segunda-feira, março 13, 2023
Era uma vez uma Hera
quinta-feira, março 09, 2023
De repente. Não mais que de repente.
Náusea.
Gosto muito mais em inglês: motion sickness.
Menos enjoativo.
Além disso é o nome da música que me trouxe aqui. Começou a tocar de repente e de repente, não mais que de repente, eu estava em Madrid com a C. De repente, não mais que de repente, chego à conclusão que esse evento foi há 10 anos e sinto-me nauseada. Positivamente nauseada. Nauseada porque de repente, não mais que de repente, todas as sensações, ideias e ingenuidades de uma vida com menos 10 anos de experiências em cima tomaram conta da minha cabeça. De repente, não mais que de repente, eu estava em Madrid a dançar, a cantar, a ser idiota pelo Retiro e a ver o mundo a passear enquanto bebia uma cerveja na varanda do D.
De repente, não mais que de repente, fiquei leve.
quarta-feira, março 08, 2023
segunda-feira, março 06, 2023
Vou contar-vos uma história
Uma história daquelas bem simples. Uma história que, de tão simples, nem valeria a pena contar, não fosse a minha vontade.
A história acontece numa cidade perto do mar. Há sempre uma brisa no ar que vai ditando o que cada um sente. Parece que brisa traz com ela todas as verdades do mundo. E frio, também traz algum frio à noite.
Os dias passam e a nossa protagonista perde-se em horas passadas na praia, perde-se em horas a tentar ter conversas que a enriqueçam. A tolerância para conversas banais parece cada vez mais escassa. Não sei se o hei-de definir como falta de capacidade ou ganho de perspectiva. Seja qual for a definição que melhor se aplica, nem uma, nem outra é negativa. Todos os papéis espalhados pelo quarto, as mensagens deixadas na areia, a tatuagem no banco de jardim formam os pedaços da história que não vale a pena contar. Ella, a protagonista deste espaço e de todos os que ainda não atravessou, gostava de deixar pedaços do que lhe vai na alma espalhados por aí. Por essa razão, a cidade perto do mar, conhece-a melhor que ninguém.
Enquanto Ella acorda para mais um dia de ociosidade, os pescadores já lançam as redes em alto mar para procurar alimento para tantos outros que sabemos que por aí andam, mas não conhecemos. Ella não seria capaz de ser pescadora. O mar, tanto a arrebata com a sua beleza infinita, como a enche de medo quando nos dias cinzentos bate contra as rochas sem a menor compaixão.
Ella encheu-se de novas perspectivas nos últimos tempos. Coisas da vida, circunstâncias, momentos, são agora apreciados e vividos de uma maneira diferente. Uma maneira mais rica, talvez. Tudo isso contribuiu para que o encontro daquele dia não passasse despercebido a Ella. Deitada na relva do jardim, enquanto lia palavras que alguém escreveu, parou ao sentir algo pousar no seu braço. Rapidamente enxotou o pequeno bicho que lhe fazia cócegas e antes que pudesse voltar a pousar os olhos nas palavras que outro alguém escreveu, viu-o. Era ele... Nunca o tinha visto antes, mas sabia que era ele. Moreno. Cabelo descuidadamente charmoso. Barba charmosa no seu descuido. A maior surpresa: estava a ler as mesmas palavras que outro alguém escreveu que ela. Não vou contar que palavras liam, porque começaria aí a pensar nessa história e não nesta, que de interessante, não tem nada.
A leitura do livro passou a servir de disfarce a partir daquele momento. Ella era assim. Podia estar submersa nas suas ideias e no seu mundo, mas se algo captava a sua atenção, o protagonismo era reassumido. Rapidamente percebeu que ele também a observava e que usava a mesma camuflagem de páginas cheias de palavras que ela. O seu coração começou a bater com mais força. Envergonhada pela descoberta focou o seu olhar na primeira palavra que viu: Roma.
Ella era assim. Independente e confiante até a timidez de criança inocente se apoderar de todas as suas entranhas.
Encadeada pela palavra e pelo sol que teimava em bater contra o livro, demorou, sabe a brisa quanto tempo, a reparar que ele se tinha sentado ao lado dela. Levantou-se abruptamente e olhou para os olhos dele. Os dois com os livros na mão... Os dois... Dois estranhos a olhar um para o outro... Desataram às gargalhadas. Nervosismo combinado com o desconhecido da situação, combinado com Ella saber que era ele.
Não me lembro da primeira palavra que trocaram, nem das outras 23 mil que se seguiram nessa tarde. Mas lembro-me da palavra para a qual Ella olhou quando a sua timidez a obrigou a refugiar o olhar no livro.
Foi Roma. E Roma, ao contrário, lê-se amor.
quinta-feira, março 02, 2023
quarta-feira, março 01, 2023
segunda-feira, fevereiro 27, 2023
Parce que c'était lui. Parce que c'était moi.
Conheceram-se ontem.
quinta-feira, fevereiro 23, 2023
Linhas tortas
domingo, janeiro 22, 2023
Túlipas amarelas
Pouco tempo em Amesterdão. O suficiente para perceber que tenho voltar a passear por aquelas ruas. O suficiente para perceber que tenho de me sentar a beber um copo de vinho num qualquer barco, num qualquer canal. Estava frio quando estive em Amesterdão. Não muito. O suficiente para eu achar que está muito frio. Não é preciso muito. Já foi preciso mais. Para eu achar que está frio.
A Night-Blooming toca. A primeira vez que a ouvi estava em Amesterdão. Sempre que a oiço (ouço? - ambas as formas são corretas - ok) transporto-me para o momento em que perguntei o que estava a tocar. Sempre que a oiço apetece-me dançar. E danço. E estou no meio de uma sala cheia de gente. E não vejo ninguém. E mexo-me e salto de um lado para o outro. E o cabelo abana. E os braços vão para a cima e para baixo. E um sorriso forma-se. E quase que me emociono com esta imagem.
Já dancei muitas vezes embalada por esta voz e por esta batida em crescendo. Apetece-me dançar agora. Dançar mais uma volta antes de continuar a escrever. Será que escrevo de forma diferentes se for dançar e depois voltar? Será que volto com outras ideias? Não, não vou testar agora. Está frio e as duas mantas em cima de mim geram um certo impedimento. No entanto, o sorriso não sofre impedimentos e rasga-me a cara.
Only in darkness does the flower take hold, it blooms at night. Preciso da escuridão, da noite, de me perder, de me enterrar em sensações e ideias tenebrosas. Perco todo o otimismo e a esperança dissipa-se do meu universo. Tudo negro para que aos poucos possa voltar a deixar a luz entrar. A luz volta sempre a entrar. Há sempre uma fissura que chama a claridade e, pouco a pouco, permito-me voltar a ver o mundo através das lentes boas. Através das lentes que devia usar todo o tempo, porque está tudo bem, porque se deixa a vida andar, porque não tem de ser tudo complicado. Será que consigo fazer a escolha sensata da próxima vez que for invadida pelo dark side? Será que consigo controlar isto? Sei lá. A informação está presente, mas também sei que às vezes é preciso irmos dar um passeio ao fundo de nós para voltarmos iluminados. Para sermos mais nós.
Por agora fico com a música. Com esta e com todas as outras que me embalam e dão mais sentido aos meus dias.
E deixo-me maravilhar com a conclusão que sempre tive uma flor favorita.
sexta-feira, janeiro 20, 2023
segunda-feira, janeiro 16, 2023
Quando a felicidade mete medo
Pensar. Pensar em como vou sair deste estado. Primeiro gostava de perceber o que me fez chegar a este estado. O que foi? Ontem parecia estar tudo bem. Hoje acordo e o mundo está escuro, cinzento, negro. Todas as cores supostamente representativas de algo mau. Entro em mim. Durmo. Acordo. Cansaço. Arrumo. Arrumo porque procuro ordem. Procuro ordem na minha cabeça e não a encontro. Busco então por ela no mundo físico. Tenho a cabeça desordenada porquê? Parecias estar tão bem. Sempre que falas no assunto dás ênfase ao equilíbrio. Estarás tu a mentir a ti própria mais uma vez? Outra vez? A sério... Cresce.
Vou desistir destas merdas.
E agora? E agora está tudo na mesma. Vejo o mundo escuro. Hoje está tudo tão escuro. Não me lembro de te ver assim. Sentes que estás fora de controlo. O resto do mundo mantem-se funcional e tu... tu deixaste-te cair. Lembra-te que é hoje. Só hoje.
Dá-me palavras que confirmem que não foi mais uma ilusão. Deve ter sido. É assim que funciona. Tu estás sozinha aqui e vais sempre estar. É a realidade que todos temos medo de encarar. Podes contar contigo e só contigo. As outras merdas são ilusões momentâneas que alimentam ciclos da vida para que formemos recordações, para que acreditemos que sim, que isto até vale a pena.
domingo, janeiro 08, 2023
Sensações
sexta-feira, janeiro 06, 2023
Tintas
Há sempre um céu.
Há sempre caos.
Há sempre reencontro.
domingo, dezembro 18, 2022
Ausência de coragem
É tão mágico que um instrumento consiga expressar tudo aquilo que eu te quero dizer e não consigo.
domingo, setembro 11, 2022
terça-feira, agosto 16, 2022
Gustav
Mahler plays.
Well, not Mahler, but his symphony.
Birds fly by my window and the sky is so beautifully blue.
I sit on the floor.
This is just too much to be felt on a soft surface. The piano plays harder. I get softer. Within myself lie all of the unanswered questions the world has ever asked.
Hey, how are you managing so much pain?
The music. The music makes my heart smile through it. It's hurting, yes.. Every step of the way. Not gonna lie. But it's a pain that I have to feel. I need to feel all of this. So I can eventually walk away from it.
No, walking away is not possible. You know too much, baby. And you just love to feel everything so deeply. You need it. You crave it. You're not yourself without it.
Oh, how I wish I could help you get through it. Clear up all of your thoughts. Scrub away all of the pain they caused. Put a bit of make-up over all of the scars.
Go. Pour yourself another glass of wine. It's fine. Eitherway, you're a great kisser.
The symphony keeps playing. You keep on feeling every stroke of the piano deep inside of your skin. You're happy.
It hurts.
After all of this... You will have grown a bit more, get to know yourself a little bit better and maybe, just maybe, it won't hurt as much as before.
sábado, agosto 13, 2022
Avisa-me quando chegares a casa
Não foi só uma palavra.
Foram muitas as palavras trocadas.
Palavras trocam-se.
Alguém forma uma ideia sobre ti e sobre mim.
Uma ideia apenas.
É difícil dar a conhecer todos os enredos que nos transformaram naquilo que somos.
É difícil explicar os eventos que foram dando forma às nossas ideias, às nossas manias, aos nossos medos.
Apesar de tudo, vamos tentando.
Vamos trocando enredos uns com uns outros.
Vamo-nos identificando com histórias e ideias.
Vamo-nos aproximando ou afastando de alguém.
Vamos pedindo para nos avisarem quando chegarem a casa com a esperança que um dia a frase se faça sentir cá dentro e se faça sentir na outra pessoa.
Já pedi para me avisarem. Já me pediram a mim para avisar.
Ainda não percebi quando te vou pedir a ti.
sexta-feira, agosto 05, 2022
The dance
segunda-feira, agosto 01, 2022
sexta-feira, julho 22, 2022
Chão e Alcatifas
sábado, julho 16, 2022
Gostava de usar o teu nome nas costas
Vestir a tua camisola antiga, no dia seguinte, de manhã cedo.
Aquela do clube em que jogavas quando eras pequeno.
terça-feira, julho 05, 2022
Deambulando apaixono-me
Pela miúda que me atendeu no Starbucks do aeroporto.
Pelo rapaz no mercado de rua.
Pelo sorriso da mulher que me disse bom dia ao sair da escola.
Pelo gajo dentro daquela loja de roupas. Que perfil, que jawline, que olhar.
Pela simpatia da Ivonne.
Por aquele gajo no parque das montanhas.
Pelo bigode irritante do gajo no comboio.
Pela cor dos olhos da miúda sentada à minha frente no avião.
Pela presença presente dos putos e por me terem lembrado que sou uma criança.
Pelo gajo que vageou sozinho pelo palco.
Pelas coisinhas brancas que voavam por todo o lado.
Pelo pai, o filho e o avô a darem toques na bola.
Pela forma como o R. disse: "confia em mim".
Pelos arrepios que as mãos fizeram o meu corpo produzir.
Pelo livro que ninguém me disse para ler.
Pelos shining eyes para os quais o D. me alertou.
Pelos novos caminhos que descobri querer escrever.
E um dia
vou-me apaixonar por ti.
sexta-feira, julho 01, 2022
Apaixonada
Apaixonada pela palavra APAIXONADA.
APAIXONADA apaixona-me o cérebro.
O cérebro de um apaixonado sofre de uma moca natural e constante.
É habitado por uma neblina saudável(?).
Apaixonada por ti.
Apaixonado por mim.
Acho que me estou a apaixonar por ti.
Uma apaixonado também se esconde.
Uma apaixonada pode não perceber.
Apaixona-me essa paixão que tens por gestos mundanos.
Se me apaixonar...
Depois de te conhecer...
Fim da vida como a conheço.
Apaixona-me.
Apaixono-me devagarinho por ti.
sábado, junho 25, 2022
Fila do supermercado
quinta-feira, junho 23, 2022
Wicked game
sábado, junho 11, 2022
Qual é a tua ideia?
Dizeres que vens e que vais.
Qual é a tua ideia?
Mostrares vontade de me vires dares um beijinho?
Qual é a tua ideia?
Passarem os dias e não dares notícias.
Qual é a tua ideia?
Mexeres comigo um bocadinho outra vez.
Qual é a tua ideia?
Não te posso dar nada.
Qual é a tua ideia?
Esta história já foi escrita.
Qual é a tua ideia?
Eu nunca acreditaria.
Qual é a tua ideia?
Nós nunca faríamos sentido.
Qual é a a tua ideia?
Já passou demasiado tempo, sei demasiadas coisas sobre ti.
Qual é a tua ideia?
Por favor, nunca mais roubes nenhuma ideia de mim.
sexta-feira, junho 10, 2022
Farô x 3
domingo, junho 05, 2022
Impecável
Costumas vir aqui?
Sim, costumo estar no meio da rua, entre multidões de pessoas, enquanto música popular é cantada de uma varanda e o ar está envolto de cheiro a sardinhas.
Impecável...
quarta-feira, junho 01, 2022
Máquina de escrever
domingo, maio 29, 2022
segunda-feira, maio 23, 2022
A boleia
quinta-feira, maio 12, 2022
Inquieta
"O destino, quando lhe dá para aí, é capaz de escrever por linhas tortas e torcidas tão bem como Deus, ou melhor ainda."
Que se fodam os pensamentos alheios. Que se fodam ideias sobre mim. Que se foda quem não me viu. Que se fodam obrigações que achamos serem impostas. Que se foda se perco tempo perdida em mim. Que se foda o aspecto, a roupa da cama e as cores que não agradam a todos. Que se foda esconder-me. Que se foda que não gostes do meu gosto musical. Que se fodam os livros que não li, os assuntos sobre os quais não tenho opinião formada. Que se foda evitar dizer merdas com medo que não gostem. Que se foda achar que sou insegura. Que se foda quem não me acha piada. Que se foda tudo o que não importa. Que se foda também o que importa, porque inevitavelmente chega um dia em que deixa de importar. Que se foda quando bebo demasiado vinho. Que se foda que os vizinhos me oiçam a cantar. Que se foda quando oiço música de ir ao rabo. Que se foda se fui demasiado intensa, que se foda a ideia que passo, que se foda o que dizem. Que se foda a marca que deixo nas pessoas. Que se foda se não deixo marca nenhuma. Que se foda tudo o que foi. Que se foda o que podia ter sido. Que se foda não ter dito o que devia. Que se foda o tempo que demoro até ser eu com alguém. Que se foda não acreditar. Que se fodam as mensagens, os telefonemas e as cartas que se extraviaram. Que se foda o tempo que passa. Que se foda não estar preparada. Que se fodam as conversas sobre bebés. Que se foda o corpo cansado. Que se foda fugir. Que se foda evitar. Que se foda perder tempo. Que se foda não ver. Que se fodam as ligações especiais. Que se fodam os cabelos espalhados pelo chão. Que se foda a garrafa de água vazia. Que se foda o saco de boxe. Que se foda a roupa espalhada pelo quarto. Que se foda se pinto mal. Que se fodam as apps. Que se foda ter sempre a mesma conversa. Que se foda a roseira que quer morrer. Que se foda ter medo de dizer não. Que se fodam os cheiros que nos levam em viagens no tempo. Que se foda o tempo que estou a demorar a ler o livro. Que se fodam os poemas que não compreendi. Que se fodam os armários da cozinha. Que se foda a barata que queria entrar comigo no prédio. Que foda quem olha para mim. Que se fodam os números. Que se foda o calor. Que se fodam as almofadas a mais. Que se foda que o mercado esteja em baixo. Que se fodam os gráficos. Que se fodam os elefantes. Que se foda o telemóvel. Que se foda este computador. Que se foda a roupa para o casamento. Que se fodam os sapatos que ainda não comprei. Que se foda a transformação. Que se foda a guerra. Que se foda o amor. Que se foda a aranha que se atrapalhou e caiu. Que se foda a coerência. Que se fodam as ilusões. Que se fodam as opiniões.
"O destino, quando lhe dá para aí, é capaz de escrever por linhas tortas e torcidas tão bem como Deus, ou melhor ainda"
O resto?
Que se foda.
segunda-feira, maio 02, 2022
Chave do Euromilhões?
13.
15.
18.
27.
O mês especial sempre foi Maio.
History in reverse.
segunda-feira, abril 25, 2022
domingo, abril 24, 2022
Metamorfose
segunda-feira, abril 11, 2022
Não se dorme, divaga-se
Sempre gostei de observar o aparecimento das letras e consequentemente das palavras enquanto escrevo. Parece magia. A possibilidade de transportar um pensamento para uma página e perpetuá-lo. É mágico. Gosto mais de escrever em papel, mas às vezes apetece-me ouvir o "clic clac" das teclas quando tudo está em silêncio.
Venho aqui a esta hora tardia, porque não consigo dormir. Devias evitar olhar para o ecrã do computador então, Joana. Sim, já sei isso tudo. Hoje é uma daquelas noites em que sei que não vale a pena insistir. Não me acontece muitas vezes, mas hoje sei que preciso disto. Preciso de fugir do dilúvio de reminiscências que as sinapses me estão a entregar e tentar partir para outras ideias.
Isto foi desencadeado pelo filme que comecei a ver. Não, não foi só o filme. O filme ajudou porque me revi. Foi desencadeado pela decisão que tomei. Uma decisão que tinha de ser tomada mais cedo ou mais tarde. Eu acho que veio tarde. Que parva que sou. Que parva que fui. Ingenuidade? Talvez também um bocado. Acho que esperava mais de mim. Como é que depois de apenas um simples acontecimento perdi o equilíbrio da maneira que perdi? Não sei. Gostava de ter sentido as coisas de uma maneira menos infantil. Mas será que tinha sido tão genuíno como foi, se não tivesse agido apenas com o lado emocional? Por muito que me custe admitir, sei que tudo o que aconteceu não podia ter acontecido de outra forma.
Os sentidos novos que ando a encontrar vão ser a alavanca para isto tudo mudar. Não vou cometer o mesmo erro de há uns anos atrás. Por muito pouco, não me deixei afogar. Estava-me a deixar ir agora, bem lá para o fundo, por isso é que precisei do ecrã. Do corte.
Só mais um dia e vou voar. Voar daqui para fora, mudar de cenário. Outros cenários dão-me sempre a possibilidade de enraizar mais as ideias novas ou descobrir o que realmente preciso de fazer para avançar para onde quero. Há uns meses tive uma mudança de perspectiva em relação ao que gostava de construir daqui para a frente e é nessa direção que quero ir, porque pela primeira vez em muito tempo tenho uma certeza. Fui sempre fazendo as coisas no limite. Agora não quero que seja assim, mas para isso também tenho de parar de fazer merdas que me mantém acorrentada a abstrações que não passam de falsas crenças. Temos constantemente falsas crenças e damos significados às coisas que fazem com que seja muito mais difícil desprendermo-nos delas. Acreditamos e agarramos uma ideia por causa do significado que lhe atribuímos. A maior parte das vezes, o significado atribuído a algo, não passa de uma fabricação da nossa cabeça - que só está dentro da nossa cabeça, ou seja, não nos define! Estes produtos da nossa cabeça, podem então ser modificados quando nós quisermos, quando nós decidirmos e quando formos capazes. Há significados mais difíceis de transformar do que outros obviamente, mas acho que o poder está em saber que existe a possibilidade de o fazer, que não estamos entregues e ancorados a traumas do passado ou a determinadas ideias sobre nós próprios. Cada momento novo é um momento novo e nós podemos escolher quem queremos ser a partir de cada novo momento que criamos para nós. Temos de transformar os significados que demos a determinados acontecimentos, ou até a pessoas, para podermos realmente avançar com a cabeça resolvida ("não tenhamos pressa, mas não percamos tempo"). Se todo este processo fosse fácil, eu não estava a escrever sobre ele às 3h23 da manhã.
Por agora chega. Vou tentar processar o resto das ideias a uma hora mais sã. Talvez o faça no avião. Sim, dentro do avião existe um tempo que não existe. Perfeito para divagações da madrugada.
sexta-feira, abril 08, 2022
Um passo para a frente e dois para trás.
Não gostas, mas já sabes que é assim.
Conclusões deixam de ser incontestáveis.
A vibração desce.
Há algo estranho no ar.
Todos os dias encontras alguém inesperadamente.
quarta-feira, abril 06, 2022
segunda-feira, abril 04, 2022
domingo, abril 03, 2022
Acto 1
"Tinhas alguma ordem lógica aqui?" - Ela olhou para ele com um ar confuso. Não será óbvio que tinha uma ordem na organização dos seus livros? Quem é ele para chegar à estante dela e começar a mexer nos livros todos à procura dos que tinham dedicatória? Quem é ele? Ninguém. As dedicatórias eram dela. Bastou um milissegundo para se aperceber das falsas convicções que alimentou nos últimos meses. O vidro partiu-se aos bocadinhos, a magia morreu. E agora? Agora inicia-se o teatro.
"Hey i like your pictures what are you looking for" - ela disse-lhe que procurava sinais de pontuação. Ele respondeu que estava à procura de amigos e perguntou-lhe de onde é que ela era. Ela ficou incrédula a olhar para o telefone tentando processar tamanha lerdeza. Lerdeza. Que palavra. Não respondeu mais. A narrativa ficou pelo prólogo.
"Buongiorno principessa" - ok. Querido. Meh. Formalmente sim, tudo o que fez foi atencioso. Ela sente-se desconfortável com coisas que ele diz. Infelizmente não consegue engrenar da mesma forma que ele. Receia que em breve ele lhe faça um convite. Ela vai dizer que sim. Ele tem um cérebro interessante e da última vez que se viram as horas voaram. Risos, poemas e cervejas. Ele gostou dela. Ela sentiu. Gostava de ser tua amiga. E agora? Agora inicia-se a escrita da peça. Vai correr mal. Que se foda.
"A tua voz não é nada o que eu estava à espera" - ela também não estava à espera de sorrir quando ouviu a voz dele pela primeira vez. Assim é mais fácil. Mensagens de voz sem ter muito tempo para pensar e repensar no que se vai dizer. Tudo a correr bem? Sim. Combina o copo, vá. Tempo passa. Conversa esgota-se. Tic tac. Já não vai dar. Não, não iniciou o teatro desta vez. Ele tinha qualquer coisa. Ela ergue a muralha. Peça fica por escrever.
Acto 2
sexta-feira, abril 01, 2022
Ómicron
sábado, março 12, 2022
The day a dog killed a dove
domingo, novembro 28, 2021
Switching tables
sexta-feira, outubro 29, 2021
Como se
Outra e outra vez.
quarta-feira, setembro 15, 2021
sábado, setembro 04, 2021
E se voltasses a escrever?
Sem ser no papel?
Aqui outra vez?
Talvez seja boa ideia. Está-me a apetecer. Agora.
Agora. Amanhã não sei. Amanhã poderá vir outra vontade. Amanhã poderei querer voltar a pintar. Quem sabe?
Eu não. Eu não sei nada. Eu sei que gosto de estar aqui, gosto de olhar para as árvores cheias de folhas verdes, gosto quando não há carros a passar, gosto dos filmes que se desenrolam na minha cabeça.
Divaga. Sempre o fiz bem. Arte? Sim. É arte, sim. Para mim.
Para ti? Para ti nada. Só para mim. As árvores, os carros que não passam, os filmes... Tudo isso é meu.
quarta-feira, julho 07, 2021
Férias
não para melhor,
não para pior.
terça-feira, março 02, 2021
Carta perdida 5
segunda-feira, março 01, 2021
Carta perdida 4
sábado, fevereiro 27, 2021
Carta perdida 3
"Todas as cartas de amor são
Não seriam cartas de amor se não fossem
sexta-feira, fevereiro 19, 2021
Carta perdida 2
segunda-feira, fevereiro 15, 2021
Carta perdida 1
terça-feira, junho 09, 2020
A carta que nunca te vou escrever
Muitas mensagens. Muitas trocas de músicas.
Faísca.
Faísca (tanto tempo a passar).
Faísca.
terça-feira, novembro 05, 2019
Redirecionar
Talvez faça sentido também escrever nestas alturas. Talvez também seja algo bom. Fingir que não estou minimamente atenta ao que se passa à minha volta. Estou. Sim, sei quem entra na sala, quem sai, onde se sentam. Não quero mostrar que estou atenta. Mantenho o meu olhar focado no ecrã. Ponho o cabelo atrás da orelha para verem que estou a usar phones. Bloqueio completo. Tentativa disso. Agora não dá. Agora não consigo, não quero falar com ninguém.
Nunca me tinha acontecido quase perder o controlo. Não neste contexto. Não aqui. Não perdi o controlo total, há algo positivo a reter disto, mas gostava de perceber que alavanca puxei. Quase chorar de raiva... Como assim? Quem és tu?
Vá, vamos voltar à realidade. Vamos sentir-nos normais. Vamos processar esta merda de turbilhão de emoções. Afinal, há uma hora estavas precisamente a falar disso, da regulação de emoções. Parece que me estão a testar todos os dias. As pessoas erradas! Como assim não percebeste o que te disse três vezes de seguida??? Quem és tu sequer para dizer como eu devo ou não proceder? Como assim?
Back to reality in 10.
sexta-feira, novembro 01, 2019
Perdida no tempo
terça-feira, junho 05, 2018
Para sempre minha Flor
A tua flor está a começar a abrir. Já fazes parte de algo vivo outra vez, para além do que para sempre teu permanecerá vivo em mim.
Lembro-me de ti todos os dias. Há dias mais tristes que outros. Consolo-me com a certeza de que me pediste paz e eu deixei-te ir... Descansar.
Obrigada por todo o amor que me deste, por tudo o que me ensinaste, por tudo o que em mim transformaste.
Para sempre minha Zni, para sempre.
sábado, outubro 01, 2016
A lu ci na ção
quinta-feira, agosto 11, 2016
Change your heart, look around you
Late thoughts lost in amidst of red, red wine are usually the truthful ones. If not the truthful ones, then the ones with a little bit of truth biting your insides.
In life, CTRL-Z doesn't work. What's done is done. Run away. Correct it. Live with it. Whatever path you choose, it's done baby.
Will risk something now. The time is now. Until the morning
quarta-feira, julho 20, 2016
L.O.V.E
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Estremecer.
Contorcer.
Envolver.
Respirar.
Um uivo quase desesperado no teu ouvido. Chamei, chamei, chamei. Só passado muito tempo é que ouviste e aí já eu estava no fundo da toca. Se tinhas medo antes, agora então sabias que a tua maneira de ver o mundo iria mudar. Eu trazia a loucura nos olhos e tu cedeste ao poder hipnótico. Rasgaste-me o vestido vermelho. Eu comandei-te.
O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Estremecer.
Contorcer.
Envolver.
Abro e fecho os olhos. Tento entender a realidade... Estou confusa. Acabei por te ir buscar para me matares a sede. Mata. Matas tão bem. Os teus olhos mudam de cor a cada beijo que te dou. O teu peito transforma-se em tela onde pinto o significado de desejo.
O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Estremecer.
Contorcer.
Tranquilo. Agressiva. Lento. Provocadora. Sereno. Desesperados!
O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Estremecer.
Podíamos ter ficado semanas ali deitados. Ficámos tanto quanto pudemos. Tu. Eu. Eu. Tu. Descobriste como o meu corpo funciona. Eu descobri como te tocar. Promete-me que nunca vamos deixar ninguém meter-se entre nós. Prometo. És tu.
O filme. As passagens do livro.
O banho. A pele. O cabelo. Os lábios.
Lutar.
terça-feira, julho 12, 2016
Ideias
segunda-feira, julho 11, 2016
Numa gaveta
sexta-feira, junho 03, 2016
Braços Pintados
sábado, março 19, 2016
Cometa
Hoje fiz um filme contigo. Apareceram-me imagens na cabeça que já não via há anos. Imagens que já nem sabia ter vivido. Voltaram, vieram, chegaram, entraram. Sabes o que aconteceu? Dei por mim a limpar lágrimas dos olhos. Parecia fazer sentido sentir-me assim, mas por outro lado, não fazia sentido nenhum. Estás tão longe. Está tudo tão longe, tão dito, tão ultrapassado. Quase que te liguei. Pelos velhos tempos, quase que peguei no telefone. O que te diria? Não faço a mais pequena ideia. Só sei que naquele momento, qualquer coisa faria sentido.
O momento passou. Fui acordada pela realidade. Uma realidade real. Sem fantasmas do passado. A euforia momentânea que invadiu o meu corpo, desenterrou-me do buraco na terra no qual me estava a afundar. Nunca vais saber que o fizeste. Não to vou dizer porque só te deixaria preocupado.
Como um cometa. Esperei. Quase que pedi. Passou por mim e ateou as entranhas que dele sempre de alguma forma se alimentarão. Mas desapareceu agora.
Fraquezas. Teremos todos sempre. Gostava de te ver, não minto. Talvez dizer-te... Que nunca como crianças.
terça-feira, fevereiro 16, 2016
Invencível? Não.
Tenho medo.
Tinha de ser... Logo no ano em que eu deixei de pensar que era invencível.
sábado, fevereiro 13, 2016
Nunca foi
E eu deixei de achar que sim.


