Nesses de vez em quandos, parece que as lições todas que aprendi ou as fugas que fiz deixam de fazer sentido. Mesmo que só por uns segundos, nesses momentos penso que com apenas uma palavra tua, atiraria todas as minhas crenças pelos ares e saltava de para-quedas para uma aventura contigo.
Se te afasto e passo dias sem pensar em ti sinto-me livre. Aliás, mais afastado que agora nunca estiveste. Ainda bem que te foste embora. Ainda bem que nos despedimos à chuva. Ainda bem que não nos queríamos despedir. 
Acho que tu és mais uma prova de que eu sinto as coisas em demasia ou que vivo momentos com uma intensidade mais forte do que o considerado "normal". Sempre fui assim. Sempre me perdi por causa disso. O que vale é que os anos realmente servem para algo e agora já sei reconhecer quando me estou a enterrar em sonhos. O caminho da salvação é deixar-me enterrar até que chega o dia em que percebo que já chega. O enterro é tão intenso que não pode durar muito. Consome-me. Consome tudo à minha volta. Dita os meus caminhos, dita as melodias que me rodeiam e dita o que serei a seguir. O a seguir é sempre melhor, mesmo que questionado pela estupidez de ter de passar pelos momentos maus. Vivo-os e depois saio e afasto-me deixando um abismo entre o agora e o que antes existia. É a minha forma de cura. Não, não é fácil. Não tem atalhos. Passa à velocidade que eu conseguir atingir e o que me salva pelo caminho é a certeza de que tudo passa. Leva anos por vezes, mas tudo passa. 

Dias como hoje, ou melhor, momentos como este (porque não vai ser mais que um momento, porque daqui a bocado já me esqueci do peso que senti no peito, porque a verdade é que realmente não é mais que isso: um momento) acontecem várias vezes. Confesso que já estive mais desligada, mas sempre que desligo aparece qualquer coisa que me volta de alguma forma a ligar a ti. Em todos os sentidos tu és a pessoa errada, mas fazes-me tremer. Em todos os sentidos tu não fazes sentido nenhum, mas quando olhas para mim nada mais existe. Em todos os sentidos o certo é ficarmos como estamos, mas neste momentos vou sempre desejar um sinal de vida teu. 

O momento já está a passar e tenho mais com que ocupar a minha cabeça. Fica por aí, seja lá onde for esse teu jardim e eu fico no meu. As despedidas já foram mais que muitas, o que faltou sempre foi dizermos adeus. 

domingo, novembro 15, 2015

Quando não consegui escrever

Há dois... Há um... 
Há o agora. 
Imaginá-lo seria impensável. Assim como o foi... Há dois... Há um...

Nunca é como imaginas, nunca estás à espera das coisas que mais em ti se entranham. Só percebes na altura do adeus. Quando mais uma vez algo não correspondeu ou quando algo apareceu apenas para ser explorado. Para te devorar as entranhas e depois sair sem se despedir. Mal educado! Não pede autorização para entrar e depois também se vai embora sem perguntar se te vai fazer falta, sem perguntar se ainda pode fazer algo por ti. Mal educado... Tu, ele e todos. 

Estive a ver os de há dois e os de há um... Foram situações tão diferentes, foram sentimentos tão novos. Foi tudo novo. A única certeza que tens de há dois, é que sentiste tudo o que havia para sentir e conseguiste salvar-te do tremor de terra a que tudo de ti foi sujeito. Hoje, revês esses momentos com nostalgia até. Não gostavas de voltar a passar por eles, mas se não fossem eles... Se não fossem eles, hoje não escreverias assim. O de há um ainda hoje te remexe as ligações racionais e irracionais. Remexe pouco, mas o suficiente para precisares de escrever. Mais uma vez, sem pedir autorização para entrar, entrou e saiu de rompante. Volta em ondas ou volta em memórias, mas volta. Dá voltas e voltas dentro de ti. Não querias e sempre disseste que não. No final... No final perdeste a batalha contra ti mesma. No final admitiste que afinal fazia todo o sentido.

Serão os finais sempre um sinónimo para "tarde demais" ou serão eles novos princípios ao percebermos o que queremos? Quando digo que algo chegou ao fim normalmente associo a conclusões, logo parece que chegou ao fim. No entanto, também sei que cada fim abre espaço a algum novo começo. É assim a volta... Só se começa algo depois de acabar algo que também algum dia começou. 

Sonho demasiado acordada. Deixem-me estar. 

sábado, novembro 07, 2015

O que aconteceu, afinal?

Há dias assim. Dias em que choras. Choras porque és humana. Choras porque às vezes é bom lembrar que ainda o tens dentro de ti. 
Foram as imagens que te passaram pelos olhos. Foi a vontade de te ver dentro daquelas imagens que te entristeceram. Não pode ter sido só uma vez! Não quero acreditar nisso! Não acredito e sei que não acredito, mas há dias assim. 
Deixei os livros de lado e encostei-me à almofada durante muitas horas. Às vezes é essa a meditação de que preciso. A forma antiga, o aconchego familiar. 

quarta-feira, julho 01, 2015

Verão

Lord of the flies

Homo Faber

1984

Indecision

A Insustentável Leveza do Ser

Admirável Mundo Novo

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Tranparente Para Si

Pouco me conhece.
Pouco de mim viu.
Cada palavra que projecta na minha direcção é verdadeira. Cada pequeno facto que balbucia atinge um ponto certo. 
Todas as vezes que fala comigo faz com que se forme um nó na minha garganta. Será pela experiência de vida? 

Será porque no fundo sou mesmo transparente e o meu sorriso é afinal fácil de ler?

sexta-feira, janeiro 16, 2015

You make me smile

"Why everything that's supposed to be bad make me feel so good?
Everything they told me not to, is exactly what I would
Man I tried to stop man, I tried the best I could"

domingo, janeiro 11, 2015

Um dia peço-te em casamento

Bastou um telefonema.  Do outro lado ela ouviu a palavra "sim" e todo o seu corpo se inundou de adrenalina. Sorriu de felicidade. Quase chorou de felicidade. Parecia uma barata tonta a andar de um lado para o outro pela casa. Pôs a tocar todas aquelas músicas que sempre a encheram de boa disposição, aquelas músicas que dizem "ganhaste".
Olhando para trás, olhando para tudo o que viveu, tudo o que passou... Sim, parece que estava tudo escrito para ser assim. O timing foi o ideal - estava tudo na mesa por esta altura para ela se decidir pelo caminho certo. 
Não foi difícil decidir. Tomou finalmente as rédeas da sua vida e ganhou ainda mais força ao saber que todos os que realmente importam, a apoiavam incondicionalmente. Começou tarde, mas começou. E ainda há tanto para escrever nesta história. O ponto de partida foi agarrado e agora? Agora não há meta, porque ela sabe que não há nenhum limite ao qual se queira impor. Porque é que não foste sempre assim? Porque é que antes não acreditavas que podias dominar o mundo? 
Agora ela acredita. Agora, os pés estão assentes na terra, o equilíbrio foi atingido e não, não há nada nem ninguém que se possa meter no seu caminho. 

No outro dia dei por mim a olhar para ela em puro estado de hipnotismo. Ela só se estava a arranjar para sair para o trabalho, mas eu tinha à minha frente a imagem mais bonita do mundo. Enquanto trocava de camisola, penteava o cabelo, punha os anéis e o relógio ... Todos esses passos mundanos transformaram-se numa coreografia mágica, porque, como sempre, ela ia abanado a ancas para aqui e para ali ou fazia aquele movimento com os ombros daquele jeito só seu, ao ritmo da música que não dispensa ouvir logo pela manhã. Ela é linda e é minha. Ela é de outro planeta. E como eu a encontrei, ou melhor, como consegui que ela visse em mim alguém merecedor de observar todos os seus jeitos e manias, permanece um mistério. Ela podia ter quem quisesse, porque eu bem vejo como a olham, como gostam daquela cabeça aluada, divertida, inteligente, sempre com uma resposta na ponta da língua. Não a provoquem, ela tem sempre resposta e ganha qualquer discussão. E quando não ganha com os pontos todos, não tem vergonha de admitir que falhou. Ela atrai porque é linda, porque brilha e depois fala e arrebata corações, porque brilha ainda mais. 

Ela é minha. Não, não é. Ela é só sua e eu só a tenho porque aprendi que aquele fogo tem de ter toda a liberdade para arder e, só assim, é que ela será feliz. Sendo de alguém, mas sabendo que pode ser sua, sempre. Só me resta agradecer aos que não a viram. Aos que a tiveram, mas que não souberam lidar com a força que ela é. E, como sempre, se não a vêem, ela perde o interesse. Agradeço a todos os caminhos que ela percorreu, pois cada passo que ela deu, foi uma mudança de direcção para se aproximar cada vez mais de mim. Nem eu, nem ela sabíamos... Só no final (que nunca é o final), é que tudo faz sentido.

Um dia vou-lhe pedir em casamento, sabendo que nem aí ela será minha. Tê-la, é sobreviver às discussões de perder a cabeça, sabendo que cada uma delas transforma a nossa visão um do outro em algo maior e melhor. Tê-la, é conhecer o pináculo de fidelidade em todas as situações com que nos possamos deparar.  Tê-la, é saber que ela acredita que um dia vai andar comigo de mão dada, quando eu provavelmente já precisar também do apoio de uma bengala na outra mão. Porque sei que ela acredita no amor, sei que ela é romântica mas não o diz a ninguém. Sei que vou ter uma melhor amiga até que um de nós adormeça e não acorde mais. 

Ela é minha. E logo eu, a tenho a ela. Logo eu, que nunca joguei na lotaria. 

terça-feira, janeiro 06, 2015

2015

Trambolhões induzidos. 
Desejos reprimidos. 
Caminhos abertos.
Porta fechada.

Eu.
Hoje.
Agora.
Aqui.

Renovados os sentidos.
Esperas ultrapassadas.
Tudo comigo.
Nada com outros.

Eu.
Hoje.
Agora.
Aqui. 

O novo ano é mero simbolismo.